Além do turismo religioso, Assis é onde se avista o melhor nascer do Sol na Itália

Cercada por muralhas, Assis escala o Monte Subásio e se eleva sobre o plácido Vale del Tescio, na região da Úmbria, conhecida como 'coração verde' da Itália

por Bertha Maakaroun 15/05/2017 16:30

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Em Assis, nasce para o mundo o Sol, como afirma Dante Alighieri em sua Divina comédia. (foto: Thinkstock)
Ao cume, a fortaleza da Rocca Maggiore. Domina, há mais de 800 anos, um vasto horizonte da Perúgia a Spoleto, numa localização estratégica fortemente defensiva em relação às vizinhas. Nesse castelo, Frederico Barbarossa (1122-1190), Imperador romano-germânico teria passado um curto período de sua infância e Frederico II (1194-1250), que o sucedeu, viveu em sua juventude. Não por essa cidadela, contudo, exemplo de arquitetura militar medieval, destruída e reconstruída algumas vezes na história, a encantadora cidade medieval, terra de ótima gastronomia e incríveis azeites, está listada como  Patrimônio da Humanidade pela Unesco.


Em Assis, nasce para o mundo o Sol, como afirma Dante Alighieri em sua Divina comédia. Nada mais atual para a Igreja Católica, que têm à frente o Papa Francisco, inspirado em Giovanni di Pietro di Bernardone, conhecido por Francisco de Assis. Mas em Assis também brilha a Lua, digo, Chiara, que abandonou a nobreza para fundar a Ordem das Clarissas. Clara e Francisco, unidos em vida e na eternidade em torno da mensagem de amor aos pobres, doentes e aos animais estão em cada ruela e praças da histórica cidade. A começar pela Basílica di San Francesco, cuja pedra fundamental foi depositada em 17 de julho de 1228 pelo Papa Gregório IX, onde Francisco fora enterrado. Concluída em 1253, constitui a mais antiga igreja gótica da Itália. Anuncia em afrescos dos séculos 13 e 14, assinados por Cimabue, Simone Martini, Pietro Lorenzetti e Giotto, a vida do homem que falava com os pássaros. O conjunto da obra é considerado ponto de partida e referência da evolução da arte e arquitetura italiana.

Não muito longe, descansa Clara, na Basílica de Santa Chiara d’Assisi. Construída entre 1257 e 1265 em estilo gótico italiano, domina a praça com a simplicidade de sua fachada geométrica. Guarda, entre preciosas obras de arte dos séculos 12 e 14, crucifixo diante do qual, segundo reza a lenda, São Francisco teria recebido o chamado de Deus: “Vai, Francisco e repara a minha Igreja, que está em ruínas”. Contraponto à Igreja Católica que ostentava riquezas e acumulava poder, São Francisco fez voto de pobreza e se dedicou aos fracos, inspirando o mundo. Isolava-se no topo do Monte Subásio o Eremo delle Carceri – retiro sagrado – para orar e interagir com a natureza
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Encantadora cidade medieval, terra de ótima gastronomia e incríveis azeites, está listada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco (foto: Thinkstock)

Assis – Asisium para os romanos – é uma viagem ao tempo que retrocede em muito à Idade Média. Por volta de 1000 a.C. uma onda de imigrantes – os úmbrios – se instalou no vale superior do Tibre até o mar Adriático e naquela região. A partir de 450 a.C., esses assentamentos foram gradualmente dominados pelos etruscos: os romanos assumiam o controle da Itália central após a Batalha de Sentino em 295 a.C. Construíram em uma série de terraços do Monte Subásio as bases de Asisium. São evidências de sua presença muralhas, o fórum (agora Piazza del Comune), o anfiteatro e o Templo de Minerva. Convertida pelo bispo Rufino – que foi martirizado em Costano – ao cristianismo em 238 d.C, a bela Assis integra a milenar história do continente. Mas entre todas as lágrimas e risos que testemunhou, nada, jamais se comparou ao nascer do Sol e ao brilho da Lua.

 

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