Caruaru disputa com Campina Grande o título de maior são-joão do mundo

Curta os desfiles de comidas gigantes e shows como de Elba Ramalho

por Márcia Delgado 15/06/2016 08:00

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Luís Xavier de França/Esp. CB/D.A Press
A quadrilha, com roupas e danças típicas, é um dos pontos altos da festa junina em várias partes do país (foto: Luís Xavier de França/Esp. CB/D.A Press)

Tudo começou em 1972 na Rua São Roque, no Centro de Caruaru. O odontólogo Agripino Pereira decidiu organizar uma festa junina familiar. Ele gostava de cuidar de cada detalhe mas, depois, por motivos pessoais e profissionais, deixou a missão para as irmãs. Até que, em 1993, a prefeitura decidiu assumir a festa, hoje transformada no “maior e melhor são-joão do mundo” (título também reivindicado por Campina Grande). Por quase 30 dias, a cidade pernambucana se transforma na capital do forró e atrai 1,5 milhão de pessoas de todos os cantos do país e do mundo.

Marque no seu calendário: até 29 de junho é o período programado para a alegria explodir em Caruaru. O palco central das atrações é o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, ou Pátio do Forró. É lá que Elba Ramalho e Flávio José, um cantor de forró típico nordestino, vão abrir o são-joão. Elba vai participar da abertura pelo nono ano consecutivo. Ao Estado de Minas, ela traduz a sua emoção, renovada a cada apresentação em Caruaru. “É uma grande honra e uma grande responsabilidade também”, diz a cantora paraibana, que prepara surpresas para o público. “Asseguro que é uma grande produção”, ressalta.

Entre os diferenciais da festa junina, um calendário de comidas gigantes produzidas em vários bairros, com direito a desfile pelas ruas. Pensa que é só se fartar com essa delícia? Quem acompanhar o cortejo pode se divertir com shows musicais e trios elétricos de forró pé de serra. A multidão que segue o cuscuz gigante chega a quase 100 mil pessoas. A programação começou em 28 de maio e vai até 29 de junho.

Guarde a lembrança Imortalizada na voz de Gonzagão, a Feira de Caruaru é visita obrigatória para quem for se divertir no são-joão da cidade do agreste pernambucano. Surgiu com o município e está instalada no Parque 18 de Maio. São 40 mil metros quadrados, onde a feira é dividida em três espaços distintos. O que mais chama a atenção é o espaço de artesanato. Lá, o visitante vai encontrar peças artesanais produzidas por artistas locais com barro, madeira, metal, palha, coco, cordas, couro, rede, bordados, lã, latas, entre outros. Não esqueça: o horário de funcionamento é das 8h às 17h.

Roberto Franca/Agência Enfoco
Banda de Pífanos no Alto do Mourão, em Caruaru: diversão completa para quem visita a cidade nesta época do ano (foto: Roberto Franca/Agência Enfoco)

O outro espaço é a Feira da Sulanca. Também muito procurada pelas confecções com bons preços para revenda. São mais de 10 mil barracas que atendem por dia, em média, mais de 40 mil pessoas, com faturamento de R$ 1 milhão. Mas atenção: o espaço só abre às terças-feiras, a partir das 5h.

A Feira Livre integra o complexo que movimenta a economia da cidade. A diversidade de produtos seduz qualquer visitante. Lá, é possível encontrar de panelas a calçados, raízes, ervas e roupas. Tem ainda a Feira do Troca-troca, onde não se usa dinheiro. Aves são trocados por discos, relógios por rádios, bicicletas por animais, e assim por diante.

“A Feira de Caruaru, faz gosto a gente vê. De tudo que há no mundo/Nela tem pra vendê. Na feira de Caruaru/Tem massa de mandioca, batata assada, tem ovo cru, banana, laranja, manga, batata, doce, queijo e caju, cenoura, jabuticaba, guiné, galinha, pato e peru/Tem bode, carneiro, porco/Se duvidá... inté cururu...”, cantou o rei do baião. Duvida? É só ir lá para ver.

Não deixe também de conhecer o Bairro Alto do Moura. Fica a sete quilômetros do Centro de Caruaru e concentra diversos ateliês de ceramistas, museus, bares, restaurantes, pousadas, grupos musicais e de danças regionais. Tudo começou com Mestre Vitalino (1909-1963), que ainda criança, numa brincadeira pueril, criou peças como boizinhos e cavalinhos de argila. Seu pai trabalhava na roça e a mãe o ajudava. Era também artesã louceira.

O menino cresceu, prosseguiu com a arte e, adulto, casou-se com Joana Maria da Conceição. Era católico devoto de Padre Cícero. Com Joaninha, teve seis filhos, dos quais cinco continuaram com o ofício do pai e um dos cinco – Severino Vitalino – ainda hoje pode ser encontrado reproduzindo as peças do pai na Casa-Museu Mestre Vitalino.

