Embarque no universo dos sentidos do enoturismo e da gastronomia na Serra Gaúcha

Além de se aventurar no mundo dos vinhos, você vai se deparar com belas paisagens, charme e hospitalidade

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BERTHA MAAKAROUN/EM DA Press
Degustação no terroir é uma das experiências marcantes para quem visita vinícolas da Serra Gaúcha (foto: BERTHA MAAKAROUN/EM DA Press)

São vinhedos esplêndidos, que emolduram castelos e as belas paisagens de 78 vinícolas, para ficar só nas cidades de Bento Gonçalves e Pinto Bandeira, marcos da chegada dos primeiros italianos ao final do século 19 aos territórios ainda intocados da Serra Gaúcha. Essa é uma jornada pelo mundo dos prazeres que emerge do cultivo da uva: ao lado do enoturismo, a gastronomia italiana saltará, sem pudor, das cantinas e de piqueniques a céu aberto.

Se você decidiu se arriscar por essas paisagens, vai poder relaxar, caminhar, pedalar, se atirar em cachoeiras. Tudo dependerá de suas preferências. A única coisa certa é que, em seu roteiro pelas vinícolas, você irá beber e comer com entusiasmo, fazendo inveja aos discípulos de Baco. Fica, portanto, a primeira dica: faça regime antes. E mergulhe na aventura do vinho, uma viagem embalada também pelo charme, as belezas naturais e a hospitalidade da região.

Na área central de Bento Gonçalves, imediações da Vinícola Aurora, o aroma da uva se anuncia. São, em média, 66 milhões de quilos da fruta esmagados ao ano, que renderam 53 milhões de litros de vinhos, espumantes e sucos ao longo de 2015, faturamento de R$ 440 milhões. Fundada em 1931 por 16 famílias produtoras, todas de ascendência italiana, são hoje 1.100 associados, que não só cultivam e colhem as uvas, como participam dos lucros da cooperativa.
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Luiz Sella, presidente da vinícola Peterlongo, em Garibaldi, supervisiona a colheita (foto: BERTHA MAAKAROUN/EM DA Press)

Treze marcas agregam 200 itens, que empregam 50 variedades de cepas, entre as quais a merlot, chardonnait, Riesling, cabernet sauvignon e moscado predominam. De vinhos populares à sofisticada e limitada produção do Aurora Brut, elaborado pelo método champenoise, ou ao premiado Aurora Millésime Cabernet Sauvignon 2011, não hesite em passar pela loja da fábrica e carregar duas garrafas para harmonizá-las em refeições. Oportunidades não faltarão, seja após longas caminhadas pelos vinhedos, seja em encontros domésticos para degustações.

Em cada vinícola, novas possibilidades de degustação ou mesmo cursos dirigidos aos amadores e enólogos, que se encerram em generosas e bem medidas refeições. Rodeada por vinhedos e em frente ao Hotel e Spa do Vinho, nas belas instalações da Miolo, além do tradicional passeio pelo processo de produção do vinho e espumantes e das caves de armazenamento, o Wine Garden é a pedida dos fins de semana e feriados. Cercado por vinhedos, ao estilo food truck, um ônibus decorado estacionado nos jardins da vinícola oferece um piquenique de petiscos variados para serem apreciados com espumantes e vinhos.

Não à toa, o Lote 43, primeiro terreno adquirido pelo bisavô, o pioneiro Giuseppe Miolo, é o local reservado por Morgana Miolo, idealizadora do Wine Garden: ali onde foram plantadas as primeiras cepas. “Por mais de um século a minha família cultivava uvas para as cooperativas. Vinho era só para o nosso consumo”, explica Morgana. Mas em 1989, em meio à crise e sem conseguir vender as uvas, passaram a produzi-lo comercialmente. Sob o comando da terceira geração, as empresas do Miolo Wine Group, que hoje incorporaram outros associados, produziram só no ano passado 12 milhões de litros de vinhos finos e 200 mil litros de sucos, alcançando faturamento de R$ 160 milhões. Um dos ícones, não poderia deixar de ser, é o Lote 43, produzido a partir das variedades merlot e cabernet sauvignon.

