Sites, fóruns e redes sociais aproximam pessoas que desejam partilhar dicas de turismo

Nessa troca de experiências, é possível se precaver de riscos, conhecer lugares menos turísticos e, sobretudo, ter mais certeza sobre as decisões tomadas antes de fazer as malas

por Gustavo Perucci 02/09/2015 06:00

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Arquivo Pessoal
O brasileiro Alexandre Baptista (E) conheceu pessoas com interesses comuns na Venezuela (foto: Arquivo Pessoal)

Um dos pontos mais importantes de qualquer viagem é o planejamento. Além da pesquisa em guias e sites especializados, uma boa maneira de se inteirar sobre o destino é conversar com pessoas que fizeram o mesmo roteiro. Se a pessoa for natural do local, melhor ainda. Nessa troca de experiências, é possível se precaver de riscos, conhecer lugares menos turísticos e, sobretudo, ter mais certeza sobre as decisões tomadas antes de fazer as malas.

Mas nem sempre conhecemos alguém que tenha feito o mesmo roteiro ou seja natural do país que queremos visitar. A solução para isso, é claro, veio pela internet. Sites, fóruns e grupos de discussão em redes sociais são ambientes perfeitos para o compartilhamento de experiências e aproximação de pessoas com interesses comuns.

Durante o planejamento de sua viagem para a Colômbia, em 2011, o analista de sistemas Alexandre Baptista, buscando por dicas de nativos sobre os locais que queria conhecer no país, encontrou em um dos fóruns de discussão do site viajeros.com (viajantes.com, na versão brasileira) um grupo que organizava encontros anuais, cada vez em um país diferente. No ano seguinte, ao pesquisar sobre seu próximo destino, viu que, coincidentemente, o encontro do grupo também seria na Venezuela, e no mesmo período em que estaria lá. Assim, ele começou a participar da conversa no fórum e foi se inteirando sobre como as reuniões eram organizadas.

Ele e os três amigos que o acompanharam na viagem resolveram participar do encontro. Passagens, hospedagem, passeios. Tudo ficava a cargo da pessoa que organizava o evento naquele ano. “Meu maior medo foi na hora de transferir o dinheiro. Mas aí fui recebendo as confirmações de reservas nos hotéis e passagens, e fiquei mais tranquilo”, conta.

Alexandre explica que, antes de decidir ir à Venezuela, participou do fórum por alguns meses. Ele também entrou em um grupo de discussão do mesmo pessoal no Facebook, e foi, aos poucos, fazendo amizade com alguns deles na rede social. Isso reforçou sua segurança e dos amigos em participar do encontro, mesmo sem conhecer ninguém pessoalmente. Tudo correu bem, e ele, em 2013, resolveu participar novamente do encontro, dessa vez no Equador.

Mais que uma simples viagem de turismo, a 'ousadia' de ir encontrar estranhos em um país também estranho rendeu a Alexandre várias amizades, com pessoas de diversos países da América Latina. Aproveitando a oportunidade, em 2014, ao visitar o Paraguai, ficou na casa de um amigo que conheceu durante os encontros. “Ele me levou para conhecer as cidades nos arredores de Assunção, pouco frequentadas por turistas. Caacupé, por exemplo, onde visitei a basílica da cidade. Também fomos ao Lago Ypacaraí”, explica.

Esse mesmo amigo que o recebeu em Assunção virá conhecer Belo Horizonte mês que vem e ficará na casa do analista de sistemas. E ele não é a primeira pessoa que Alexandre recebe. Só ano passado, ele deu suporte para uma mexicana e uma venezuelana. No período da Copa do Mundo, foram dois argentinos, um colombiano e uma peruana. Além de oferecer sua casa e levar os amigos para pontos turísticos próximo de BH, ele dá orientações e dicas para quem for seguir viagem pelo Brasil.

