Conheça a Jordânia de Lawrence da Arábia

por Bertha Maakaroun 01/11/2016 20:30

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Bertha Maakaroun/EM/D.A Press
O deserto Wadi Rum assume tonalidades do rosa ao vermelho, ao sabor da luz, e paisagens que carregam o testemunho de 12 mil anos de ocupação humana (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A Press)
As espetaculares montanhas de arenito rosa se afunilam até se trancar naquele que os beduínos batizaram de o Siq de Lawrence da Arábia. Esculpida numa das rochas está a imagem do inglês, que se infiltrou entre beduínos, tornando-se, naquela Revolta Árabe de 1916, a ligação entre as tribos rivais rebeldes e o Exército britânico. Entalhados nos montes rochosos estão também Auda Abu Tayi, beduíno chefe dos howeitas, e o Sharif de Meca Hussein, da dinastia Hachemita. Trio do movimento insurgente, o inimigo comum daqueles árabes e ingleses na Primeira Guerra Mundial era o Império Turco-Otomano. O turista se depara em Wadi Rum, o Vale da Lua, em tradução livre árabe, com as marcas de Lawrence da Arábia por um oceano de areia, rochas e formações estranhas, testemunhas de um fato histórico que se tornou lenda e filme: a conquista de Aqaba pelo deserto de Nefud, onde as dunas se abrem ao Mar Vermelho, único porto da Jordânia. A amarga travessia dos árabes revoltosos pelas dunas é contada por Lawrence na obra Os sete pilares da sabedoria (no original, The seven pillars of Wisdom), título inspirado na formação rochosa de Wadi Rum, perdida entre outras milhares que emergem, colorem e submergem nas areias panorâmicas dos 720 quilômetros quadrados de área protegida ao Sul da Jordânia. Este cenário foi escolhido para integrar o blog 1001lugarespraseviver.com, de destinos espetaculares.

Bertha Maakaroun/EM/D.A Press
Esculpida numa das rochas está a imagem do inglês Lawrence da Arábia, que foi elo entre tribos rivais durante a Revolta Árabe contra o Império Turco-Otomano, na Primeira Guerra Mundial (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A Press)
O inglês Lawrence da Arábia sela, na obra que inspirou o filme Os sete pilares da sabedoria (no original, The seven pillars of wisdom, a confissão de amor ao deserto Wadi Rum. “Adentramos a avenida do vale, ainda espetacular sob as cores do pôr do sol: penhascos tão vermelhos quanto as nuvens a Oeste; como estas, em escala gradiente erguendo-se ao céu. De novo, sentimos como o vale inibia a nossa excitação por sua beleza serena. A grandiosidade desse entorno nos encolhia. Arrancava o manto da efusiva alegria com o qual a nossa trupe havia percorrido o acampamento …”

Tons de rosa, vermelho, amarelo e bege. Do amanhecer ao entardecer, são cores cambiantes, que brincam com a luminosidade e premiam o olhar daqueles que se deixam levar pela mansidão do dia. Na cumplicidade da comunhão entre areia, rochas e o vento, incansável escultor em labirintos de montanhas, pontes de pedra e cânions, Wadi Rum exibe paisagens vastas e silenciosas, que carregam o testemunho de 12 mil anos de ocupação humana.

São 25 mil petróglifos e 20 mil inscrições, principalmente tamúdicas (a mais antiga escrita arábica), mas também registros dos nabateus e, mais tarde, adeptos do islã e em árabe, que tornam a região o mais cênico livro a céu aberto: detalham a evolução das civilizações que passaram pela Península Arábica, constituindo um dos motivos pelos quais Wadi Rum integra a lista da Unesco de Patrimônio da Humanidade.

A transição do Paleolítico para o Neolítico está retratada nos petróglifos, desenhos de animais como camelos, íbex e cavalos, e figuras humanas agarradas a ossos e a flechas. É o legado à humanidade de como as civilizações evoluíram de nômades para assentamentos permanentes do Crescente Fértil, baseados na agricultura e no comércio.

Bertha Maakaroun/EM/D.A Press
Turistas podem conhecer toda a extensão do terreno sobre o lombo de camelos ou de mulas (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A Press)
ESCALADA Para além do registro da presença humana naquela região, as estranhas formas do belo deserto colorido foram esculpidas pelo mar, há milhões de anos. Na fronteira com a Arábia Saudita está o pico mais alto da Jordânia, Jabal Um ad Adami, com 1.854 metros. Uma trilha beduína é o convite à escalada de aproximadamente duas horas, que abrirá a paisagem espetacular de vales, dunas, formas em pedra e o olhar a se perder nas montanhas pretas da Arábia Saudita e no azul profundo do golfo de Aqaba, por onde os rebeldes árabes alcançaram por detrás os canhões turcos, voltados para Gaza, do outro lado do Mar Vermelho, de onde esperavam o ataque inglês.

Foi particularmente com o épico Lawrence da Arábia, de 1962, dirigido por David Lean, que o deserto rosa foi divulgado ao mundo. Anthony Quinn na pele de Auda Abu Tayi, líder beduíno chefe dos Howeita, Sherif Ali ibn el Kharish (Xerife Husseim), de Meca, da dinastia Hashemita, interpretado por Omar Sharif, e o próprio Lawrence, estrelado por Peter O'Toole, se unem para conquistar Aqaba e lideram a Revolta Árabe contra os turcos. A derrocada otomana na região só foi possível pela tática levada pelo inglês aos árabes de ataques terroristas aos trens na única ferrovia que alimentava a região, a Hejaz Railway. A ferrovia foi presente dos alemães aos turcos, numa tentativa de seduzi-los para aliança na Primeira Guerra Mundial.

Serviço

Como chegar na Jordânia: Não há voos diretos do Brasil. O turista precisará optar por uma companhia aérea internacional europeia (Air France/Lufthansa, Iberia, British) ou asiática (Emirates, Qatar) para alcançar o destino, com escala.

Exigências para entrar na Jordânia: É necessário visto para entrar no país. O Brasil está no grupo de países da América do Sul em que o visto pode ser obtido no próprio Aeroporto Internacional de Amã Queen Alia, ao preço de US$ 56 para uma única entrada, válido por um mês.

Melhor época do ano para a viagem: A Jordânia está localizada em zona de transição entre o clima mediterrâneo, a Oeste, e o severo clima desértico, ao Sul e a Leste. Durante o período da primavera, de março a maio, ou durante o outono, de setembro a novembro, as temperaturas são mais amenas e oscilam entre 25°C e 30°C. Durante o verão, de junho a agosto, as temperaturas ultrapassam 40°C, o que pode trazer dificuldades adicionais para visitar os principais sítios – Petra e o deserto de Wadi Rum.

Governo: Monarquia Constitucional Unitária Parlamentar

Moeda: Dinar jordaniano (JOD). Um dinar jordaniano vale aproximadamente US$ 1,4

Língua: Árabe

Site oficial para o turista: www.tourism.jo

Principais pontos turísticos na Jordânia: Petra e Deserto de Wadi Rum

Vale também visitar na Jordânia: Jerash; Pella; Mar Morto; Aqaba (Mar Vermelho); Monte Nebo e Amã (cidadela)

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE TURISMO