Roteiro em Manaus inclui botos, jacarés e muita floresta no caminho

Observar os animais em seu hábitat é fantástico e uma experiência que fica na memória

por Francelle Marzano 13/07/2016 08:00
Francelle Marzano
Turistas são constantemente surpreendidos pelos macacos-de-cheiro que sobem na lancha em busca de alimentos (foto: Francelle Marzano)

A primeira parada do navio ocorre a 85 quilômetros de Manaus. Os passageiros embarcam em lanchas e vão até a região dos igarapés, onde há cursos estreitos d'água para uma caminhada por trilhas da região. O guia leva o grupo mata a dentro para observação da vegetação com palmeiras, árvores, plantas medicinais e animais que são importantes para os povoados locais, como a Vila do Jaraqui, onde vivem cerca de 40 famílias. É de lá que a maioria dos indígenas que vivem na região tira seu sustento, assim como os remédios para as doenças que acometem a população das tribos.

Segundo o guia Edson Piro, ali é possível encontrar cura para diversas enfermidades como sinusite, osteoporose, reumatismo, malária, febre amarela e anestésicos. Piro afirma que as plantas são poderosos remédios. “É aqui que muitos laboratórios encontram a base para muitos remédios e cosméticos. O cipó-curare, por exemplo, é conhecido como o primeiro anestésico do mundo e até hoje é utilizado por alguns laboratórios com misturas químicas”, diz. Piro lembra ainda do breu-branco, que cura sinusite; carapanaúba para malária e febre amarela e afirma: “É importante tomar cuidado como cipó-da-bota, que pode causar até aborto.” O passeio pela mata leva cerca de uma hora. É recomendado ao turista passar repelente e estar vestido com calça e blusa de mangas compridas para evitar a picada de insetos.

Na mesma região, é feito também o passeio pelas ilhas da região de Três Bocas, que fazem parte do segundo maior arquipélago fluvial de água doce do mundo, o Parque Nacional de Anavilhanas. É nessa hora que você aprecia o voo das araras, dos tucanos, observa o bicho preguiça, cobras, sapos, macacos, jararaca e, se der sorte, encontra algum filhote de jacaré. O guia afirma que é importante que o grupo fale baixo e evite muitos barulhos para não assustar os animais. Algumas vezes, é possível que a volta para o navio se dê à noite, mas não precisa ter medo. A lembrança que você terá desse passeio é uma vista maravilhosa associada ao som único da floresta.

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Vegetação é densa e encantadora. Em alguns trechos, Igapós podem agarrar no motor da lancha, dando mais emoção ao passeio (foto: Francelle Marzano)

As aventuras pela Amazônia não param. Você consegue rir, ter medo e se divertir ao mesmo tempo, dependendo da situação. Você pode pescar falando, porque as piranhas são atraídas pelo barulho, você se depara com um macaco-de-cheiro dentro da lancha e, se não tiver medo, ainda pode pegar um jacaré. “O único cuidado que você precisar ter, é para não se engravidar do boto rosa”, brincam os manauras. Reza a lenda, muito conhecida na Amazônia, que o boto sai do rio nas noites de lua cheia e se transforma em um lindo homem, vestido de roupa branca, que seduz e engravida as jovens. Apesar da história, na prática, a única coisa que o boto sempre quer ao se encontrar com o turista, seja ele homem ou mulher, é seu peixe, que vira comida em menos de segundos. O mergulho com o boto é outra lembrança que não sai da memória. Eles passam muito perto dos turistas que entram na água na expectativa de tocar e tirar uma foto com o animal. Mansos, eles nadam bem próximo e chegam a tocar suas caudas pesadas no corpo dos que estão na água.

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No passeio pela floresta, o guia manauara Edson Piro ensina sobre os usos medicinais das plantas (foto: Francelle Marzano)
Igapós Antes de chegar aos botos, no entanto, o passeio costuma ser longo entre os igapós (vegetação que sobrevive inundada na água do rio). Em alguns locais, pode ser que a hélice do motor da lancha se enrosque em alguma planta. Daí, o guia geralmente entra na água para resolver o problema. O visual do passeio é incrível e parece ter sido milimetricamente desenhado. Algumas árvores são muito altas e chegam a formar um corredor onde é difícil passar mais de um barco. Sobre elas, é possível avistar aves como araras, tucanos, gaviões, e também bichos-preguiça e macacos-de-cheiro. Esses, por sinal, são os mais atrevidos de todo o passeio. Basta que se encoste a lancha na beira das árvores para que os micos pulem, sem nenhum pudor, dentro da embarcação em busca de bananas, que geralmente são levadas pelos guias. Apesar de atrevidos, eles não fazem nada no barco além de buscar comida. Eles são muito ágeis, pulam no colo, nos ombros e o turista pode ficar tranquilo que não vai levar nenhuma mordida ou coisa assim.

Medo mesmo você pode sentir quando sair à noite para a caçada de jacarés. Mas fique tranquilo: todos os passeios são seguros e você não deve deixar de ir, mesmo se tiver pânico de escuridão. Geralmente, as lanchas saem acompanhadas por dois guias do navio. Eles procuram os filhotes de jacaré com a ajuda de uma lanterna. Os olhos deles refletem nas luzes e assim eles conseguem facilmente capturar os filhotes, mostram aos turistas que, se tiver coragem pode segurar para tirar uma foto ou guardar a experiência, e depois eles os devolvem à água.

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Conhecer melhor as joias amazonas é passeio imperdível para quem faz esse roteiro (foto: Francelle Marzano)

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