Parque do Iguaçu: uma banho de diversão em contato com a natureza

A dois anos para completar 80 de criação, o Parque Nacional do Iguaçu tem fôlego de rapazote. E, como todo adolescente, é capaz de nos levar a aventuras irresistíveis. Depois de tanta diversão, o turista sairá de lá com uma perguntinha martelando na cabeça: "Afinal, por que deixei passar tanto tempo até escolher as cataratas para um passeio tão legal?"

por Helvécio Carlos 14/06/2017 19:00
Toshiba/Divulgação
Barulho ensurdecedor deixa o visitante ainda mais envolvido no clima de aventura (foto: Toshiba/Divulgação)

O Parque Nacional do Iguaçu é região tão apaixonante que há seis anos ganhou reconhecimento internacional como uma das sete novas maravilhas da natureza, por meio de concurso promovido pela Fundação New Seven Wonders. No podium também estão a Floresta Amazônica, a Baía de Há Long (Vietnã), Ilha Jeju (Coreia do Sul), Komodo (Indonésia), Rio Subterrâneo Puerto Princesa (Filipinas) e Montanha da Mesa (África do Sul). O páreo foi apertado, com 440 atrações de 200 países. As Cataratas ficaram entre as setes, das 28 finalistas.

Justiça benfeita ao parque, que encanta o turista logo no centro de visitantes, sua porta de entrada. Com bilhetes nas mãos, o visitante embarca em ônibus de dois andares, que segue um percurso de 10 quilômetros por estrada bem conservada – de matar de inveja qualquer rodovia federal – emoldurada por mata nativa de uma beleza e tranquilidade que funcionam como antídoto para o estresse e os problemas do dia a dia. Pronto: só ai valeu o preço do ingresso (R$ 37 por adulto).
Foz do Iguaçu/Divulgação
Para os mais corajosos, os roteiros radicais são irresistíveis e desafiadores (foto: Foz do Iguaçu/Divulgação)

Mesmo envolvido com o visual arrebatador, o turista deve ficar com os olhos bem abertos. Motoristas que circulam por ali garantem que, vez ou outra, uma onça ou outro animal de pequeno porte podem cruzar a estrada. Verdade ou não a história deixa o passeio ainda mais animado.

São seis pontos de visitação ao longo do percurso. O melhor é seguir direto até a trilha das cataratas, onde, em um mirante, o visitante tem seu primeiro contato com as quedas d’água do lado argentino. Claro, não faltará piadinha com os hermanos: “as quedas estão do lado de lá. Mas a melhor vista pode ser admirada pelo lado brasileiro”. Daí em diante é uma sequência de surpresas ao longo de uma trilha de quase dois quilômetros que acompanha o Rio Iguaçu.
Pelo caminho é possível fazer algumas paradas para fotos. Em uma delas é bom dar uma pausa nos cliques e ficar atento para localizar o barco onde os mais corajosos enfrentam queda d’água como se fosse chuveirada. Mas, calma, nada de pânico. A imagem é só aperitivo para o que vem mais tarde. Tenha certeza, você vai encarar o desafio!

Álvaro Duarte/EM
Vista de cima, as cataratas são ainda mais impactantes (foto: Álvaro Duarte/EM)

Com o barulho das quedas cada vez mais ensurdecedor, o que todo mundo quer é chegar próximo à Garganta do Diabo, com 90 metros de altura, e à queda Floriano, estrela em campanha publicitária de uma ducha. Ela também serviu de locação para o longa A missão (The Mission, de 1986, estrelado por Robert De Niro e Jeremy Irons). Acredite, diante daquele paredão de água você nunca mais será o mesmo. É uma das sensações mais espetaculares que um turista pode sentir.

Se vista dos mirantes as cataratas fazem o coração disparar, encará-la de frente é dose extra de adrenalina. O embarque para essa aventura é na parada Macuco Safári, que oferece também rafting no Rio Iguaçu e cachoeirismo no Salto do Macuco. Qualquer que seja a escolha, o embarque até o rio é em uma carretinha elétrica, que percorre pouco mais de dois quilômetros. No trajeto, guias contam histórias e curiosidades sobre a vegetação exuberante.

Quem optar pela descida de rapel na Cachoeira do Macuco, para no meio do caminho. Os mais aventureiros continuam por mais 600 metros até o embarque nos barcos infláveis. A partir daí a tensão só aumenta. A começar pela descida ingrime em uma espécie de bondinho até o cais, onde os passageiros vestem coletes salva-vidas. O início da navegação é de uma tranquilidade paradisíaca, com cenário de rochas e vegetação que fazem a festa dos olhos até a primeira e única parada em praia mais próxima ao lado argentino das cataratas.
Foz do Iguaçu/Divulgação
Encarar as quedas d'água no Rio Iguaçu é prova de coragem. Mas quem enfrenta o desafio só pensa em repetir a aventura (foto: Foz do Iguaçu/Divulgação)

O ponto é estratégico, não apenas para fotos. É hora também de o piloto e o copiloto vestirem macacões que vão protegê-los do aguaceiro que vem pela frente. A viagem segue rio acima, com movimentos precisos, desviando de pedras e águas ainda mais revoltas. O piloto – marinheiro profissional – faz manobras que levam o turista a acreditar que está em cena de perseguição em filme de ação.

O tempo na água é relativamente curto, apenas 25 minutos entre ida e volta. No embarque, parece uma eternidade. Ainda mais se o turista observou na trilha lá no alto o vai e vem dos barcos. A tensão se esvai com o banho revigorante da queda d'água. E, tenha certeza, você vai querer ir muitas outras vezes!

