Vietnã guarda relíquias da guerra e belezas naturais impactantes

Ainda pouco explorado por brasileiros, Vietnã desponta como um dos principais destinos de turistas. Baías de Halong Bay e Tam Coc estão entre as paisagens mais deslumbrantes do mundo

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Bertha Maakaroun/EM/D.A.Press
Vista de Halong Bay: local atrai turistas do mundo todo (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A.Press)

Uma das frases gravadas em isqueiros Zippos pelos soldados americanos que lutaram no Vietnã e registrada por um fotógrafo dá a dimensão do drama de quem participou da guerra: “Eu tenho certeza de que irei para o céu, porque passei meu tempo no inferno”. Se há controvérsias sobre o destino do soldado, não há dúvidas sobre o do Vietnã. Seja por Ho Chi Minh, antiga Saigon, ou por Hanói, que segue a capital do país, ambas portas de entrada, revela-se a mescla cultural que transformou o inferno dos americanos nos anos 60 e 70 em atual paraíso terrestre dos turistas.

Veja mais no blog "1001 Lugares Pra Se Viver", da jornalista Bertha Maakaroun

Embora ainda pouco explorado por brasileiros, o Vietnã já desponta como um dos principais destinos de chineses, japoneses, russos, americanos e europeus. Para além de atrações espetaculares como Halong Bay e Tam Coc – que inauguram o blog 1001 lugares pra se viver – e estão entre as paisagens cênicas mais deslumbrantes do mundo, o turista é acolhido por um povo cortês, bem-humorado, tolerante, que, à primeira vista, em sua aparência esguia e pequena, nem de longe sugere a sua capacidade de resistência.

São séculos de história marcados pela tenacidade e luta ao longo do processo de fundação e independência do Vietnã, seja da dominação mongol-chinesa, da francesa, da japonesa ou da norte-americana. Atualmente, 54 grupos étnicos convivem no país e formam uma população de cerca de 90 milhões, entre os quais 86% são da etnia kinh, de origem mongol. Eles dividem as planícies onde é cultivado principalmente o arroz – o Vietnã é o segundo maior exportador do mundo – com a etnia chinesa hoa e com os povos Khmer e Cham.

Passeio pelo tempo


A partir de Hanói, cidade com 7,8 milhões de habitantes, incluindo a região metropolitana, a trilha da história recente do Vietnã se inicia no Mausoléu de Ho Chi Minh. Localizado na Praça Ba Dinh, em 2 de setembro de 1945, após derrotar os japoneses, Ho Chi Minh proclamou a independência nacional. Este é um dos três únicos locais do mundo onde se pode ver o corpo em impressionante estado de conservação de uma liderança política já falecida. Assim como Lênin e Mao Tsé Tung, Ho Chi Minh jaz impecável. Milhões seguem, todos os anos, em reverência para admirá-lo, apesar de seu expresso desejo de ser cremado após a sua morte, em 1969.

O mausoléu de Ho Chi Minh foi construído entre 1973 e 1975. As liderança comunistas da época decidiram preservá-lo como uma forma de eternizar suas ideias e fortalecer o vínculo com a população, que, na ocasião, ainda estava submetida às agruras da guerra contra os americanos. As visitas têm entrada entre as 8h e as 11h, de terça a quinta-feira; sábados e domingos, a última entrada ocorre às 10h15. E são suspensas, em média dois meses ao ano, quando o corpo segue para Moscou para novos procedimentos destinados à sua conservação. A dica é chegar bem cedo, pois, ao longo do dia, as filas se tornam longas. Como nos demais mausoléus, não é permitido fotografá-lo, os trajes de quem entra têm de ser apropriados e a visitação consiste apenas em caminhar por alguns minutos, sem paradas prolongadas dentro do mausoléu, onde a liderança máxima dos vietnamitas, carinhosamente chamado de Tio Ho, está embalsamada.

Bertha Maakaroun/EM/D.A.Press
Cena típica em regiões históricas, como a cidade de Hoi An, no Centro do Vietnã: comércio voltado para a rua e vietnamita transportando objetos (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A.Press)

Do mausoléu ao palácio presidencial são cinco minutos de caminhada. Precursor do presidente uruguaio Pepe Mujica, o líder socialista de origem muito humilde nunca quis se adaptar aos luxos e regalias do poder. Deixando o palácio presidencial para os eventos oficiais e as atividades formais e de representação do cargo, Ho Chi Minh cultivou a simplicidade e o bom humor. As duas casas onde viveu em períodos diferentes estão expostas no complexo. Nem sequer têm banheiros em seu interior.

Esta é a revisita de um tempo que parece definitivamente sepultado, onde ainda havia políticos comprometidos em expressar os seus pensamentos também com exemplos existenciais em busca da essência da política: a felicidade. Certa vez, assim descreveu Ho Chi Minh a liberdade: “Mesmo com as mãos e pés atados pude sentir o cheiro das flores, ouvir o canto dos pássaros e ver as belas cores da manhã”. Expressão de um modo de vida. Talvez, por isso, as casas onde viveu foram preservadas dos bombardeios americanos durante a guerra.

