Ilha de Boipeba, na Bahia, reserva praias selvagens e intocadas

Não é difícil ser o único na areia. Mar de água quente e transparente, e barreiras de corais formando belas piscinas completam esse cenário

por Carolina Cotta 08/06/2016 08:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Carolina Cotta/EM/D.A PRESS
Ponta de Castelhanos, o principal destaque de Boipeba: acesso só de barco ou trilha com guias locais (foto: Carolina Cotta/EM/D.A PRESS)
Difícil afirmar se são as praias mais bonitas da Bahia, mas só porque a Bahia tem praias que não merecem ser esquecidas. No quesito piscinas naturais, entretanto, não há dúvidas. E “não sobra para ninguém”. A Costa do Dendê reúne algumas das mais famosas – como as de Taipu de Fora, Garapuá e Moreré (foto) – e ainda tem piscinas de tirar o fôlego, conhecidas por poucos, talvez por serem as preferidas do povo local.

Na Ilha de Boipeba, onde todo mundo quer negociar uma embarcação para chegar às piscinas de Moreré, os barqueiros são enfáticos em dizer: “As de Castelhanos e as de Bainema são ainda mais bonitas”. Quem vai discutir com quem tem o privilégio de aproveitar esses maravilhosos fenômenos da maré baixa com frequência? E a gente, que já está achando tudo lindo, logo começa a planejar como chegar ao “paraíso”. Nem sempre é fácil. Ainda bem.

Castelhanos só pode ser acessada de barco ou por trilha, com guias locais. Nada nesses lugares é 100% “por terra”: é preciso contar com uma canoa para atravessar o mangue. Vale o sacrifício. Os peixinhos chegam para nadar no rasinho, em águas verdes cristalinas. Na praia, um nativo faz “caipis” deliciosas em uma tapera de palha. Esqueça o limão. A graça aqui são as frutas locais e da estação. Cajá, mangaba, mangustão e uma mistura curiosa: biribiri, iguaria da culinária baiana, com o cacau aberto na frente do freguês.

Carolina Cotta/EM/D.A PRESS
Piscinas naturais de Moreré se formam com a maré baixa, encantando os turistas (foto: Carolina Cotta/EM/D.A PRESS)
Mas não é preciso muito esforço para desfrutar outras piscinas baianas. A de Taipu de Fora, por exemplo, em Barra Grande, principal destino da Península de Maraú, faz um semicírculo de um azul estonteante na “beiradinha” da praia. Dá para ver o vaivém de turistas com snorkel e máscara em direção aos corais, tudo isso com fácil acesso. Ali, só não “pega” piscina quem desconhece a maré. E isso é fácil de aprender. Vamos até ensinar.

Da foz do Rio Jaguaripe à Baía de Camamu, a Costa do Dendê é um mosaico de praias, baías, manguezais, costões rochosos, restingas, nascentes, lagoas, rios, cachoeiras e estuários. Seus 115 quilômetros de litoral abrangem as localidades de Valença, Morro de São Paulo, Boipeba, Igrapiúna, Cairu, Camamu, Taperoá, Nilo Peçanha, Ituberá e Maraú. A primeira é um dos pontos de chegada e partida mais inteligentes, principalmente para os mineiros, pois desfrutam de um voo direto desde BH. Valença é mais ponto de chegada que uma atração em si, embora sua praia mais próxima, a de Guaibim, seja reduto de surfistas.

Morro é a mais badalada, e talvez por isso mesmo uma das menos interessantes. Pelo menos para quem busca a verdadeira essência deste paraíso: tranquilidade. Vá se estiver à procura de agito, lojinhas, restaurantes e muitos, muitos garçons disputando você. E se não se importar com multidões de turistas. Também é a forma mais fácil de conhecer Garapuá, uma enseada em forma de ferradura que pode ser reconhecida do avião e tem piscinas lindíssimas. Caso contrário, fique logo na Ilha de Boipeba: é lá que estão alguns dos principais “passeios” oferecidos em Morro. Se tiver mobilidade reduzida, nenhuma delas é um bom destino. Nem em Morro, nem em Boipeba circulam carros. Mas as duas ilhas, a meia hora de Valença de lancha rápida, são o oposto uma da outra. Se Morro é agito, Boipeba é pura paz.

Carolina Cotta/EM/D.A PRESS
Praia de Bainema é extremamente deserta e refúgio de quem busca tranquilidade (foto: Carolina Cotta/EM/D.A PRESS)
A vila de Boipeba, fundada pelos jesuítas há mais de 400 anos, pertence ao município de Cairu, considerada uma das cidades mais antigas do Brasil. O convento e a Igreja de Santo Antônio começaram a ser construídos em 1654. Não se espante se reconhecer no primeiro os traços dos famosos mosteiros portugueses, com suas belas paredes de azulejos. Pena que, pelo menos por aqui, nada esteja conservado. Os passeios oferecidos em Morro param na cidade por meia hora, tempo para o turista conhecer o Centro Histórico. Já em Boipeba restam poucas construções antigas, mas entre elas se destaca a Igreja do Espírito Santo, no alto do morro.

