Reconstrução do país atrai turistas para uma imersão na história e na cultura Khmer

Estrutura urbana deixa a desejar, mas quem visita a região se encanta com os templos, a culinária, a dança e as massagens

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Aberto ao turismo, após a sangrenta ditadura do Khmer Vermelho, há pouco mais de duas décadas, o Camboja, reino de constrastes sociais e de pobreza extrema, é um país em reconstrução. Pelos portões da mágica Angkor, que exibe ao mundo as belezas de uma civilização por séculos considerada “perdida”, passaram, só em 2014, pouco mais de 4,5 milhões de turistas.

O crescimento vertiginoso no fluxo de visitantes, que quadruplicou em 10 anos, aliado a uma infraestrutura urbana ainda frágil, transforma algumas ruas de Siem Reap em uma confusão de motos, tuk-tuks, carroças puxadas por bicicletas, disputando espaço com carros e pedestres. O país tem todos os problemas típicos da pobreza: esgoto a céu aberto, crianças vendendo objetos nas saídas de pontos turísticos. Apesar das dificuldades e a luta pela sobrevivência, o povo é alegre e muito trabalhador.

A infraestrutura hoteleira é ótima. E embora a joia da coroa sejam as ruínas de mais de 30 templos – só nas imediações de Siem Reap – vale uma imersão nessa cultura para conferir a tradicional produção artesanal de seda, a culinária, a dança e as fantásticas massagens.

Check list


>> Angkor Wat

Bertha Maakaroun/EM/D.A. Press
Uma das joias da arquitetura Khmer, Angkor Wat, é o maior monumento religioso do mundo (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A. Press)

“A cidade que é um templo” é o maior monumento religioso do mundo e foi escolhido pelo blog 1001 lugares pra se viver como um dos mais espetaculares do mundo, expressão do apogeu da arquitetura Khmer.

>> Banteay Srei (Cidadela de mulheres)

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Banteay Srei foi edificado na segunda metade do século 10 para sacerdotes (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A. Press)

Esse templo hindu da segunda metade do século 10 está a 27 quilômetros de Siem Reap e se diferencia do conjunto de Angkor pelo emprego de arenito rosado e por não ter sido edificado para a realeza, mas para sacerdotes. É protegido por três muros e pelo que restou de um fosso. No santuário central há relicários dedicados ao deus hindu, Shiva, um dos três da trindade (é chamado o destruidor). Há também no templo representações de Parvati, consorte de Shiva, do rei macado Hanuman e do divino pastor de cabras Krishna, além de Ravana, rei demônio.

>> Angkor National Museum
Museu arqueológico que oferece informações sobre a ascensão e a queda do Império Khmer, aspectos de sua cultura e religião. A visita vale, se possível, antes do passeio aos templos distribuídos pelo Parque Arqueológico de Angkor.

>> Apsara show

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Bailarinas distraem os turistas com a leveza de gestos e flexibilidade nos passos de dança (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A. Press)

Em vários hotéis de Siem Reap – e em alguns templos – são realizados jantares com reserva antecipada em que há performances da tradicional dança Khmer. O estilo clássico data da era em que Angkor ocupou o centro político do Império Khmer. As bailarinas são treinadas desde crianças para desenvolverem a flexibilidade  do corpo  e das mãos, que devem ser capazes de se envergar.

>> Culinária

Ainda pouco conhecida no mundo Ocidental, a maravilhosa gastronomia do Khmer é uma fusão das culinárias tailandesa, vietnamita e chinesa, mas também foi influenciada pela francesa, em decorrência da colonização (1863-1953). O arroz é o alimento principal. Mas os peixes e frutos do mar, as carnes bovina, suína e de frango, hortaliças e frutas são muito consumidas. Se há um lugar no mundo onde a arte de misturar especiarias está avançada, esse lugar é o Camboja. Para formar o kroeung, eles combinam com maestria ingredientes como cravo-da-índia, canela, gengibre, açafrão, noz moscada, cardamomo com alho, cebolinha, erva cidreira, coentro, limão entre outros. Um dos pratos populares no jantar cambojano é o kuy teav, uma sopa de massa de arroz feita num caldo à base de carne de porco e vegetais, temperada com camarão seco e condimentos. É servida com camarão fresco cozido. Ainda muito usados nos molhos que acompanham pratos típicos são o pra-hok, uma pasta de peixe fermentada e o kapi, uma pasta de camarão fermentada.

>> Produção de Seda

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Artesã tira o sustento de sua família na cooperativa, que faz um trabalho social e sustentável (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A. Press)

Os trabalhos em seda são excepcionais. Essa é uma tradição do Camboja. O comércio data do século 13. Influenciados pela Rota da Seda, os aldeões começaram a criar bichos da seda às margens dos rios Mekong e Bassac. Atualmente, a produção artesanal é recuperada pela cooperativa Angkor Artisans, que faz um trabalho social e sustentável, treinando pessoas nas técnicas, repetindo o mesmo modo de produção. Com a atividade geram o sustento de suas famílias. Uma variedade de larvas da Bombyx mori (uma espécie de mariposa) é cultivada. Essas larvas se alimentam das folhas de amoreira durante três semanas. Depois elas tecem um casulo dourado. O fio de seda desses casulos é então lavado e depois tingido com produtos naturais. Desde vestuário a jogos de mesa, a produção das artesãs é diversa.

Confira uma matéria exclusiva sobre o "Templo das Árvores" no blog. 1001lugarespraseviver.com é um espaço de construção coletiva voltado para a cultura, o lazer e o prazer em compartilhar imagens e experiências de diferentes lugares do  planeta que, juntos, elegeremos como os mais espetaculares.

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