Castelo de Stirling, na Escócia, serviu de inspiração para Game of Thrones

Intrigas, conspirações, romances e mortes. O local que foi testemunha da conturbada infância e vida de Mary Stuart, filha do rei Jaime V, órfã de pai em 1542, seis dias depois de nascida lembra muito o roteiro de Got, mas é a história real de um reino em busca do poder

por Bertha Maakaroun 17/04/2017 16:00

Visits Scotland/Divulgação
A fortaleza de Stirling com o Monumento Nacional a William Wallace ao fundo (foto: Visits Scotland/Divulgação)
 Sobre o vulcão extinto, no topo do maciço rochoso cercado por encostas íngremes, o castelo de Stirling se dependura à fronteira das Terras Baixas (Lowlands) e Terras Altas (Highlands) da Escócia. No vale que se estende aos seus pés corre o Rio Forth. A posição estratégica e fortemente defensiva fez desse monumento, durante a Idade Média, a chave para o domínio do Reino da Escócia. A fortaleza data do século 11 e acumula histórias e suposições de pesquisadores: teria a mesa redonda do rei Arthur sido escondida sob o chamado King's Knot, antiga área de caça real situada abaixo do castelo, atualmente denominada King's Park? O que teria pensado William, 8º conde de Douglas, minutos antes de ser assassinado pelo rei Jaimes II e lançado pela janela do castelo, em 1452?


Stirling é testemunha da conturbada infância e vida de Mary Stuart, filha do rei Jaime V, órfã de pai em 1542, seis dias depois de nascida. Essa rainha escocesa, que deu à luz James VI, em 1566, teria apresentado o filho a um dos seus soldados: “Este é o príncipe que, espero, deverá unificar os dois reinos da Inglaterra e da Escócia”. Mary Stuart foi executada em 1587, envolvida numa conspiração contra a prima e madrinha do recém-nascido, a rainha Elizabeth I da Inglaterra. Não assistiu à própria profecia: James VI seria batizado e educado no Castelo de Stirling, assumindo o trono da Escócia com 1 ano, e, com a morte de Elizabeth I, em 1603, foi também proclamado James I, rei da Inglaterra. Os dois reinos permaneceram independentes até 1707, quando o Decreto de União criou um novo estado, o Reino da Grã Bretanha.

Visits Scotland/Divulgação
Entre os séculos 12 e 17, o Castelo de Stirling foi uma das principais residências dos reis e rainhas escoceses (foto: Visits Scotland/Divulgação)

Entre os séculos 12 e 17, o Castelo de Stirling foi uma das principais residências dos reis e rainhas escoceses, além de local de reunião da corte em tempos de paz. Tornou-se quartel-general dos regimentos das Argyll e Sutherland Highlanders entre 1881 e 1964, até ser transformado, em 2010, naquilo que é hoje: museu, protegido pelo patrimônio histórico e aberto à visitação pública, sob a administração da agência estatal Historic Scotland. Embora o primeiro registro a ele relacionado seja entre 1107 e 1115, a maior parte das edificações são renascentistas, erigidas sob os reis Stuarts, entre 1490 e 1600. A arquitetura é uma mistura eclética de estilos e influências inglesa, francesa e alemã. Por volta de 1500, James IV erigiu o grande hall, considerado o maior do gênero no país. O palácio real traz réplicas reconstituídas dos medalhões do século 16 entalhados no teto, conhecidos como stirling heads. No hall interno da rainha, uma série de sete tapeçarias artesanais recria as cenas de a Caçada do unicórnio, produzida nos Países Baixos por volta de 1500 e atualmente em exposição no Metropolitan Museum de Nova York.

Dessa imponente fortaleza abrem-se belas paisagens e, ao fundo, o "National Wallace Monument", homenagem a William Wallace, que, embora morto há sete séculos, encarna o sonho sempre atual da independência escocesa. As batalhas das Guerras de Independência da Escócia, entre o fim do século 13 e século 14, desdobraram-se sob o testemunho das muralhas dessa fortaleza. Foi o caso da Batalha de Stirling, em 1297, quando Wallace derrotou o Exército inglês em sua travessia pelo Rio Forth. Também em 1314, as tropas de Robert, o Bruce, desbarataram as forças inglesas. Ao longo de 50 anos de conflito entre ingleses e escoceses, o castelo mudou de comando 50 vezes. Mas os valores de Wallace seguem associados à resistência, ao espírito deste país e a alguns versos que seriam os seus preferidos: "Liberdade é a melhor de todas as coisas a ser conquistada, a verdade lhe digo então: nunca viva com os grilhões da escravidão, meu filho".

 

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