Conhecer toda a ilha só é possível combinando passeios de barco e muita caminhada. A praia da vila, Boca da Barra, concentra a maioria de barracas e restaurantes. E é por onde todo mundo chega e sai. Em uma caminhada de meia hora, por uma trilha em meio à mata virgem, é possível acessar a praia de Tassimirim, onde há piscinas e muitos corais. Mais 20 minutinhos e chega-se a Cueira, que só não é uma praia deserta com um coqueiral contíguo porque abriga um dos restaurantes mais prestigiados da região: o Guido. Lá, o dono, de mesmo nome, prepara lagostas em um fogão a lenha fincado na areia, no meio dos clientes, que o rodeiam para ver a facilidade com que abre e limpa o valorizado crustáceo. Ele sugere a lagosta na manteiga, fora da casca.

MORERÉ Mas é depois de Cueira que está a melhor parte de Boipeba: as praias, a vila e as piscinas de Moreré. O fim de tarde é marcado pela “pelada” na areia. A maré seca tanto que os barcos ficam encalhados. Vai por mim: se você não liga de comer mais de uma vez no mesmo lugar, hospede-se logo por lá. A estrutura é quase nenhuma, e talvez seja isso que faça de Moreré tão especial. Você estará no dia a dia de uma vila de pescadores onde não pega celular e às 9h da noite não há alma viva na praia (a não ser no verão, quando um forró mistura gringos, turistas e locais). Para chegar ali, só caminhando pela praia na maré baixa (porque é preciso atravessar um rio) ou pelo trator que faz a linha Moreré/Vila de Boipeba. Os passeios de barco, geralmente, vão apenas às piscinas.

Carolina Cotta/EM/D.A PRESS
Convento de Santo Antônio, em Cairu, começou a ser construído em 1654 (foto: Carolina Cotta/EM/D.A PRESS)
Quem vai caminhando gasta cerca de uma hora e meia, com calma, mas descobre, aos poucos, alguns dos trechos de praias mais lindos da ilha. Moreré é de tirar o fôlego. A praia antes da vila, a chamada Praia de Moreré, é ideal para banho. A Praia de Bainema, depois da vila, tem belas piscinas e é extremamente deserta. A preferida de alguns nativos. No caminho para lá você verá uma “infestação” de guaiamuns correndo para seus buracos. Tanto que o trecho é chamado de Trilha dos Guaiamuns. É em Bainema que começa a trilha que leva a Castelhanos, uma praia particular da família Marinho, da Rede Globo. Não saia de Boipeba sem visitar esse que é seu ponto alto.

As piscinas naturais de Moreré e a Ponta de Castelhanos fazem parte de um passeio de barco vendido em Boipeba como Volta à Ilha, quando se passa ainda na Cova da Onça, uma outra vilazinha da ilha que concentra restaurantes especializados em lagostas. Não é difícil contratar uma lancha rápida para fazer um passeio privado a esses pontos principais. Se tiver com mais pessoas, a exclusividade pode compensar o preço. No final da manhã as piscinas estarão lotadas pelos turistas que chegam de Morro para passar o dia. Nem sempre eles pegam a piscina em suas melhores condições para banho. É que por lá as agências não estão muito preocupados se a maré vai estar seca ou não. Na maré alta, essas praias são apenas praias, belíssimas, claro.

Carolina Cotta/EM/D.A PRESS
No restaurante do Guido, na Praia de Cueira, não deixe de experimentar a lagosta preparada em fogão a lenha fincado na areia (foto: Carolina Cotta/EM/D.A PRESS)

VAI DAR PISCINA?
Quer “pegar” piscina natural nas férias? Então, a primeira coisa que você precisa olhar é a tábua das mares. Caso contrário, você corre o risco de nem sequer ver as piscinas, ou de cair na lábia dos vendedores de passeios. Uma piscina natural só é uma piscina natural quando a maré está baixa, ou seca. É esse fenômeno que permite formar, mesmo em alto-mar, uma piscina cheia de peixinhos e água transparente. A intensidade do sol também será determinante para isso. Então, piscina boa, que vale a pena pagar pelo passeio, exige maré baixa e sol. Essa é a primeira lição. A segunda é: a melhor época para curtir as piscinas é nas luas nova, principalmente, e depois cheia. É nessa época que é possível pegar a maré mais baixa no início da manhã, garantindo a melhor incidência dos raios solares. No site Viaje na Viagem, Ricardo Freire dá uma verdadeira aula de como consultar a tábua das marés. Depois disso, você nunca mais irá para a praia sem conferir a ferramenta. Faz “toooooda” a diferença.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE TURISMO