Interior de Portugal é repleto de histórias que nos fazem viajar pelo país de nossos descobridores

Vilas, mosteiros, igrejas medievais e castelos são de encher os olhos

por Zulmira Furbino 23/12/2015 06:09

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Zulmira Furbino/EM/D.A Press
(foto: Zulmira Furbino/EM/D.A Press)
Percorrer o interior de Portugal é como visitar algumas cidades históricas brasileiras, às vezes entre montanhas, outras à beira-mar. Haja o que houver e em qualquer canto que se vá, a arquitetura das cidades portuguesas nos remete também a Minas Gerais, a Ouro Preto, com certeza. Mas há muito mais a se observar. As igrejas medievais e barrocas, a cultura, mosteiros, monastérios, os castelos e cidades medievais, além da natureza muitas vezes exuberante, do sol oblíquo que cai pelo oeste, e, por último, mas não menos importante, a doçaria portuguesa. Tudo isso surpreenderá os viajantes que empreenderem essa jornada. É o que se vê num roteiro que sai de Lisboa e passa por Óbidos, Alcobaça, Nazaré, Coimbra, Aveiro, Porto, Braga, Viseu, Sendim, Sintra, Azeitão e Portinho (em Setúbal), na belíssima Serra da Arrábida, a apenas 40 minutos da capital portuguesa. Venha conosco aos principais pontos dessa viagem.

Óbidos e Alcobaça

Pense em ganhar uma cidade inteirinha de presente. Pois Óbidos, uma vila medieval cercada por muralhas, estava entre os mimos que o Rei Dinis deu à sua noiva, Isabel de Aragão, no século 13, como presente de casamento. Totalmente preservada, na cidadela comerciaram os fenícios e se estabeleceram os romanos. Mais tarde, a vila foi presenteada aos árabes e, depois, virou prenda da rainha. Totalmente preservada, a cidade é linda, com casas pintadas de branco, janelas azuis e amarelas, num misto de Tiradentes, em Minas Gerais, e Paraty, no Rio de Janeiro.

Não deixe de circular a vila de Óbidos pelas altas muralhas, subindo e descendo escadas; de tomar ginja, a bebida local, em copo de chocolate; e de visitar a igreja de São Tiago, que foi transformada numa livraria, além de se maravilhar com os bordados locais.

Em Alcobaça, a atração é o Mosteiro – ensaio da primeira construção gótica portuguesa, iniciada no ano de 1178 –, tão monumental quanto límpido e austero, além dos doces conventuais como cornucópias, castanhas de ovos, delícias de amêndoas, pastéis de nata, divina gula, torresmos do céu, segredos de d. Pedro, Fradinho, ovos do paraíso e outra infinidade de delícias.

Nazaré

Zulmira Furbino/EM/D.A Press
(foto: Zulmira Furbino/EM/D.A Press)
Situada no Centro-Oeste de Portugal, à beira-mar, a pequena vila de Nazaré é um ponto pintado de branco na paisagem portuguesa das ondas gigantes e dos peixes frescos. Com cerca de 10 mil habitantes, ali ainda é possível encontrar velhinhas portuguesas com vestidos de sete saias, traje típico do país. As de negro são viúvas, diz a tradição. Um imenso penhasco divide o mar de Nazaré em dois tipos. De um lado, calmo, e com a vila junto à praia. Do outro, na Praia do Norte, uma dinâmica ativa de ondas de até 35 metros de altura, que atrai surfistas de grandes ondas de todo o mundo.

Não deixe de comer um peixe fresco ou um arroz de mariscos no A Tasquinha, um dos mais procurados restaurantes da cidade. Desfrute da deliciosa comida e da simpatia e hospitalidade do dono, que, por ter sido pescador durante grande parte da vida, entende de peixes e frutos do mar como ninguém.