Passear pelo Bairro Antigo, em Hanói, é retroagir no tempo colonial. O Museu de História guarda rico acervo de peças do Império Khmer e do Reino dos Champa, assim como de outras civilizações anteriores aos viets. Uma visita ao Museu da História Militar, onde todas as relíquias das guerras vietnamitas estão em exposição, também é interessante.

Halong Bay


Patrimônio da Humanidade, a bela baía abrange área de 1.500 quilômetros quadrados, e apresenta mais de 1,6 mil formações cársticas em formatos exóticos e de vegetação nativa intocada. Entre as ilhas estão abrigadas as mais belas e cênicas vilas de pescadores do mundo. No meio do caminho sempre é possível encontrar pessoas comercializando frutas, água e guloseimas (foto). Confira no blog 1001lugarespraseviver.com imagens e a ambientação deste cenário, escolhido entre os mais belos do mundo. A melhor forma de conhecer as ilhas da baía é por meio de um cruzeiro, que parte de Hon Gai Harbour, a 147 quilômetros de Hanói.

 

Templo da Literatura: Van Mieu

Este é o mais bonito e antigo complexo arquitetônico de Hanói. Construído em 1070, durante a Dinastia Ly, foi fundado para difundir as ideias do filósofo chinês Confúcio. Era um local de estudos e reflexão e educou durante sete séculos os mandarins do Vietnã, sendo por isso considerado a primeira universidade vietnamita. Construído no estilo chinês, combina cinco pátios com construções de interior ricamente decoradas. O altar de Confúcio é um dos mais belos, assim como seus pátios ajardinados e o Poço da Clareza Celestial.

Museu da Prisão de Hoa Lo

La Maison Centrale é o que sobrou do complexo da prisão de Hoa Lo, construída pelos colonos franceses em 1896 para encarcerar os seus desafetos políticos, especialmente aqueles que lutavam pela independência da Indochina. Foi construída para abrigar até 500 homens e mulheres, mas ultrapassou a população projetada e os espaços onde os homens e mulheres eram trancafiados até hoje impressionam mesmo os brasileiros, acostumados a um padrão prisional medieval.

Contraste entre o moderno e o tradicional

Hoang Dinh Nam/AFP - 14/12/14
Edifícios modernos contrastam com o estilo de vida mais pacato vivido nas cidades do interior (foto: Hoang Dinh Nam/AFP - 14/12/14)
Nas grandes cidades vietnamitas, como Ho Chi Minh e Hanói, o caos é comum, principalmente no trânsito. Por todos os lados, grupos de motos de todos os tipos prevalecem sobre pedestres e carros. Cruzar a pé uma avenida movimentada em uma delas é uma aventura estressante para um ocidental... Mas não para os vietnamitas. Ao estilo da teoria dos jogos, eles se lançam à frente do trânsito sinalizando com as mãos. A cada passo na bagunça sincronizada, uma nova negociação com um novo motociclista. Com a proteção de Buda, lentamente o ilhado pedestre chega lá. Em geral, vivo. Ho Chi Minh e sua região metropolitana têm cerca de 9 milhões de habitantes.

Ali, a combinação entre o moderno e o tradicional do Vietnã, ou melhor, dos Vietnãs, dado que entre 1954 até a queda de Saigon, em 1975, eram países distintos, é pulsante. Em Ho Chi Minh, antiga capital do Vietnã do Sul, são imperdíveis as visitas ao antigo palácio do governo, atualmente denominado Palácio da Reunificação; o Museu da Guerra; e o Pagode do Imperador de Jade, joia da arquitetura vietnamita do início do século passado, de forte inspiração chinesa. Valem ainda a visita os vários hotéis construídos no período colonial pelos franceses que foram preservados e restaurados, como o Rex, preferido pelos jornalistas de todo o mundo durante a Guerra, e o Majestic Saigon, com vista panorâmica do rio e do vaivém frenético das ruas e avenidas de Saigon.

Palácio da Reunificação

O prédio em estilo modernista é um dos poucos que restaram do Vietnã dos anos 60. Ele é emblemático porque foi o ponto de diversos momentos da vida do país. Ele está preservado da mesma forma como foi encontrado no dia da queda de Saigon, em 30 de abril de 1975. O palácio foi transformado em um museu e em seu pátio estão os tanques do Vietnã do Norte que o invadiram no dia da reunificação do Norte e do Sul. Ao percorrê-lo, o turista pode visitar os aposentos presidenciais, as salas de reunião, os salões para recepção e o bunker no subsolo, com toda a aparelhagem de comunicação usada durante a guerra.