• MERCADO DE ESPUMANTES


Ao chegar, o visitante é acolhido na vila de inspiração italiana por um magnífico relógio solar. Confeccionado em mármores italianos, esmaltes especiais e pedras semipreciosas, o movimento das sombras ao ritmo da rotação terrestre em torno do Sol indica o horário astronômico exato, as estações do ano e as mudanças das constelações do zodíaco. Mais antiga vinícola em completo controle familiar do país, a Salton domina o mercado do espumante no Brasil, com a produção em alta escala pelo método charmat, que respondeu por 35% do faturamento de R$ 250 milhões da empresa no ano passado.

Na galeria dos primeiros cem anos do negócio, o enólogo Gregório Salton, da quarta geração, discorre sobre a saga dos antepassados no Sul do Brasil, com a chegada de Antonio Demenico em 1878. A “dinastia” das uvas, que coloca, ao ano, 9 milhões de garrafas de espumantes no mercado, das quais uma pequena produção de alta qualidade pelo método champenoise, não vende vinho, vende prazer. “Nosso negócio são momentos de satisfação”, avisa Gregório Salton. E são muitos.
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Mais antiga vinícola em completo controle familiar do país, a Salton domina o mercado nacional do espumante no Brasil (foto: BERTHA MAAKAROUN/EM DA Press)

Para degustação, uma incursão pelo labirinto da espetacular “Cave da Evolução”, a oito metros de profundidade, onde descansam os vinhos nobres, irá transportá-lo para a sala secreta de um mundo medieval imaginário, frequentado pelo rei Arthur e os seus cavaleiros. Em torno da mesa redonda de inspiração celta, protegida por espetacular vitral de igual diâmetro, a irmandade é partilhada sob a proteção dos deuses das uvas: os produtos top da vinícola podem ser degustados. Peça Salton Evidence.

Aromas do vinho

Há três categorias de aromas: primários, secundários e terciários

» Os aromas primários ou varietais são provenientes do tipo de uva, ou seja, eles existem antes de qualquer transformação. À exceção das uvas muscat, muito perfumadas, em geral os aromas não são perceptíveis in natura, mas se revelam durante o processo da fermentação.
» Os aromas secundários provêm da fermentação alcoólica, pela ação das leveduras e bactérias.
» Os aromas terciários ou buquês são aromas evolutivos, adquiridos durante o envelhecimento. A principal ferramenta é a barricada de carvalho. Só os grandes vinhos, aqueles capazes de melhorar com o tempo, evoluem nas pipas. O processo de envelhecimento continua na garrafa.
» São aromas mais frequentes: frutados, florais, especiarias e ervas, terrosos, minerais, frutas secas, animais, vegetais herbáceos, adocicados, madeira e lácteos.
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Incursão pelo labirinto da Cave da Evolução, a oito metros de profundidade, onde descansam os vinhos nobres da Salton (foto: BERTHA MAAKAROUN/EM DA Press)


Visita às vinícolas

A maioria das vinícolas mantém visitas guiadas diárias, com atrativos diversos, que incluem desde rápidas visitas à produção seguidas de degustação, até cursos e pacotes com almoços harmonizados.


»  Miolo

•Contato: (54) 2102-1540/
(54) 2102-1537 ou pelo e-mail visita@miolo.com.br

»  Vinícola Dal Pizzol

•Contato: (54) 3449-2255 ou pelo e-mail dalpizzol@dalpizzol.com.br

»  Peterlongo
•Contato: (54) 3462-1355 ou pelo e-mail eventos@peterlongo.com.br

»  Don Giovanni
•Contato: (54) 3455-6293 ou pelo e-mail vinicola@dongiovanni.com.br e
pousada@dongiovanni.com.br

»  Aurora
•Contato: (54) 3455-2001 ou pelo site vinicolaaurora.com.br

»  Geisse

•Contato: (54) 3455-7461/
3455-7463 ou pelo site cavegeisse.com.br

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