Viajar pela Suíça é surpreender-se a cada momento com paisagens fantásticas

Transporte eficiente e rodovias em excelente estado garantem deslocamento fácil

por Guilherme Paranaiba 02/09/2015 06:00

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Guilherme Paranaíba/EM/D.A.Press
Rio Aare, em Berna, visto do Centro Histórico da capital. Parada obrigatória para quem visita a cidade (foto: Guilherme Paranaíba/EM/D.A.Press)
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Ao embarcar nesta viagem, prepare-se para viver uma experiência, antes de qualquer coisa, sociológica. Se você é daqueles ou daquelas que sonham em um dia andar por sua cidade sem precisar de um carro, que sempre quiseram nadar livremente por todos os mananciais, andar de bicicleta dividindo espaço com um bonde ou ônibus, subir montanhas, praticar algum esporte radical, ler um livro sentado no banco de uma praça e esgotar todas as possibilidades de ocupar cada canto de cada cidade, a Suíça é o melhor lugar para testar esse estilo de vida.

É nesse pequeno país encravado bem no meio da Europa, cuja quantidade de atrações e opções é inversamente proporcional ao tamanho do território, que o espaço público encontra a sua melhor tradução. Monumentos preservados por séculos e os espetáculos da natureza que vão do calor de 30 graus ao frio das temperaturas negativas, sempre facilitados pelo sistema de transporte do país, são alguns dos exemplos que encantam os turistas e dão uma sensação de autonomia, reforçada pela tranquilidade de um dos lugares mais seguros de todo o planeta.

Onde tudo funciona

Você pode pegar um trem, dirigir um carro ou entrar em um barco. Todas essas opções se encaixam no roteiro proposto pelo governo da Suíça para aqueles que visitam o país europeu. São 1,6 mil quilômetros ligando as principais cidades do país em todas as regiões batizados de Grand Tour da Suíça. Para as longas distâncias o mais comum é usar um carro ou um trem, mas para curtas experiências e deslocamentos bem menores vale a pena testar os trajetos fluviais, que também garantem ótimas paisagens. Pedalar uma bike ou andar em um ônibus elétrico também estão na lista de possibilidades, mas esses dois últimos em percursos bem curtos dentro dos destinos principais.



O trajeto de carro é imprescindível por pelo menos um pequeno trecho do Grand Tour. É dirigindo pelas estradas da Suíça que surgem oportunidades únicas de contemplar paisagens que mais parecem terem sido desenhadas à mão. O conjunto formado por casas e montanhas faz o motorista parar várias vezes para registrar os momentos. A reportagem do Estado de Minas percorreu, contando apenas os deslocamentos dentro da rota do Grand Tour, 345 quilômetros saindo de Zurique, passando por Lucerna, Berna, Interlaken, Lucerna novamente e Zurique, dos quais 110 quilômetros de carro. Outros 88 quilômetros foram percorridos pelas estradas fora da rota principal, somando quase 200 quilômetros no volante.

Um carro garante a oportunidade, por exemplo, de parar em uma plantação de flores no caminho entre as cidades de Lucerna e Berna, que é a capital da Suíça. Vários exemplares encantam pela beleza, entre rosas e outras flores. E se você gostou tanto ao ponto de querer levar qualquer uma delas, fique à vontade. Basta escolher qual o tipo de flor, olhar o preço na tabela e deixar o dinheiro na caixinha posicionada na beira da estrada. Ótima oportunidade de presentear uma pessoa querida que estiver viajando com você. É um serviço chamado de self-service de flores, que para os brasileiros pode parecer muito ousado, mas para os suíços funciona perfeitamente.

Enquanto sem sair de Minas Gerais o motorista que quiser ir de Extrema, no Sul de Minas, até Janaúba, Norte do estado, precisa encarar o volante por 1 mil quilômetros, na Suíça o trajeto de Norte a Sul é feito rodando apenas 220 quilômetros, sem encontrar imperfeições no asfalto. Caso a viagem seja de Leste a Oeste, são 348 quilômetros dentro do país europeu, nada que seja problema para quem está acostumado a rodar, por exemplo, 1.124 quilômetros de Aimorés, no extremo Leste mineiro, até Ituiutaba, na outra ponta do estado, passando pelas curvas da temida BR-381 entre Belo Horizonte e João Monlevade, na Região Central de Minas.

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A Catedral de Lucerna, cidade de 80 mil habitantes, chama a atenção pela imponência (foto: Guilherme Paranaíba/EM/D.A.Press)

Ainda no caminho entre Lucerna e Berna, outra parada garante um almoço em um lugar espetacular, na beira da estrada. É o restaurante Koller Huus, que, além de servir refeições excelentes, é um jardim. A família cujo sobrenome é o nome do restaurante começou a cultivá-lo em 1985 e hoje tem praticamente um oásis de plantas e flores variadas, cercando as mesas onde as pessoas fazem as refeições.

Se o carro garante as melhores paisagens, o trem dá a maior tranquilidade e é o maior exemplo da eficiência de um país por meio do transporte público. Proporcionalmente, a Suíça tem a maior malha ferroviária do mundo quando comparada com o tamanho do país. Na prática, isso significa chegar a qualquer canto sem precisar pegar um carro e ligar um GPS, apenas com a missão de curtir as paisagens e aproveitar cada lugar, sabendo que o tempo das viagens é respeitado religiosamente e normalmente não há atrasos ou erros. Basta olhar na tela de cada estação e traçar o plano de viagem de acordo com o horário das saídas.

Mesmo com 240 empresas diferentes, entre companhias privadas e órgãos públicos operando o sistema de transporte público de trens, barcos e ônibus, todas as possibilidades estão integradas por um único bilhete, o Swiss Travel Pass. Com ele, o visitante viaja por todo o país sem a necessidade de comprar tíquetes em cada terminal ou a cada viagem. Mais um ponto positivo quando você não conhece a Suíça e tem a tranquilidade suficiente para rodar para baixo e para cima sem precisar saber como proceder. Os preços do Swiss Pass variam de 210 (R$ 798) a 704 francos suíços (R$ 2.695) de acordo com a quantidade de dias e se o documento é de primeira ou segunda classe.

Museu do Transporte

Em Lucerna, não deixe de visitar o Museu do Transporte da Suíça, atração mais procurada de todo o país. Mais de 3 mil objetos estão espalhados pela área de 20 mil metros quadrados, contando toda a história dos transportes rodoviários, ferroviários, aéreos e aquáticos. Carros, submarinos, barcos, aviões e locomotivas estão expostos ao público ao preço de 30 francos suíços para os adultos (R$ 118).

SAIBA MAIS

Grand Tour

O Grand Tour da Suíça é uma rota sugerida pelo governo local aos turistas que visitam o país. O percurso soma 1,6 mil quilômetros e liga as principais cidades, como Zurique, Berna, Lucerna, Genebra, Basileia, Lausanne e Lugano, passando por 11 áreas tombadas pelo patrimônio mundial da Unesco, duas reservas da biosfera e 22 lagos. Fazer a rota completa do Grand Tour significa percorrer as três principais regiões linguísticas do país (alemão, francês e italiano) e o tempo mínimo de dedicação caso se faça todo o percurso de carro é de oito dias, com cinco horas diárias dirigindo.


*O repórter viajou a convite da Switzerlad Tourism e da Swiss International Air Lines

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