Conheça Xangai: a Nova York futurista da China

A segunda maior cidade da China, com quase 25 milhões de habitantes, ainda que, para os ocidentais, seja vendida como a primeira. De distrito rural e pobre da cidade, Xangai se transformou no retrato do futuro, de um povo que por ele luta. O blog 1001 lugares pra se viver selecionou, também na China, a Cidade Proibida e Guilin

por Bertha Maakaroun 02/05/2017 07:12

 

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A mais futurista das cidades chinesas, Xangai é exemplo de desenvolvimento e atrai milhares de turistas todos os anos (foto: ChinaVisitTravel/Divulgação)
Aprisionado em Elba, em 1816, Napoleão retrucou ao ouvir do Lorde Amherst que a Inglaterra havia fracassado na segunda tentativa de estabelecer relações comerciais com a China: “Deixem-na dormir, porque quando acordar o mundo tremerá”. À medida em que o barco avança e sobe o rio, à direita, mira-se o futuro. Duas skylines se confrontam.


Na margem oriental do Rio Huangpu, denominada Pudong, a China pós-colonial exibe a sua pujança e força. É um dos pontos altos de Xangai, a mais ocidentalizada e cosmopolita cidade chinesa. Com 632 metros, a Shangai Tower desafia a concorrência arrojada com o título de segunda mais alta do planeta. O Shangai World Financial Center, do alto de seus 492 metros e 101 andares, é considerado o maior com espaço vazado ao topo. Empilhando 153 andares e quase meio quilômetro de altura a Oriental Pearl Tower exibe 470 metros de altura em formato exótico.
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A transformação da paisagem de Xangai é recente (foto: ChinaVisitTravel/Divulgação)

Na margem oposta do Rio Huangpu, o encanto da arquitetura colonial intocada do passado. Ali estão prédios como o da Alfândega e o Big-Beng tal e qual, o Hong Kong & Xangai Bank e o Peace Hotel, todas edificações emblemáticas da primeira metade do século 20.

A comparação entre as duas skylines é inevitável e remete às opções históricas de um povo em momentos diversos. Xangai é hoje a segunda maior da China, com quase 25 milhões de habitantes, ainda que, para os ocidentais, seja vendida como a primeira. O Império Celestial ou Império do Centro, que é como os chineses se chamavam e se reconhecem, está de volta. A China, nome pela qual a conhecemos, também. Tais visões, que evidenciam coisas distintas, dialogam ou conflitam, a partir de Xangai.
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Xangai é hoje a segunda maior da China, com quase 25 milhões de habitantes (foto: ChinaVisitTravel/Divulgação)

Xangai significa “acima do mar”. Mas em mandarim clássico, quer dizer “sequestro”. Explica-se. Ao longo do século 19, mais intensamente nas primeiras décadas, era frequente o desaparecimento de jovens chineses. Entorpecidos, acordavam a bordo de barcos. Destinos variados, principalmente para as Américas, o trabalho invariavelmente era escravo. Nos Estados Unidos, ajudaram a construir a Ferrovia Transcontinental; a Oeste do Canadá, a Ferrovia Canadense do Pacífico; no Peru, eram mandados às minas de prata; também serviam nas plantações de açúcar de Cuba e outras ilhas das Índias Ocidentais.

Era da Inovação

 

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Às margens do Rio Huangpu, os gigantescos arranha-céus lembram muito Nova York (foto: ChinaVisitTravel/Divulgação)

A história de Xangai é a síntese da relação da China com países colonizadores, países vizinhos e com o mundo. Uma história de páginas dramáticas, que batizaram um "século das humilhações" (1839-1949), em que esse país continental se ajoelhou ao Ocidente e ao Japão. Foi a partir do fim da Segunda Guerra Mundial que os chineses voltaram a pensar o país em posição central no globo. É o início daquilo que em sua atual bibliografia histórica chamam de a era da “Inovação”, segundo exposição do Museu Nacional da China na Praça da Paz Celestial: trata-se do ocaso da dinastia Qing, com o surgimento dos movimentos nacionalistas, as guerras antinipônicas, a guerra civil e a ascensão de Mao Tse Tung e do Partido Comunista Chinês. Engloba e inclui-se a partir daí todo o esforço industrializante efetuado, em prejuízo de liberdade individuais e, em certo momento histórico, com os equívocos e absurdos cometidos pela Revolução Cultural.

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Vista do Rio Huangpu a partir do observatório do Shangai World Financial Center: a mais cosmopolita cidade chinesa (foto: Bertha Maakaroun/EM)

É no entrelaçar das culturas que a beleza de Xangai revela a dramática história com alguns suspiros de deleite, como o Yu Yuan – o Jardim da Felicidade – um oásis na metrópole, de 1559 (dinastia Ming), em que a clássica arquitetura chinesa está entrecortada por lindos jardins e pontes em linhas tortas, protegidas por muros coroados por um curvilíneo dragão de quatro patas (não cinco, como o dragão imperial, para evitar a ira do imperador).

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O emaranhado de vias para atender a demanda de uma metrópole de 25 milhões de pessoas (foto: ChinaVisitTravel/Divulgação)


Serviço

Pontos altos:

» O Bund, coração da cidade colonial, exibe símbolos do período em que foi dominada pelo Ocidente.

» Pudong, margem do Rio Huangpu oposta ao Bund. Todas as edificações ali existentes – entre as quais três das mais altas torres do mundo – foram construídas depois de 1990. Em passeio de barco pelo rio, percorre-se, em uma hora, 16 quilômetros desse importante rio, com 110 quilômetros de extensão. A  skyline futurista de Xangai pode ser apreciada.

» Observatório do Shanghai World Financial Center: ao topo do 101º andar, com 492 metros de altura, apresenta espetacular vista aérea das duas margens do Rio Huangpu. Está encravado em uma infraestrutura urbana futurista, em que metrô, highways, shoppings e elevados de pedestre interagem com elegância.

» Museu de Xangai: com 120 mil peças, tem relíquias do neolítico à dinastia Qing, cobrindo cinco mil anos de história.

» Jardim Yu Yuan (Jardim da Felicidade) e Bazar: principais atrações da cidade antiga.

Como circular:

» O metrô é muito organizado e cobre os principais pontos turísticos. Prepare-se para interagir com um mar de pessoas, como jamais viu em transporte público. Táxis têm preços justos, mas a comunicação com os motoristas não é fácil.

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