Culinária, passeios por parques e baladas noturnas promovem imersão na cultura de Medellín

Há muito o que fazer na cidade colombiana. Veja dicas para curtir o dia e a noite

por Valquiria Lopes 16/03/2016 06:00

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Mergulho na cultura local em Pueblito Paisa, uma réplica de um povoado típico Antioquenho, localizado no Cerro Nutibara, o maior parque natural em perímetro urbano de Medellín (foto: Valquiria Lopes/EM/D.A.Press )

Se tem algo interessante para se fazer em Medellín é se envolver com os hábitos e o modo de vida do povo colombiano. Comece pelas comidas típicas, com forte inspiração dos povos indígenas que habitavam aquela região da América Latina, onde hoje se encontra o país, e também dos espanhóis, que começaram a explorar o local em meados do século 16. Em Medellín e em outras cidades colombianas, essas marcas dos colonizadores são visíveis nos restaurantes.

O prato mais conhecido é a bandeja paisa, que, pelo exagero de comida, ultrapassa os limites de um prato. Os ingredientes que compõem a receita são fartos e variados e incluem arroz, feijão, linguiça, chouriço, tomate, ovos e abacate. A fruta, por sinal, está em quase todas as comidas típicas colombianas. No ajiaco, uma espécie de sopa característica dos países latino-americanos, o abacate também figura entre diferentes tipos de batata, milho, frango e alcaparras. Também muito comuns na Colômbia são as arepas. Conhecidas como tortilhas, são feitas com massa de pão feito com milho moído ou com farinha de milho pré-cozido, têm formato circular e são achatadas. A arepa é consumida normalmente com queijo, manteiga ou outro recheio, cortada ao meio, como fazemos com o pão francês.
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Bandeja paisa é um dos pratos típicos mais famosos e leva esse nome por extrapolar os limites de um prato normal (foto: Valquiria Lopes/EM/D.A.Press )

Quem não gosta de arriscar também tem muitas opções de restaurantes de gastronomia internacional, com excelentes pratos de pescados, carnes e massas. Outro mergulho na cultura local é a visita ao Pueblito Paisa, uma réplica de um povoado típico antioquenho, localizado no Cerro Nutibara, o maior parque natural em perímetro urbano de Medellín. O contorno da pequena Praça do Pueblito Paisa é decorado com os edifícios tradicionais da cidade, como a igreja, a farmácia, a escola e a prefeitura. Os imóveis de varandas largas oferecem uma vista espetacular de Medellín. No Cerro Nutibara também está o Museu da Cidade, que, entre o acervo de imagens, conta ainda com uma grande maquete da cidade. O lugar é acessível de carro em um trajeto pavimentado e o caminho é rodeado por uma natureza exuberante.
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Sistema metrocable foi implantado para facilitar o acesso da população que vive nos morros de Medellín (foto: Valquiria Lopes/EM/D.A.Press )

As visitas podem ser durante o dia e também à noite. Quem for visitar Medellín e tiver tempo disponível deve conferir ainda a beleza natural do Parque Arví. A reserva natural abriga cachoeiras, córregos, trilhas e espaços para piqueniques e tem infraestrutura de arvorismo. O percurso feito de metrocable para se chegar ao Arví, já vale o passeio. O meio de transporte urbano similar a um teleférico é integrado ao sistema de metrô. Para chegar, o turista deve partir de qualquer estação de metrô para a estação Acevedo, no Norte da cidade. De lá, deve realizar a transferência para a linha cabo K, com destino à estação de Santo Domingo, onde há transferência para a linha L Arví cabo. E depois de atravessar diversas comunidades na parte Nordeste da cidade, o caminho passa a ser feito sobre a copa das árvores. Todo o trajeto, com a troca de estações de metrocable é feito em aproximadamente 30 minutos.
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Jardim Botânico Joaquín Antonio Uribe tem espécies variadas e conta com um lindo orquidário (foto: Valquiria Lopes/EM/D.A.Press )

BALADA A noite em Medellín também é agitada e os que querem badalação, vale visitar o Parque Lleras, que fica no Bairro Poblado, um dos bairros mais famosos e nobres da cidade, conhecido por suas butiques e lojas de artesanatos únicos. À noite, os diversos bares, restaurantes e cafés da região enchem de gente em busca de diversão, principalmente jovens, e fervem ao som de diferentes ritmos. De música eletrônica aos embalos latinos, vale se arriscar no reggaeton, dança sensual que faz sucesso entre os paisas. Bailar, como dizem, é uma das maiores diversões do povo colombiano, que vibra aos som caliente de seus cantores.

 

COMO CHEGAR

»  Quem leva – A Copa Airlines em voos diários para Medellín, com conexão na cidade do Panamá. A chegada é pelo Aeroporto Internacional José María Córdova, que atende a cidade, mas fica no município de Rio Negro, na região metropolitana e a mais ou menos 1h de carro do Centro de Medellín.

»  Documentação – Apesar de ser um país de livre fronteira com o Brasil, é preciso apresentar o passaporte no embarque, por causa da parada na Cidade do Panamá, no Panamá, país que exige a documentação.

» Onde ficar – O Bairro de El Poblado é um dos mais sofisticados de Medellín e concentra um grande número de hotéis de alto nível, assim como diversos albergues descolados, já que fica na região mais badalada da cidade. As intermediações da carrera 70 e os bairros Laureles, El Estadio, e La Floresta também têm uma concentração de hospedagens, pela localização próxima ao Centro e com acesso fácil ao sistema de transporte. Na Região Central da cidade, é possível encontrar hotéis e albergues de mochileiros mais econômicos.

» Transporte – Medellín tem um ótimo sistema de transporte integrado por metrôs – que não são subterrâneos –, ônibus e teleféricos. As tarifas de táxi também são muito baratas e definidas por taxímetro, mas a frota de carros amarelos é bastante antiga. A bicicleta também tem espaço, mas a rede de ciclovias ainda é pequena.

 

Espaço para a arte, dança e grafitagem

 

Prova da transformação social por que Medellín passa vem justamente dos morros. Antes completamente tomados pela violência do narcotráfico, as comunas, como são chamados, abrem espaço para a arte, o hip-hop, a dança e a grafitagem. Um dos exemplos vem da Comuna 13, que se alcança tomando o metrô, ao fim da linha B, descendo na estação San Javier. A subida pelas ladeiras vale a pena. As pessoas são receptivas, os muros surpreendem pelas pinturas em grafite e a vista é fenomenal.


Três pontos chamam atenção no lugar: as ruas são muito limpas, um escorregador fixo faz a alegria de crianças e adultos e uma escada rolante alivia a subida no meio do caminho. O equipamento foi instalado pelo governo e está em estado perfeito, sem nenhum tipo de pichação ou atos de vandalismo. No passeio pela Comuna 13, é possível perceber o esforço do governo em enfrentar a criminalidade e o tráfico das gangues de frente. Uma das iniciativas vem da Casa Kolacho, centro cultural para ensinamento do hip-hop e da cultura do grafite como ferramentas para educar e transformar as sociedades. A Casa Kolacho é responsável por mais de 90%  dos grafites na Comuna 13, muitos deles, inclusive, retratam momentos históricos de ocupação policial e violência no lugar.

 

 

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