Ele explica que a maioria dos visitantes querem conhecer atrações famosas da região, como a Lagoa da Pampulha, o Mercado Central, Inhotim e Ouro Preto. Mesmo assim, sempre surgem oportunidades de mostrar um lado menos turístico de BH, como botecos menos badalados. A venezuelana Mariana Soteldo, por exemplo, participou do aquecimento pré-carnaval do bloco Mamá na Vaca, na Praça Cairo, no Bairro Santo Antônio, Região Centro-Sul de BH.

Arquivo Pessoal
A mexicana Beatriz Rea esteve no Brasil no ano passado. Ela já conheceu vários países pelos encontros do grupo de viajantes (foto: Arquivo Pessoal)
Frequentadora do site viajeros.com desde 2008, a mexicana Beatriz Rea esteve no Brasil no ano passado. Além daqui, ela já conheceu o Chile, Argentina, Venezuela e Panamá pelos encontros do grupo de viajantes. “No encontro da Venezuela, tive a oportunidade de conhecer três viajantes brasileiros, com quem segui viagem por uma semana. Construímos uma amizade que ultrapassou fronteiras. No Brasil, conheci parte da cidade de São Paulo. Depois fui para Minas Gerais, onde os três amigos que fiz na Venezuela estavam me esperando. Eles foram os melhores anfitriões dessa minha visita”, lembra.

Ela conta que teve de vencer o medo para participar do primeiro encontro do grupo que, carinhosamente, chama de família viajante. “Uma vez que você começa com essa aventura, é impossível parar, já que essa família cada dia cresce ao redor do mundo. Estou muito feliz de ter encontrado essa plataforma, onde tenho a oportunidade de compartilhar meu vício de viajar e ajudar os outros em suas aventuras. Agora, tenho uma família espalhada por todo o mundo”, afirma.

Trabalhando ou no sofá
Outra possibilidade para se ter um contato mais direto com pessoas nativas e conseguir fugir da programação normal mostrada nos guias de viagem é buscar formas alternativas de hospedagem. O couchsurfing, por exemplo, nasceu de um conceito de hospitalidade. A ideia surgiu em 2004 e consiste em abrir sua casa para receber viajantes, oferecendo o sofá. O auge desse modelo de hospedagem passou, mas o site (couchsurfing.com) conta com mais de 10 milhões de usuários cadastrados e, este ano, realizou mais de 500 mil operações.

Criado por dois brasileiros, a proposta do worldpackers.com é que o viajante troque trabalho por hospedagem, barateando o custo das viagens e proporcionando uma imersão na cultura do país. O site conecta albergues, pousadas, hotéis, entre outros estabelecimentos, chamados de hosts (anfitriões, em tradução livre), e viajantes do mundo inteiro dispostos a trocar suas habilidades por estadia.

O aluguel de um imóvel por temporada, oferecido por vários sites especializados, também proporciona contato mais direto com pessoas locais, pois, normalmente, se tem o contato e o suporte do locador.

PARA AJUDAR NA VIAGEM

viajantes.com
» No Brasil o site que, além de vender passagens aéreas e hospedagem, tem um fórum de discussão. Ele não pegou muito por aqui, mas sua versão latino-americana (viajeros.com) é bastante frequentada e guarda dicas valiosas.

mochileiros.com
» É basicamente um site para relatos de viagem, troca de experiências e discussões sobre o tema. Um dos mais acessados do país, é ideal para quem não fala espanhol.

couchsurfing.com
» Você pode se cadastrar tanto para oferecer seu sofá como para se hospedar na casa dos outros. Além de baratear a viagem, esse modelo de hospedagem aproxima o viajante do cidadão local, ampliando a experiência da viagem. Lembre-se sempre de checar as referências de quem você recebe e de quem recebe você.

Airbnb.com.br
» Especializado em aluguel de imóveis por curta temporada. Como no couchsurfing.com, é possível se cadastrar como viajante ou para ofertar um imóvel. Vale ler os depoimentos de quem já se hospedou nos imóveis, para evitar surpresas.

worldpackers.com
» A proposta do site é a troca de trabalho por estadia.

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