Veneza: a encantadora cidade italiana sobre as águas

Frágil e enigmática, Veneza se tornou sobrevivente de outro tempo, que continua em constante luta contra o mar

por Purificacion Leon 15/06/2017 18:00

Carlos Altman/EM
Passeio de gôndola é boa opção para conhecer pontos turísticos (foto: Carlos Altman/EM)

Viajar para Veneza significa chegar a um lugar único, que vive segundo as próprias regras. Em Veneza não há carros, pois a vida transcorre sobre a água. Os únicos engarrafamentos são formados pelos turistas nas vielas que serpenteiam entre os canais, igrejas e palácios de uma cidade que parece estar consagrada à arte.


Localizada no Nordeste da Itália, Veneza fica a cerca de 120 quilômetros de Verona e a apenas 40 de Pádua. Por se situar às margens do Mar Adriático, um simples trajeto de balsa separa a cidade do litoral croata.

Com 1,5 mil anos de história, Veneza tem uma infinidade de cantos para se deleitar. Mas se há um lugar emblemático na cidade, com certeza é São Marcos. “Se for a primeira visita, é preciso começar pela Praça de São Marcos”, recomenda Ilaria Rizzardi, guia turística de Veneza.
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(foto: Carlos Altman/EM)

Napoleão descreveu a Praça de São Marcos como “o salão mais formoso da Europa” e hoje seria possível acrescentar que também é um dos mais movimentados. São Marcos nunca está vazia. Os clientes das cafeterias e lojas se misturam com os pedestres e com as pessoas que fazem filas para subir ao Campanário de São Marcos ou para visitar a basílica.

Ilaria explica que a Basílica de São Marcos também é chamada de “Basílica de Ouro” por seus mosaicos bizantinos dourados, “formados por tesselas de pastilhas de vidro, todas com uma fina lâmina de ouro no interior, segundo a técnica bizantina”, detalha.
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(foto: Carlos Altman/EM)

Durante muito tempo, a basílica foi a capela do doge e líder da república marítima de Veneza. O templo, com sua planta de cruz grega, seus mosaicos e suas cúpulas, é um símbolo do papel de Veneza como vínculo entre Oriente e Ocidente. O maior altar da basílica reúne as relíquias de São Marcos, roubadas em Alexandria por dois mercadores venezianos e que chegaram a Veneza escondidas em uma carga de carne de porco. Os mosaicos vistos na fachada da basílica narram a história do roubo dos restos mortais do santo.

CAMPANÁRIO

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Praça de São Marcos é um dos pontos mais simbólicos da cidade (foto: Carlos Altman/EM)
Depois do túmulo de São Marcos, uma opção é contemplar a Pá d'Oro, grande placa revestida de ouro e pedras preciosas com diversas referências religiosas. Entre os tesouros da catedral estão os quatro cavalos de São Marcos. Acredita-se que essas majestosas esculturas de bronze faziam parte de uma carroça situada no hipódromo que o imperador Constantino mandou construir em Constantinopla.

Hoje, os originais se encontram no interior da basílica, e os que estão situados no terraço exterior do local são réplicas. Outro atrativo do terraço é a espetacular vista da Praça de São Marcos e de parte da lagoa.

O Campanário, um dos edifícios mais característicos da praça, também oferece grande panorâmica da cidade. A torre, de 92 metros de altura, é uma reconstrução do campanário anterior, que desmoronou em julho de 1902.

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Grande canal (foto: Carlos Altman/EM)
Perto da Basílica de São Marcos está localizado o Palácio Ducal, um dos edifícios de maior destaque em Veneza. “Hoje, é o principal museu e melhor exemplo de arquitetura gótica da cidade. Mas durante a república foi a sede do governo, a residência do doge e o Palácio de Justiça com prisões”, analisa Rizzardi.

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(foto: Carlos Altman/EM)
Um dos espaços mais impressionantes do interior do palácio é a sala do conselho maior, que já foi considerada a maior sala do mundo sem colunas que sustentassem o teto. Em suas paredes é possível ver os retratos dos primeiros doges, exceto um que está coberto por uma pintura preta. Trata-se do doge Marino Faliero, condenado e executado por traição em 1355 e do qual não foi conservado nenhum retrato.

Em princípio, o próprio palácio também abrigava as masmorras, mas quando as novas prisões foram construídas, os condenados tinham que caminhar do palácio, onde ocorriam os julgamentos, até as celas pela famosa Ponte dos Suspiros.

A Praça de São Marcos é, sem dúvida, o coração de Veneza, mas nenhum viajante deveria deixar a cidade sem visitar algumas de suas igrejas mais representativas. “Caso tenha pouco tempo, é preciso dar uma olhada na Praça de São Marcos e em seus monumentos de fora. Depois, recomendo dar um passeio pelos arredores e chegar ao Campo Santa Maria Formosa e ao Campo Santi Giovanni e Paolo, o mais magnífico de Veneza", destaca Rizzardi. Nesse campo está a estátua do condotiero Colleoni, uma representação do militar a cavalo que se tornou uma das grandes obras da escultura renascentista em bronze.

RIALTO

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Romantismo sobre as águas turvas do Adriático (foto: Carlos Altman/EM)
Se percorrermos o Grande Canal em direção ao interior da cidade, após um longo passeio, nos deparamos com a Ponte de Rialto, um dos símbolos da cidade. Junto a ela, há infinidade de palácios e de edifícios majestosos que oferecem suas fachadas às águas do Grande Canal. Um passeio de gôndola é uma incrível maneira de desfrutar desse espetáculo. Mas os turistas também podem contemplar a cidade com qualquer outro meio de transporte aquático, como a lancha que vai e vem ao aeroporto.

Veneza é um museu ao ar livre, um lugar onde qualquer construção é uma joia e cada cantinho merece um elogio. A cidade acolhe os visitantes de braços abertos durante todo o ano, embora, em palavras Da guia turística, “maio, junho e setembro sejam os melhores meses para visitar Veneza, apesar da alta temporada e da multidão”. Durante a primavera e o outono, Veneza desfruta de um clima suave. No entanto, os verões costumam ser quentes e os invernos muito frios e chuvosos. Apesar do intenso sol e dos nevoeiros invernais, o encantamento de Veneza não diminui.

* Agência EFE

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