De bairros de resistência à prisão de Mandela, Cidade do Cabo mantém memória do apartheid

Por causa do regime de segregação racial, Nelson Mandela ficou preso mais de duas décadas na Robeen Island

por Renan Damasceno 18/10/2016 21:00

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AFP PHOTO / ANNA ZIEMINSKI
Nelson Mandela em visita à Cidade do Cabo em 2003 (foto: AFP PHOTO / ANNA ZIEMINSKI )

Muito além dos passeios nos modernos complexos de restaurantes e lojas de Waterfront ou do luxo “meio-Mediterrâneo, meio-Copacabana” de Clifton ou Bantry Bay, a Cidade do Cabo preserva a memória de um dos regimes de segregação mais severos do século passado, o apartheid. Embora Nelson Mandela, líder maior de resistência, tenha nascido em Mvezo, no Cabo Oriental, foi na Cidade do Cabo que ele passou os anos mais difíceis, ao ser condenado à prisão perpétua na Robeen Island, a 25 minutos de barco, saindo de Waterfront. Também foi na cidade que Mandela fez seu primeiro discurso público, depois de 27 anos de prisão, em 11 de fevereiro de 1990, em um dos balcões do prédio da Prefeitura.

O apartheid foi um regime de segregação racial vigente na África do Sul até 1994. Embora suas origens remontem ao início do domínio europeu na África, o regime virou lei em 1948 e se baseava em três pilares: a lei de classificação da raça; a lei de casamentos mistos, que proibia casamento entre pessoas de raças diferentes; e a lei de áreas de grupos, que obrigava pessoas de raça “não-europeia” a viver em áreas pré-determinadas.

O principal opositor do regime era o Congresso Nacional Africano (CNA), que teve Nelson Mandela, filiado em 1942, como seu principal expoente. Mandiba foi preso entre 1956-1961 e, em 1964, foi condenado à prisão perpétua. Diante de sanções e protestos, foi solto em fevereiro de 1990 e, quatro anos depois, assumiu a presidência do país. Morreu em 2012, aos 95 anos, de complicação de uma infecção pulmonar.

MUSEU Vários bairros ainda guardam a lembrança de um passado não muito distante. O District Six era uma área vibrante e multirracial, próxima ao Centro, que foi epicentro das desocupações por causa do apartheid. Em 11 de fevereiro de 1966, a região foi declarada “área branca”, e mais de 60 mil pessoas tiveram de deixar o bairro até 1982. A vida em comunidade acabou. No bairro, hoje funciona o District Six Museum. Muitos negros foram levados para bairros distantes, chamados townships, como Langa e Khayelitsha.


O QUE VISITAR

Renan Damasceno/EM/DA Press
Robeen Island serviu de prisão a Nelson Mandela por mais de duas décadas (foto: Renan Damasceno/EM/DA Press )


» ROBEEN ISLAND
– A ilha que serviu de prisão para Nelson Mandela durante o apartheid. A visita dura cerca de quatro horas (ida e volta de barco, saindo de Waterfront, mais o tempo de permanência).
O ingresso custa: R 200 (cerca de R$ 50). Informações:
robben-island.org.za.

» DISTRICT SIX MUSEUM
– Aberto de segunda a sábado, das 9h às 16h.
Ingressos: R 45 (R$ 15 visita guiada, adulto).
Site: districtsix.co.za.

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Prédio da prefeitura onde Mandela fez seu primeiro discurso depois de deixar a prisão (foto: Renan Damasceno/EM/DA Press )

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