Lar dos imperadores da China é puro encanto

Bela e diversa, o blog 1001 lugares pra se viver selecionou dois outros destinos imperdíveis: em Beijing, a Cidade Proibida, e Guilin, na região de Guizhou e Guangxi, ao Sul do país.

por Bertha Maakaroun 02/05/2017 07:12

Bertha Maakaroun/EM
Beijing, a Cidade Proibida: complexo foi construído entre 1406 e 1420, durante a Dinastia Ming (foto: Bertha Maakaroun/EM)
O peso, a dor e a alegria de mais de 600 anos de história estão descritos na singular beleza de suas pontes, estátuas, edifícios e jardins distribuídos por 700 mil metros quadrados


Entre todas as civilizações antigas que legaram o saber ao mundo – como a egípcia, a grega, a romana e a mesopotâmica –, a chinesa é a única que permanece de pé com a sua cultura e tradição singular, mas também com a sua língua e caligrafia, que remontam ao ano 600. 

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A intransponibilidade da Cidade Proibida representou o poder de um povo nunca conquistado por outra civilização (foto: Bertha Maakaroun/EM)
A China era o Império do Centro, oásis civilizatório, circundado por um mundo percebido como “bárbaro”. E a Cidade Proibida, o centro da China. A sua intransponibilidade representou muito mais do que a distinção entre nobreza e súditos, mas antes, exibiu todo o poder de um povo nunca conquistado por outra civilização.

Para construir o complexo da Cidade Proibida – o que ocorreu entre 1406 e 1420, durante a Dinastia Ming – foram empregados cerca de 500 mil trabalhadores. O material utilizado foi trazido de toda a China. As árvores utilizadas para as vigas demoraram quatro anos para chegar até Pequim. Foram produzidos cerca de 100 milhões de tijolos e 200 milhões de ladrilhos. Quase 15 anos de trabalho e aquele que foi o centro decisório pelos séculos seguintes – que inclusive testemunharia em 1912 o ocaso da monarquia e de seu último imperador, Pu Yi, da dinastia Qing – ergueu-se majestoso, capaz de abrigar 10 mil soldados perfilados. Nenhum esforço poderia ser considerado demasiado para construir a casa do imperador, o Filho do Céu. O peso, a dor e a alegria de mais de 600 anos de história estão descritos na singular beleza de suas pontes, estátuas, edifícios e jardins distribuídos por 700 mil metros quadrados.

Foram nada menos que 24 imperadores. Em seus quase mil edifícios viveram serviçais, eunucos e concubinas, que serviam diretamente a família imperial. Cercado e protegido por uma muralha de 3,4m de extensão e 10m de altura, todo o complexo era guardado por uma segurança intensa, que servia para que a Cidade Proibida fizesse jus a seu nome, mantendo contrastante a divisão entre a realeza e a plebe: estava destinada aos nobres durante a dinastia Ming e aos manchus de alta procedência durante a dinastia Qing em contraposição aos Hans, a esmagadora maioria étnica do país.

GUILIN

Cidade de Guilin é inesquecível pelos vários picos de carste, que constroem impressionante paisagem ao longo do Rio Li

Inesquecível pelos vários picos de carste, que constroem impressionante paisagem ao longo do Rio Li – as formações se assemelham àquelas encontradas em Tam Coc, no Vietnã –, a cidade de Guilin inspira poemas desde o século 6. Foi a capital da província de Guangxi durante toda a dinastia Ming, mas perdeu posteriormente seu posto para Nanning. Guilin significa “floresta de osmanto”. A planta, gênero botânico encontrado na Ásia, Nova Caledônia e na América do Norte, está por toda a região.

O ponto alto da visita está no cruzeiro que, ao longo de seis horas, serpenteia o Rio Li, cortando montanhas cársticas que saltam das margens com imponência de até 300m de altura. As paisagens mais belas estão à margem da vila Xingping: o lindo cenário das formações cársticas está estampado na nota de 20 renminbi. Muito da tradição chinesa salta no percurso lento do barco: famílias agricultoras colhem arroz, florestas de bambu se misturam às montanhas, pescadores em suas jangadas utilizam a técnica de treinar comorões para que os pássaros peguem os peixes, regurgitados na sacola da pesca. Essa técnica de é utilizada há milênios e se torna cada vez menos comum.

Outra atração de Guilin é Qixing Gangyuan, o Parque das Sete Estrelas, que se estende por dois quilômetros às margens do Rio Li. Apenas no parque é possível encontrar mais de 100 espécies de macacos que habitam a vegetação cárstica. Entre as formações do parque há a Caverna das Sete Estrelas, que se estende por mais de dois quilômetros abaixo da montanha Putuo e é considerada uma das mais belas da China.

As estrelas que conferem nome ao parque e à caverna se referem os quatro picos da Montanha Putuo, em conjunto com os três da Montanha Crescente, que tem o formato da constelação Ursa Maior que, segundo a crença chinesa, rege o futuro da nação. A Montanha Crescente é um espetáculo à parte, com seus 200 poemas e comentários entalhados em suas saliências. Alguns dos escritos remontam à Dinastia Tang (618-907). (Colaborou Marina Sanchez)

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Ponte das virtudes


» Logo na entrada da Cidade Proibida, há um canal de água sobre o qual passam cinco pontes, cada uma representando uma das virtudes que a filosofia confucionista prega aos seus seguidores: o amor ao próximo; o senso de justiça; o cumprimento adequado das regras de conduta; a consciência da vontade dos “céus” e o cultivo da sabedoria e sinceridade desinteressadas. A água também foi prezada pelos arquitetos para que a energia positiva escorra por suas margens e seu Chi circule por toda a área. Atravessando a ponte é possível ver a Porta da Suprema Harmonia, protegida por um casal de poderosos leões chineses: o macho com uma bola sobre a pata, agarrando-a com suas mortíferas garras de bronze, atitude que deveria representar a união do mundo; a fêmea guarda seu filhote de forma solene, mas nem por isso menos feroz e aterrorizante. Eles se erguem altos perante o portal, analisando de cima todos que por ali se atrevem a passar.

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