Pagode do Imperador de Jade

Construído em 1909 em homenagem à suprema divindade taoísta, o pagode é na verdade uma fusão das mitologias budista, taoísta e confucionista, crenças predominantes no país à época. Entalhes nas enormes portas de madeira e o conjunto arquitetônico externo, no qual combinam uma fachada rósea com as telhas verdes de cerâmica, são preciosidades do estilo vietnamita que ainda era parcialmente influenciado pelos padrões chineses da época.

Museu da Guerra

Neste museu estão retratados em fotografias muitos dos horrores cometidos na Guerra do Vietnã. Algumas realmente chocantes, como o massacre de My Lai e outros que não receberam destaque da mídia internacional. Uma sala é dedicada a descrever os efeitos da guerra química sobre as crianças e os bebês, filhos e netos de ex-combatentes e civis que habitavam principalmente a região de Cú Chi. Há também no pátio armamentos pesados usado pelas tropas americanas, como caças F-5, helicópteros, canhões de vários calibres e bombas.

Gastronomia surpreende turistas


No Vietnã, você terá a oportunidade de saborear pratos surpreendentemente deliciosos e únicos, a preços bastante razoáveis – entre US$ 15 e US$ 20 por pessoa em restaurantes finos. Há uma ampla gama de cardápios, inclusive de culinária internacional. No Norte, carnes exóticas, como de cachorro, são iguaria e toma-se vinho de cobra. A Região Central tem tradição vegetariana e a sofisticada cozinha real de Hue. As regiões ao Sul são mais ricas em produtos tropicais. São pratos tradicionais do país a sopa de macarrão com carne (Pho), salsichas de porco (Gio Lua), bolinhos de peixe (Cha ca) e rolinhos primavera (Nem Ra), envolvidos em folhas verdes e mergulhados em molho agridoce. Alguns pratos levam frutos do mar como lagostas, peixes, caranguejos e lulas.
Bertha Maakaroun/EM/D.A.Press
(foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A.Press)

Visto
Viajar ao Vietnã requer organização e planejamento. Para começar, o cidadão brasileiro precisa de visto para entrar no país. Com sede em Brasília, a embaixada do Vietnã é a autoridade responsável pela emissão. O passo a passo para a obtenção está disponível no site www.vietnamembassy-brazil.org. Em geral, a embaixada solicita um prazo de cinco dias úteis para processar o pedido, após o recebimento dos documentos – que podem ser enviados pelos Correios. Mas antes você precisará preencher o formulário on-line no endereço visa.mofa.gov.vn/Homepage.aspx (marque a opção inglês no alto da página). Também é exigido o pagamento de uma taxa, por meio de transferência bancária, que varia de R$ 150 a R$ 320, dependendo do tempo de viagem e número de entradas.

Chegada

A porta de entrada para o Vietnã é por Hanói ou Ho Chi Minh (antiga Saigon). As companhias brasileiras não voam até o Sudeste asiático. Você deverá decidir, segundo a sua conveniência, se prefere escalas na Europa ou no Oriente Médio. Sem considerar o tempo de escalas em solo, você viajará em média 24 horas para chegar lá. O preço da passagem vai depender de promoções ou do período que pretende ir. Se adquirida com antecedência, custará entre US$ 2 mil e US$ 3 mil.

Melhores épocas


As melhores épocas do ano para ir ao Vietnã são durante o inverno (dezembro, janeiro e fevereiro), quando o clima é mais seco e mais agradável. É preciso se vacinar também. É obrigatório apresentar o comprovante internacional de vacina contra febre amarela. Recomenda-se tomar as vacinas contra hepatite A, tétano e febre tifoide. A imunização deve ser feita até 10 dias antes da viagem.

Por dentro do Vietnã

Fuso horário: 10 horas a mais

Geografia
O Vietnã é um país longo e estreito. Ocupa a costa oriental da Península da Indochina, sobre o Golfo de Tonkin e o Mar da China. O território de
331,1 mil quilômetros quadrados apresenta regiões montanhosas e densas florestas tropicais. Tem mais de 3 mil quilômetros de litoral.

Clima
O clima tropical é o predominante no Vietnã. Há duas temporadas bem definidas. Entre maio e outubro, o clima é quente e úmido, com temperaturas superiores a 35 graus e muitas chuvas. Entre novembro e março o clima é mais seco. E as temperaturas são bastante agradáveis, variando entre 22 e 27 graus. Naturalmente, há variações acentuadas de temperatura entre as regiões Norte (montanhosa), Sul e litoral central.

Língua oficial
Vietnamita. Mas você conseguirá, com paciência, se comunicar em inglês. O sotaque é muito particular e exigirá algum esforço.

Não deixe de levar
Repelente, protetor solar, roupas leves, mas preferencialmente que protejam a pele.

Moeda
Viet dong. Cada dólar vale cerca de 26 mil viet dongs.

Cuidados
Atravessar ruas em Hanói e Ho Chi Minh é empreitada de alto risco em decorrência do volume de motos e a falta de sinalização para pedestres. Evite.

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