Conheça a cidade dos mosteiros suspensos

"Em decorrência de sua localização única, os mosteiros de Meteora transformaram-se ao longo da história em símbolo da resistência"

por Bertha Maakaroun 20/12/2016 07:12
Reprodução de intwernet
24 mosteiros foram elevados sobre as %u201Ccolunas do céu%u201D entre os séculos 14 e 15 (foto: Reprodução de intwernet)

Dependuram-se sobre sinuosas rochas areníticas, desafiando respeitáveis precipícios. Do cimo erguem-se, como ninhos de aves selvagens, abrindo espetaculares paisagens da planície da Tessália, região Central da Grécia. “Suspensos no ar” – tradução do grego para “Meteora” –, 24 mosteiros foram elevados sobre as “colunas do céu” entre os séculos 14 e 15, em situações de extrema dificuldade. Constituem, senão o mais importante complexo de monastérios do país – pois há Monte Athos –, o mais impressionante e belo conjunto de templos, patrimônio cultural e natural da humanidade.


Também conhecida como a cidade de pedra sagrada, a ocupação por monges dos pináculos de Meteora, – formações que datam de 60 milhões de ano – iniciou-se possivelmente por volta do século 11. Anacoretas, que são cristãos eremitas, numa vida de recolhimento espiritual e completa recusa dos sentidos, se encerravam em cavernas ou celas escavadas no alto dos rochedos, mais “próximos do céu”. Reuniam-se aos domingos e em dias festivos na capela Santa Maria da Fonte, encravada ao sopé de um dos rochedos.


Não apenas o estilo de vida monástico, mas, sobretudo, a busca por refúgio à ocupação turco-otomana que se estenderia por 400 anos, empurrou para Meteora, em meados do século 14, o beato Anasthasios. Expulso de Monte Athos e seguido por monges fiéis, Anasthasios fundou, em estilo bizantino, entre 1356 e 1372, o Megalo Meteoron, ou Mosteiro da Transfiguração. No topo de um penhasco de 600 metros de altitude, conhecido por “rocha grande”, o regime estabelecido nessa comunidade constituiu o marco inicial de organização da vida monástica em Meteora. Megalo Meteoron mantém hoje relíquias do fundador e importantes afrescos que descrevem as perseguições sofridas por cristãos naquele período da invasão turca.


Fortalezas inexpugnáveis, por serem de difícil acesso – a única forma de ascender era por meio de içamento em cordas e redes ou por meio de escadas móveis –, a região atingiu o seu esplendor quando da ocupação turca, no século 15, quando já haviam sido erigidos 24 monastérios no cume dos penhascos, o refúgio ideal.


Em decorrência de sua localização única, os mosteiros de Meteora transformaram-se ao longo da história em símbolo da resistência. Se, nos primeiros séculos da ocupação turca, os monastérios pagavam os impostos exigidos, em 1609 foi registrada a primeira revolta, que teve como resposta a destruição de vários templos e o assassinato de monges. Novo movimento comandado pelo padre Efthimios Vlajavas no século 19, transformou o monastério de São Demétrio em quartel-general dos rebeldes. Durante a Segunda Guerra Mundial, muitos dos templos também foram destruídos por tropas alemãs, porque a resistência grega neles se refugiou.


Atualmente, apenas seis dessas incríveis construções no topo dos penhascos, entre as vilas gregas de Kalampaka e Kastraki, permanecem habitadas. Muitas delas estão em ruínas e abandonadas. Mas essas que sobrevivem reinam absolutas e belas sobre os verdes vales da Tessália.

 

 



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