Coimbra

A maior atração de Coimbra, como não poderia deixar de ser, é a Universidade de Coimbra, eleita patrimônio mundial pela Unesco e apelidada de cidade dos estudantes. Ao subir a escadaria que dá no pátio e avistar a construção, você se depara com um centro universitário que começou a ser construído em 1290, apenas um século depois da fundação de Portugal. Para chegar à construção principal, porém, é preciso passar por uma série de vielas onde estão algumas faculdades, assim como as repúblicas de estudantes. Dessa forma, a Universidade de Coimbra se estende do alto até muito próximo do Rio Mondego, que corta a cidade. Subindo ou descendo pelas vielas, é possível se deparar com joias, a exemplo da casa onde viveu o escritor Eça de Queirós quando estudante. Não perca a incrível Biblioteca Joanina, um dos expoentes do barroco português e uma das mais ricas e antigas bibliotecas da Europa.

Aveiro

Aveiro é uma cidade deliciosa, conhecida como a Veneza portuguesa. A tradição local é o passeio no barco Moliceiro, embarcação que nos tempos antigos era destinada à recolha do moliço, que cresce no leito da Ria de Aveiro. Hoje, esses barcos fazem passeios guiados para turistas pelos canais da cidade. Os ovos moles, doces feitos de gema de ovo, açúcar e água, com revestimento de hóstia, imitando formas marinhas, são o símbolo da cidade. Não deixe de experimentar os pratos da tradicional comida portuguesa no A Tasca do Confrade, um restaurante pequeno e acolhedor com pratos de dar água na boca.

Porto

A cidade do Porto, banhada pelo Rio Douro, é uma atração à parte em Portugal. Chegamos num sábado e nos deparamos com hotéis lotados, já que haveria uma maratona no dia seguinte. Foi um sufoco achar vaga no Ibis, mas ali mesmo entramos em contato com o dono de um apartamento no Airbnb, o que resolveu nosso problema de hospedagem. Foram quatro dias incríveis. A cidade ferve aos sábados à noite e aos domingos durante o dia. Não deixe de bater pernas pelas ruas e alamedas – é preciso disposição, porque são muitos morros –, de provar uma Francesinha, sanduíche típico do Porto, no Café Santiago, e de jantar pelo menos uma noite no O Caçula. Experimente a alcatra com molho de cogumelos selvagens, verdura picadinha e refogada acompanhada de polenta ou a posta de bacalhau em lasca grelho e batata ao murro.

Outra atração obrigatória é o Palácio da Bolsa. Com arquitetura neoclássica e toscana, o palácio funciona como sede da Associação Comercial do Porto. Com sua imensa riqueza e bom gosto, o salão árabe é o mais impressionante do lugar e também um símbolo da burguesia contra o poder tonitruante da Igreja Católica em Portugal.

E, claro, jamais saia do Porto sem visitar as vinículas da região e sem ver o pôr do sol dos dois lados do rio.

Arrábida

Na região de Azeitão, onde se produz o vinho Periquita, a apenas 40 minutos de Lisboa, está a Serra da Arrábica, um paraíso que, de tão perto da capital portuguesa, pode passar batido pelos turistas mais incautos. A dica veio de Vanessa, a dona do apartamento que alugamos no Bairro Alto. Situada junto ao mar, a serra está dentro de um parque que oferece uma das paisagens mais deslumbrantes da corta próxima a Lisboa. Visite o Portinho, uma pequena aldeia com praia de águas calmas e límpidas, onde as gaivotas nadam como patinhos na lagoa e os peixes são visíveis da varanda dos restaurantes. De lá, suba até Azeitão para provar os doces maravilhosos da pastelaria O Cego, como as tortas e os amores de azeitão, os memés, o mimo do cego, o queijinho de ovos. Na volta, desça em direção a Setúbal e desfrute da deslumbrante paisagem que pode ser vista dos vários mirantes que há pelo caminho. A dica é parar em todos, pois cada ângulo da estrada oferece um novo espetáculo.



   

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