Onde tradição e modernidade conversam

famosa pela Oktoberfest, que reúne mais de 6 milhões de pessoas, cidade tem Centro Histórico charmoso e marcas do nazismo presentes, um assunto delicado para os alemães

por Teresa Caram 07/10/2015 07:01

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
A capital mundial da cerveja atrai turistas de todas as partes o ano inteiro, apesar de o ponto forte das atrações ser a Oktoberfest, entre setembro e outubro. Durante 16 dias, mais de seis milhões de visitantes participam da maior festa da bebida do mundo. Mas quem quiser fugir dessa “farra alcoólica” pode visitar Munique em qualquer outra época, que encontrará muita coisa interessante para fazer, visitar ou mesmo, simplesmente, apreciar.

Munique respira charme, sofisticação, alegria de viver. É moderna, mas mantém ares de cidade provinciana com tradições que os habitantes fazem questão de manter acesas. Ao mesmo tempo, eles adoram celebrar a vida em festejos que ocorrem praticamente o ano inteiro, além da Oktoberfest, regados a muitos litros de cerveja.

Teresa Caram/EM/D.A PRESS
Cidade é marcada por forte arquitetura (foto: Teresa Caram/EM/D.A PRESS)
Você pode conhecer essa metrópole da Baviera, no Sul da Alemanha, naqueles ônibus que circulam aos montes pela cidade carregando turistas e explicando a história de cada monumento, galeria de arte, igreja, museu e, claro, de novo, da cerveja, que inicialmente era produzida apenas pelos monges na cidade. O Centro Histórico (Altstadt) pode ser percorrido a pé. É pequeno e tem ares de interior, com bares, restaurantes e um comércio variado, que não abre suas portas aos domingos. Se você não souber falar alemão, não tem problema. É possível se comunicar bem em inglês em hotéis, bares, restaurantes, lojas de suvernires e museus. Além disso, o povo dessa cidade é muito simpático e solícito quando você pede alguma informação.

A Marienplatz (Praça de Maria) é um ponto de encontro charmoso, que encanta os turistas. Nela, destaca-se a Coluna de Maria, erguida em 1638 para celebrar a vitória sobre as forças suecas na Guerra dos Trinta Anos. No topo, vê-se a estátua dourada da Virgem Maria equilibrando-se sobre uma lua crescente.

Teresa Caram/EM/D.A PRESS
Mastro de Maio (foto: Teresa Caram/EM/D.A PRESS)
Aliás, a devoção à Virgem Maria é impressionante nessa cidade, que passou por momentos conturbados ao longo de sua história. A Primeira Guerra Mundial praticamente faliu Munique, e a Segunda Guerra quase a tirou do mapa. Foi aqui que o nazismo ganhou o maior destaque. Hoje, os habitantes não gostam muito de falar sobre esse tema, espinhoso demais para a população.Munique tem um vasto patrimônio cultural. No Centro Histórico, não deixe de visitar o Residenz, antiga morada dos reis da Baviera que hoje abriga um museu com 130 salas. Também vale uma ida ao Deutsches Museum, que tem coleções de descobertas tecnológicas.


Um dos edifícios que chamam a atenção dos turistas é o Feldherrnhalle, na Odeonsplatz. Construído entre 1841 e 1844, foi inspirado na Loggia dei Lanzi, de Florença. Foi nesse local que aconteceu em 1923 o fracassado “Putsch de Munique” (Golpe da Cervejaria), liderada por Adolf Hitler que falhou. A ação foi reprimida pela polícia bávara, que matou 16 nazistas, prendeu Hitler e vários correligionários. Hitler, no entanto, ficou apenas nove meses na prisão, de onde escreveu seu manifesto Mein Kampf.

Teresa Caram/EM/D.A PRESS
Igreja de São Miguel (foto: Teresa Caram/EM/D.A PRESS)

CATOLICISMO
O “renascer das cinzas” de Munique aumentou a fé da população em Nossa Senhora, padroeira da cidade, que é predominantemente católica. Uma curiosidade: qualquer estrangeiro que quiser morar em Munique consegue autorização mais fácil do governo quando se declara católico e passa a pagar um dízimo à Igreja, segundo relato da guia espanhola Helena, que mora em Munique há mais de 10 anos.

De uma cidade que já passou por guerras, turbulências e dificuldades financeiras gigantescas, com o povo enfrentando a fome, e também assistiu à tragédia dos Jogos Olímpicos em 1972, quando 17 pessoas foram mortas durante um ataque terrorista, Munique soube dar a volta por cima. Hoje, tem excelente qualidade de vida, com a maior concentração de milionários do país depois de Hamburgo, e uma alta costura que não fica atrás de Milão e de Paris.

A cidade tem uma indústria forte, abrigando empresas como BMW, BayerLB, Siemens e Osram. As ruas são arborizadas e carros luxuosos compartilham vias com bicicletas. Aliás, é impressionante como os espaços para circulação de bikes são respeitados por lá.

MEMÓRIA

Folia da cerveja

A primeira Oktoberfest foi realizada em 1810 para celebrar o casamento do príncipe Ludwig I, da Baviera, com a princesa Therese von Sachsen-Hildburghausen, da Saxônia. O sucesso foi tanto que ela acabou sendo incorporada ao calendário anual da cidade, entre o fim de setembro e o início de outubro. Munique tem mais de 400 bierkellers, que são pubs fechados, e biergartens (bares ao ar livre). Todas as festividades são regadas a muita cerveja, confirmando a impressão que se tem ao visitar essa metrópole: Munique é uma eterna festa.

 

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE TURISMO