Três fronteiras
Foz do Iguaçu/Divulgação
(foto: Foz do Iguaçu/Divulgação)

Os rios Iguaçu e Paraná são vedetes no turismo de Foz do Iguaçu. O primeiro dá nome às cataratas, nasce na Serra do Mar, percorre 1.205 quilômetros até chegar ao Paraná, que desemboca por ali depois de passar por Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. E é justamente no encontro dos dois rios, no Marco das Três Fronteiras, o outro ponto de parada no turismo em Foz do Iguaçu. O melhor é chegar no fim da tarde. Com sorte e se São Pedro ajudar, o pôr do sol sobre as águas dos rios é um espetáculo e tanto.

O Marco não é o mesmo de tempos atrás. Está melhor, com estrutura incluindo restaurante, estacionamento, anfiteatro e, claro, os carrinhos de food-truck, que dão um charme mais moderno. O obelisco, inaugurado no início dos anos 1900, continua lá marcando o limite entre Brasil, Argentina e Paraguai, a famosa tríplice fronteira.
Álvaro Duarte/EM
Os rios Iguaçu e Paraná são vedetes no turismo de Foz do Iguaçu (foto: Álvaro Duarte/EM)

Detalhe: objetos de cena usados nas filmagens de A missão, doados pela produção do longa, estão expostos. Chama atenção a cruz onde um dos personagens foi amarrado e jogado de uma das quedas durante cena clássica do filme.

Quando a noite cai, pouco se vê dos rios. O jeito é sentar-se na pracinha e se divertir com apresentação de número de dança típica dos três países. Show de luzes e projeções em uma tela de água completam o programa. Coisa para turista ver e se divertir.

Quem passa pela passarela rumo à Garganta do Diabo faz a caminhada em ritmo inversamente proporcional à velocidade das águas. O visual é hipnotizante e o turista quer apenas curtir. Mesmo que, vez ou outra, olhando para baixo ou para o alto dê aquela vertigem e bata aquela dúvida: “Será que essa passarela segura a onda?”.

Tão sensacional quanto o visual é imaginar a construção da primeira versão da passarela nos anos 1960. O trabalho era braçal, com marretadas assegurando a fixação dos pilares, que, em sua maioria, levaram uma semana para ser instalados. Para ficar pronta, a passarela consumiu dois anos. Pior. Era uma época sem muitos recursos, adotando o bom e velho 'fiado' para assegurar a compra de cimento e pedras, entre outros materiais. A ferragem foi reaproveitada de uma estação ferroviária desativada. Para desviar a água, foram usados sacos de terra e de areia.

Dez anos depois, ela ganhou sua primeira reforma. Nos anos 1980, uma enchente causou danos à estrutura, que foi fechada e recuperada. Mas a grande reforma, que mudou o percurso da passarela, foi executada por um ano e meio, nos anos 1990, com direito a mirante voltado para a Garganta do Diabo.

É bom ter em mãos capa plástica para se proteger da água que vem das cataratas. É refrescante, é legal, mas o turista mais entusiasmado pode sair de lá ensopado. Vale lembrar também a necessidade de proteção para celulares e câmeras fotográficas.
Iguassu Visitors & Convention Bureau/Divulgação
Garganta do Diabo proporciona grandes emoções ao turista (foto: Iguassu Visitors & Convention Bureau/Divulgação)

QUATIS Mais comuns que onças e outros animais, os quatis fazem a festa pelo parque. Sem a menor dúvida, estão na categoria 'bichinhos fofos'. Mas é preciso ter muito cuidado com essas pestes, que, espertas, não podem ver uma bolsa ou sacola ao alcance. Com tanta fofurice, os visitantes ignoram os cartazes alertando para o perigo. Com garras longas e sem a menor cerimônia, os quatis são capazes de dar patadas que deixam marcas profundas e doloridas. A maior concentração desse animais, classificados na categoria bonitinhos mas ordinários, é na entrada do elevador que dá acesso ao ponto do ônibus.

É também o caminho para o restaurante com vista para a calmaria das águas do Iguaçu antes das quedas. Por ali também há um jardim para os mais enamorados, que preferem ver o tempo passar na maciota.

*O repórter viajou a convite do Grupo Cataratas



SERVIÇO

Parque Nacional do Iguaçu
Br-469, Km18
» Ingressos:
• Adultos a partir de 12 anos – R$ 37
• Crianças de 2 a 11 anos – R$ 10
• Idosos a partir de 60 anos, brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil – R$ 10
• Aberto diariamente, das 9h às 17h
• Contatos: (45) 3521-4400 e contato@catarataspni.com.br

Marco das Américas
Rua Marco das Três Fronteiras, s/nº, Jardim El Dourado
» Ingressos:
• Passaporte semanal – R$ 25
• Inteira – R$ 19,30
• Crianças de 2 a 11 anos, e idosos brasileiros ou estranheiros residentes no Brasil – R$ 10,30
• Aberto diariamente, das 10h às 23h
• Horário de funcionamento da bilheteria: das 10h às 22h
• Restaurante Cabeza de Vaca: das 16h às 23h
• Contatos: (45) 3132-4100 e contato@marcodastresfronteiras.com.br

* Há transporte exclusivo que pode ser agendado por meio do telefone (45) 3132-4104 ou do WhatsApp (45) 98429-7135. Há também linha de transporte coletivo

Trilha do Macuco

» Ingressos:
• Circuito completo – R$ 430
• Macuco Safari – R$ 215,40
• Rafting – R$ 107,70
• Cachoeirismo – R$ 107,70

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