Conheça o Ninho da Águia, o recanto alpino de Hitler

No interior da casa de campo, a Berghof, onde hoje funciona um restaurante, chama a atenção a lareira em mármore de carrara, presente de Benito Mussolini"

por Bertha Maakaroun 29/11/2016 07:12

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Bertha Maakaroun/EM/D.A Press
Visitante tem perspectivas panorâmicas da região num raio de 200 quilômetros (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A Press)




Ao topo da montanha de Kehlstein, a 1.834 metros de altitude, a casa de campo presenteada a Adolph Hitler, em 1939, por ocasião de seu aniversário de 50 anos, desafia os picos alpinos de Obersalzberg, na Bavária, ao Sul da Alemanha, fronteira com a Áustria. Paisagens magníficas se abrem como sinfonias que chegam da terra de Mozart, Salzburg, distante apenas 25 quilômetros. A brisa embala em soneto panorâmicas de brutal contraste. São cumes que ora se elevam a mais de 2 mil metros e subitamente se afundam em florestas; ora se encerram no plácido lago Königssee; ora despencam em planícies que aprisionam vilarejos, como o cândido Berchtesgaden.

Apaixonado pela região, havia sido ali, ao sopé dessa montanha, que o mentor da superioridade da raça ariana primeiro se estabelecera, depois de deixar a prisão que se seguiu à tentativa frustrada do Putsch da Cervejaria de Munique, em 1923. Num chalé alugado, o Haus Wachenfeld, Hitler produziu o segundo volume de Mein Kampf, compêndio da doutrina nazista. Publicado em 1926, apregoa a ideologia pangermânica da conquista do “espaço vital”, que arrastou o mundo à Segunda Guerra Mundial.

Nenhum cenário europeu seria mais majestoso para ser oferecido como presente ao führer por seu secretário particular Martin Bormann, naquele 20 de abril de 1939. A Áustria já fora unificada à Alemanha, constituindo o chamado Anschluss. Em 12 de março de 1938, as tropas nazistas haviam sido saudadas em Viena por uma multidão de simpatizantes atenta ao discurso triunfal do líder proferido na Heldenplatz, a Praça dos Heróis. Meses depois, o Acordo de Munique, arrancado das duas hesitantes potências europeias – França e Inglaterra – dava à Alemanha os Sudetos da Tchecoslováquia.

Em 10 de março de 1939, Hitler invadiu Praga e o resto da Tchecoslováquia, de olho no corredor polonês, por onde corria a parte inferior do Rio Vísstula, cedido pela Alemanha no Tratado de Versalhes depois da sua derrota na Primeira Guerra Mundial. Em 1º de setembro de 1939, ocupou a Polônia.

Apelidada de “Ninho da Águia”, a casa de campo de Hitler escapou ilesa ao bombardeio das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. A sua construção constituiu esforço hercúleo de engenharia. Entre maio de 1937 e outubro de 1938, em condições climáticas das mais adversas, 3 mil trabalhadores rasgaram 6,5 quilômetros de montanhas e operaram na perfuração de cinco túneis para garantir o acesso até a base do pico da Kehlstein, a 1.700 metros de altitude, por essa que é hoje a estrada mais alta da Alemanha.

Ao sopé do “ninho”, um túnel de 126 metros de profundidade, recoberto com pedras naturais, conduz a um suntuoso elevador dourado. Com sistema de aquecimento, teto em mármore e assentos em couro verde, os anfitriões nazistas ofereciam conforto aos hóspedes ao longo dos 124 metros até o cume. No interior da casa de campo, a Berghof, onde hoje funciona um restaurante, chama a atenção a lareira em mármore de carrara, presente de Benito Mussolini.

Aberto à visitação pública e preservado em seu estado original, o Ninho da Águia abre, em dias claros, perspectivas panorâmicas da região num raio de 200 quilômetros. O acesso ao topo se dá por ônibus, que parte de Obersalzberg, ou por trekking, com duração de cerca de duas horas e meia pelas montanhas alpinas.

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