"A diversidade cultural faz NY", diz Protagonista do canal Amigo Gringo

Seth Kugel fala sobre a ideia de levar dicas de comportamento e turismo, e ainda aconselha a procurar bairros fora do roteiro tradicional da cidade

por José Carlos Vieira 29/07/2015 10:00

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Arquivo pessoal
(foto: Arquivo pessoal )
Responsável pelo programa Amigo gringo, no YouTube  (youtube.com/canalamigogringo), Kugel é um americano daqueles de crachá, mas tem forte queda pelo Brasil, onde viveu por cerca de dois anos como jornalista. Gosta de dizer que Nova York vai muito além do glamour de Manhattan. E ele tem razão. Regiões como o Brooklin e o Queens (onde mora) ainda preservam o jeito nova-iorquino de viver. O ritmo é outro.


Como surgiu a ideia de dar dicas aos turistas brasileiros que visitam Nova York?
A verdade é que virei o ‘amigo gringo’ na minha primeira viagem ao Brasil, em 2004. Comecei a falar com os novos amigos brasileiros sobre diferenças culturais e de comportamento e, nos anos seguintes, tive mil conversas sobre os mesmos temas em bares, táxis, aviões, praias e até comunidades ribeirinhas da Amazônia. Na última década, passei a dar dicas para centenas de amigos brasileiros que visitaram Nova York (também escrevi uma coluna no The New York Times sobre o que fazer por lá). O Amigo gringo só virou um canal mesmo graças a uma startup de São Paulo, a Rede Snack, que entrou em contato para bater um papo sobre a possibilidade de fazer isso no YouTube.

Brighton Beach: Seth aconselha a visita a este bairro de imigrantes russos

Qual a diferença do visitante brasileiro e o visitante japonês, por exemplo?

Cada turista traz a cultura dele. Em geral, as maiores diferenças são que o brasileiro é mais extrovertido, mais social com desconhecidos, e mais… barulhento! As primeiras duas coisas são boas. Outra diferença é que o brasileiro é absolutamente obcecado por compras. O que não é bom. Enquanto o turista japonês é vidrado em atrações turísticas durante uma viagem só, o que também não é bom. Assim, os dois grupos perdem a melhor parte de Nova York – andar pelos bairros, comer em restaurantes independentes, conhecer a vida nova-iorquina.

Quais são as principais mancadas dos brasileiros em NY?

O brasileiro perde a viagem inteira fazendo compras. Muita coisa pode ser mais barata aqui, tudo bem. Mas planeje bem: para comprar no B&H, loja de eletrônicos que todo brasileiro visita, aconselho fazer uma lista antes, pesquisando no site deles. E se decidir ir para os outlets, um dia só – pegue o mapa e planeje a rota e o horário para chegar eficientemente a todas as lojas. Depois, mais um dia de compras em Manhattan e acabou. No resto, seja um turista normal: conheça a cidade. Mais uma mancada seria ficar nas áreas de Midtown-Central Park-Upper East Side, onde estão concentradas as maiores atrações turísticas, e não sair para outros bairros (missa gospel no Harlem não conta, também é muito turística!). Qualquer bom guia vai ter informação sobre Brooklyn, Queens e The Bronx, e mais informações sobre o Harlem e o os outros locais menos conhecidos de Manhattan. O Bronx tem muitas atrações legais, inclusive o melhor jardim botânico e o zoológico, e o melhor bairro italiano – superior ao Little Italy. E nenhum desses lugares que acabo de mencionar é perigoso.

Nova York é um dos principais destinos de brasileiros nos EUA. Muitos, cansados dos tradicionais cartões-postais de Manhattan, aventuram-se por outras regiões menos badaladas. O que você indicaria fora da agitação da cidade?
Uma boa opção é fazer uma viagem culinária a Jackson Heights Queens, onde há restaurantes bem baratos de imigrantes indianos e até tibetanos (pela 73th e 74th Streets) e hispânicos (pela 37th Av). Outro passeio desse tipo e que vale muito a pena é para o Chinatown de Flushing, no fim da linha sete do metrô. É 100 vezes melhor do que o Chinatown de Manhattan, com mais variedade (inclusive muitos lugares coreanos e taiwaneses) e, se estiver preocupado com a limpeza, há uma praça de alimentação asiática eficiente no New World Mall (mas é muito difícil achar uma mesa, arrume uma antes de pedir a comida!). Também uma viagem a Brighton Beach, bairro russo, é bem interessante. E os museus pequenos da cidade são bons. É só fazer uma busca que o Google dá a lista inteira de museus, e escolher os que nunca ouviu falar.

É difícil escolher onde dormir em Nova York. Quais você mais curte e aconselha?

A regra número um é não ficar em Midtown (mais ou menos das ruas 30 até 60 de Manhattan). Por quê? Porque a área não é residencial. Assim, à noite algumas partes não têm ninguém nas ruas, e em outras são só conglomerações de turistas. Para quem pode pagar, recomendo um hotel no West Village, East Village, Soho, Chelsea, Lower East Side ou por aí. Para quem não tem muita grana, há estabelecimentos mais baratos nessas áreas. Vai poupar muito dinheiro se aceitar um hotel com banheiro compartilhado no corredor, o que não é tão ruim quanto se pensa. Também há as opções de alugar apartamentos, pelo Homeaway ou o conhecido Airbnb.
Bisões no zoológico do Bronx: uma Nova York que poucos conhecem

Afinal, qual é a língua que se fala em Nova York? E a diversidade cultural, faz bem ou faz mal?
Apesar do imenso número de imigrantes, nosso idioma ainda é o inglês (com vocábulos nova-iorquinos, que ensino ao fim de cada vídeo do Amigo gringo). Os imigrantes mais recentes, obviamente, ainda estão aprendendo, boa notícia para os turistas que têm medo de não falar perfeitamente o inglês. Porque muitos residentes da cidade nem falam inglês perfeito. Simples: a diversidade cultural faz Nova York. Os imigrantes, claro, mas não esqueça que também temos uma mistura de pessoas de todos cantos dos Estados Unidos, que diferem não só por cor ou etnia, mas por região do país, cada uma com cultura diferente. Em Nova York, temos tudo. Nova York sem diversidade não existe.

Qual a sua relação com o Brasil? Você faz parte dos que acreditam que o nosso país tem futuro?

Morei no Brasil por dois anos, o que é pouco tempo, mas visito sempre, várias vezes por ano. Passo meus dias aqui em Nova York falando muito português, com amigos e enquanto escrevo os roteiros e participo na gravação do Amigo gringo. Ou seja, Brasil já faz parte de mim. Só que não gosto muito quando os brasileiros falam “você já é brasileiro”. Não sou. Mas adoro muitos aspectos da cultura e do povo. Digo “muitos” e não “todos” porque é um país imperfeito, como todos. Como será o futuro do Brasil? Não sei dizer, mas um bom começo seria uma reforma política e uma mudança de atitude da elite brasileira – as duas coisas fariam muito bem no meu país também.

O jornalista viajou a convite da NYC & Company e da Copa Airlines

 

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