Avião ainda é um dos meios de transporte mais seguros do mundo

Turbulência, chuva, raios, instabilidade: vamos desmistificar os principais temores de quem voa

por Ataide de Almeida Jr. 04/11/2015 06:00

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São Paulo – Voar pode ser uma ação bem complicada para algumas pessoas que têm medo desse meio de transporte. Quando ocorrem situações como turbulências, raios, arremetidas ou até mesmo pássaros nas proximidades, a tensão aumenta mais ainda e a sensação é de arrependimento. Se você é assim, tente ficar mais tranquilo. A probabilidade de uma queda de avião é de apenas 0,003 por 100 milhões de passageiros/milha – ou uma vez a cada 19 anos.


Este ano, houve dois acidentes de grandes proporções, sendo um deles provocado pelo copiloto, o da companhia Germanwings, e o outro da Malaysia Air, que ainda está sendo investigado. O Turismo vai desmistificar, com a ajuda do comandante Dan Guzzo, gerente-executivo de Segurança Operacional da Gol Linhas Aéreas, os principais temores dos passageiros.
* O jornalista viajou a convite da Gol

 

Arremeter
“Uma arremetida nada mais é que descontinuar um procedimento de aproximação. Ela ocorre quando a tripulação verifica, ou não tem certeza, que aquele pouso pode seguir dentro de todos os requisitos de segurança. Muitos se apavoram, mas é um dos procedimentos mais seguros a se fazer. É o mesmo que, por exemplo, reduzir a velocidade de um carro. É evitar uma situação que talvez seja perigosa”, explica Dan. As arremetidas ocorrem, geralmente, quando o piloto não tem visão total da pista, o teto (nuvens baixas) não está satisfatório ou quando o vento de cauda não é favorável. “É o procedimento mais seguro a se fazer quando não se tem certeza que a operação vai ser bem-sucedida. A gente até brinca que o pouso é uma arremetida que não deu certo”, garante.

 

Despressurização
“Esqueçam aquilo que vocês vêm nos filmes de Hollywood. Não vai voar papel, não vai começar a cair mala, é bem menos cinematográfico, e é uma das situações mais bobas que ocorre no avião”, afirma o gerente de segurança. O que ocorre nessa situação é que, como o ar nas alturas é rarefeito, falta pressão para fazer troca gasosa. “Se a pressão de oxigênio for menor que a sanguínea, você não consegue fazer o intercâmbio. Assim, o passageiro utiliza as máscaras e respira normalmente”, explica. Nas aeronaves da empresa (Gol), a quantidade de oxigênio para as máscaras pode durar 22 minutos. Nesse tempo, o piloto desce o avião até uma altitude que já não seja mais necessário utilizá-las. “Isso acontece muito raramente, não é nem possível medir em termos percentuais”, informa.

 

Raios
“Um raio não atinge o avião, ele passa por ele. A aeronave tem toda uma estrutura preparada para que a descarga elétrica saia. É possível observar, nas extremidades da asa, que há um tipo de borracha por onde o raio é eliminado.” Segundo o gerente-executivo da Gol, quando um raio cai no avião, o impacto é como se você tivesse batido o carro, mas sem gravidade. “O avião não vai chacolhar, o que pode assustar é o barulho.” E, claro, o avião não vai cair por esse motivo.

 

Pássaros
“No Brasil, a legislação explica que os aeroportos devem ter uma equipe para cuidar da fauna ao redor desses estabelecimentos. Assim, eles fazem todo um trabalho para coletar informações sobre os animais que circulam por ali e tomar medidas para garantir a segurança dos voos”, explica o comandante.  “Caso um pássaro atinja a turbina de um avião, ele pode danificá-la. Em terra, é feito um trabalho para tirá-lo de lá.” Mas não se preocupe se uma delas falhar, as aeronaves são feitas para voar – e são capazes – com apenas um motor.

 

Turbulência
“A turbulência nada mais é que a movimentação do ar. Como o avião anda nessa esteira de ar – o que seria a rodovia dele –, se mexer na esteira, a aeronave também vai balançar. Existem algumas que são difíceis de o piloto prever, que são as de céu claro. Assim, pode estar o tempo bonito, sem nada, mas, lá em cima, as correntes de ar estão revoltas. O comandante não consegue detectá-las, pois o radar só capta esse fenômeno quando atrelado à umidade”, revela Guzzo. Os pilotos, claro, fazem desvios para evitar as turbulências, mas, às vezes, não é possível evitá-las. Por isso, vale a máxima de entrar no avião e apertar o cinto de segurança para não ser pego de surpresa. “Além disso, não se preocupe se a asa do avião parecer que está entortando, ela foi feita para isso e não vai se quebrar.”



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