Onde se hospedar

» Pousada Lengotengo
(Alto do Moura)
(81) 3722-1803

» Caruaru Park Hotel
(81) 3722-9191

» Hotel Village Premium Caruaru
(81) 3722-5544

Festas pelo país

Fogueiras, mastros, quadrilhas, decoração com bandeirinhas e música – embalada pelo ritmo do forró – compõem o quadro de uma autêntica festa junina, mas há diferenças. O modelo tradicional, herdeiro do Nordeste, recebe boas doses de tempero local – referências folclóricas, inclusive.

Nas quadrilhas, a regionalização fica clara. Também chamadas de matulas, começaram como danças populares na França. Os personagens (noivos, pai da noiva, padre, sacristão, juiz e delegado) são outra adaptação brasileira. Eles encenam o casamento matuto, cuja comemoração é a quadrilha. A história é representada com bastante humor e os participantes capricham no sotaque caipira. Em alguns estados, outras danças movimentam o arraial. Veja quais:

Embalo nordestino
Na Região Nordeste, o são-joão é celebrado em sítios, paróquias, nos arraiais e nos espaços públicos das cidades. Duas delas se destacam. Em Caruaru (PE), a festa começou em 4 de junho. Dezenas de carros alegóricos desfilam pelas ruas. Também há carroças ornamentadas, cortejo de bacamarteiros (grupo que carrega armas de fogo antigas), encenações de casamentos matutos, performances de bandas de pífano e de grupos folclóricos. Em Campina Grande, milhares de pessoas se divertem no Forródromo. O local recebe apresentações do tradicional forró pé de serra, de cantores e até desfiles de jegues. O tom das quadrilhas é tradicional, dado pelos casamentos matutos.

Entre caipiras

Originadas na roça, as festas de hoje também ocupam escolas e clubes nos centros urbanos. As quadrilhas são tradicionais, exceto no estado de São Paulo, onde há rodeios e festas de peão boiadeiro. Em outros estados, como Minas Gerais, a comemoração é tradicional e os trajes imitam o caipira típico, com chapéu de palha, camisa xadrez e calça remendada. As mulheres usam vestidos coloridos e volumosos.

Tradição sulista

As festas do Sul proporcionam um tour pela cultura regional. Alguns participantes usam trajes caipiras, outros investem em roupas tradicionais gaúchas. Os homens usam trajes de peão; as mulheres, roupas de prenda (vestidos volumosos). Em Santa Catarina e no Paraná, há apresentações de quadrilhas, com o tradicional casamento na roça, e grandes fogueiras. A dança das fitas, ao redor de um mastro, faz sucesso na região.

Espetáculo do Norte

A criação de bovinos, introduzida por Portugal nas cidades de Belém (PA), Parintins (AM) e Manaus (AM) resultou no boi-bumbá, também conhecido como bumba meu boi, dançado em homenagem aos santos em junho e outras datas do ano. Os grupos mais famosos disputam o título de campeão no Bumbódromo de Parintins, entre 28 e 30 de junho. A história encenada durante as apresentações é sobre um boi de estimação que perde a língua por desejo de uma mulher grávida, mas precisa voltar à vida para agradar a seu dono. Um pajé faz o animal voltar a viver, para a alegria do elenco. Todos cantam e dançam ao redor de um boi cenográfico, ornado com flores e fitas coloridas, e conduzido pelo tripa, que dança embaixo do animal.

Influências da fronteira


» Países vizinhos, como o Paraguai, contribuem com elementos culturais nas festas juninas da região. A polca paraguaia é dança famosa em cidades da fronteira. Em Mato Grosso, o Festival de Quadrilha do Araguaia ocorre há 15 anos. A competição é uma das mais esperadas na cidade. Os trajes são bem elaborados e os grupos capricham na sincronia. No estado de Goiás, a música sertaneja embala os participantes.

Baixa temporada

» O Ministério do Turismo (MTur) pretende fazer do são-joão um produto turístico nacional e agitar a baixa temporada, que não tem um fluxo de turistas tão expressivo quanto o verão. A meta é atrair estrangeiros e estimular brasileiros a participar da festa nos meses de junho e julho. “Queremos expandir a imagem do Brasil para além do carnaval e reduzir a sazonalidade do turismo”, indica a coordenadora de Posicionamento de Produtos do MTur, Fabiana Oliveira. Valorizar a cultura nacional é um dos objetivos. “A ideia do são-joão é mais forte no Nordeste, talvez por causa do sertão”, sugere Oliveira. No Norte do país, o boi-bumbá e o folclore de maneira geral são os grandes homenageados. No Sul, as festas e trajes tradicionais dos gaúchos são os pontos marcantes, afirma a coordenadora.

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