Na Bahia do axé, quem manda na festa junina é a sanfona

Destinos pouco tradicionais para celebrar os santos se destacam em junho e julho: Chapada Diamantina, Goiás e até São Paulo reúnem fogueira, danças e guloseimas típicas

por Gabriella Pacheco 24/06/2015 00:06

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Gabriela Pacheco/EM/D.A Press
Bandeirolas coloridas enfeitam a Chapada Diamantina (foto: Gabriela Pacheco/EM/D.A Press)
Na Chapada Diamantina, interior baiano, subindo pela estrada calçada de pedras sob a luz da lua, pouco se vê além das fogueiras, que iluminam a rua e aquecem pequenos grupos de amigos ou amantes. Em junho, a temperatura no Vale do Capão beira os 10 graus durante a noite, por isso as fogueiras têm de ser aliadas a um ou dois goles de licor. Eles são essenciais para tornar os passeios noturnos à vila mais agradáveis. De longe é possível escutar o som da sanfona, da zabumba e do triângulo: durante as festas juninas não se ouve axé, pagode nem samba na Bahia, só forró. E mesmo quem não é íntimo do ritmo não resiste a mover os pés e o quadril quando se aproxima da pequena multidão celebrando o são-joão no coreto da praça.

A Chapada, localizada no Centro-Oeste baiano, onde está o parque nacional homônimo, famoso por rica beleza natural e paraíso do ecoturismo, é uma das escolhas preferidas dos baianos do litoral para curtir as festas juninas. Menos badalada que as cidades pernambucanas onde a tradição atrai multidões, a região é uma ótima opção para quem deseja conhecer um são-joão à moda antiga e bem mais ‘roots’ que os experimentados nas cidades grandes, seja em qual estado for. E o melhor é que de quebra ainda dá para tomar banho de cachoeira e explorar as várias trilhas locais.

'Roots' é a definição perfeita para o que espera os visitantes lá. No Vale do Capão, a festa ocorre ao redor do coreto, na praça com chão de terra batida. Apesar de pertencer a Palmeiras, cidade de cerca de oito mil habitantes, a vila tem alma própria. Incrustado no meio do parque, o Capão tem um quê místico, resultado da migração de seguidores holísticos nas últimas quatro décadas, mas que nunca perdeu sua raiz sertaneja. Hoje, o lugar recebe anualmente desde hippies a aventureiros sem dever opções de lazer para nenhuma das tribos.

A despeito da simplicidade do lugar, a festa de São João lá é completa. As barraquinhas para a venda dos quitutes da estação são improvisadas, assim como em outros cantos do interior, com madeira, bambu e galhos de palmeira. Caldos, quentão e pé de moleque são indispensáveis, mas estando lá não deixe de experimentar o pastel de palmito de jaca e a pizza vegetariana. A diversão é local e as bandas de forró pé de serra que animam as noites são sempre da região.

ATIVIDADES DIURNAS Durante o dia, as atrações são variadas. O Capão tem algumas das cachoeiras mais bonitas da Chapada Diamantina, sendo a mais famosa delas a Fumaça. Com 340 metros, a queda d’água é uma das maiores do país. A trilha saindo da vila é uma das que exigem mais disposição e tem seis quilômetros de extensão. Outra dica imperdível é subir o Morro do Pai Inácio. Não é preciso ter um supercondicionamento físico para chegar ao topo dos 1.200 metros. A trilha, localizada às margens da BR-242, é íngreme, porém curta – um bom par de tênis e bermudas ajudam a subida. E, assim como em tantos outros casos na Chapada, o esforço vale a pena. É do alto do morro que se tem um dos cartões-postais mais famosos do Brasil e uma vista de tirar o fôlego.

SERVIÇO
Chapada Diamantina

De Belo Horizonte para Ilhéus ou Salvador há voos diários pela TAM, Gol e Azul. Às quintas-feiras e domingos, a Azul oferece voos entre Lençóis e Salvador. Se a opção for de ônibus, linhas diárias fazem o trajeto partindo de Salvador para Lençóis ou Palmeiras, vans com quatro saídas por dia levam turistas para o Vale do Capão.
Informações sobre onde se hospedar, guias na Chapada, trilhas e onde comer:


www.guiachapadadiamantina.com.br

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