Clássico do cinema Easy rider inspira muita gente a pegar a estrada de moto

Independência de estar consigo mesmo ou em grupo e curtir cada paisagem do roteiro servem de motivação para quem encara esse desafio

por Gustavo Perucci 17/06/2015 00:02

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Arquivo Pessoal
Deserto do Atacama/Chile (foto: Arquivo Pessoal)
“Eles não têm medo de vocês. Eles têm medo do que vocês representam. O que vocês representam para eles é a liberdade.” É assim que o advogado alcoólatra George Hanson, interpretado por Jack Nicholson, explica o medo que a sociedade norte-americana demonstra pelos motociclistas hippies Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper) durante sua jornada pelos Estados Unidos, no clássico do cinema Easy rider (1969). E esse sentimento de liberdade é a grande inspiração para quem resolve deixar o carro em casa, subir numa moto e pegar a estrada.


Um dos roteiros mais famosos entre os motociclistas é o da Rota 66, antiga estrada que cortava os Estados Unidos no sentido Leste/Oeste, e ia de Chicago (Illinois) a Santa Monica (California). Substituída pelas modernas highways (foi oficialmente desativada em 1985), sua rota ainda é das principais atrações turísticas do país. Passando por sete estados e centenas de cidades, a estrada, imortalizada no blues (Get your kicks on) Route 66, de Bobby Troup, é repleta de belas paisagens e parques, construindo cenário perfeito para se conhecer a história dos EUA.


Mas não só de roteiros clássicos vivem os motociclistas. E a liberdade é a guia também para o planejamento da viagem. E foi assim, sem seguir rotas pré-definidas, que nasceu a paixão do administrador de empresas mineiro Rômulo Provetti pelas viagens sobre duas rodas. “Comprava carro, mas sempre tive moto. Em 2007, tinha uma Twister (Honda) e resolvi ir para Sete Lagoas. Nunca tinha pegado estrada com moto. Fiz essa pequena viagem, de cerca de 80 quilômetros, e tomei gosto”, conta. A afinidade com a viagem foi tanta que, quando teve a oportunidade, Rômulo se armou com um dos maiores ícones do motociclismo: comprou, “com prestações a perder de vista”, sua Harley-Davidson. “Comecei a fazer pequenos passeios perto de BH. Depois, passei a fazer viagens mais longas e, nos fins de semana, ia para outros estados, como São Paulo”, lembra.


Foi em 2008 que o administrador enfrentou um grande desafio: dois amigos o chamaram para fazer uma viagem de moto até o Chile. “Foram oito meses de planejamento. Pouco tempo antes da viagem, eles desistiram. Até procurei companhia mas, como não encontrei ninguém, decidi ir sozinho. Mudei o roteiro e, em vez de ir para Santiago, fui para o Deserto do Atacama. Foi marcante.” A partir daí, ano após ano, Rômulo pega sua moto e cai na estrada. “Foi uma viagem fantástica, que mudou minha vida. Fui sozinho, mas, no percurso, conheci várias pessoas. Um grupo de motociclistas do Paraná e outro de Uberlândia, que até me ajudaram durante a viagem.”


Em 2010, o administrador aceitou o convite de um amigo que residia na França e, em uma Honda Transalp 750cc usada, rodou a Europa. Em 2011, a convite da Harley-Davidson, voltou ao continente europeu e, com o filho na garupa, conheceu as belezas da Península Ibérica. “Foi uma viagem inesquecível para nós dois”, lembra. No ano seguinte, Rômulo e o amigo Marcelo Penna Guerra pegaram suas motos e, em 27 dias, rodaram mais de 11 mil quilômetros pela América Latina, na viagem que o inspirou a escrever o livro A caminho do céu (2013, Ed. Nova letra). “Saímos de BH e seguimos por Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Peru, Bolívia, Chile, Argentina e Paraguai.


Depois, voltamos por Foz do Iguaçu. Foi nessa viagem que conheci o Salar de Uyuni, na Bolívia, que inspirou o nome do livro. Parece que você está no céu. É um lugar maravilhoso”, conta. Nos anos seguintes, Nordeste e Sul do país, extremo Sul da Argentina e para este ano, um outro grande destino: a Índia. ““Em setembro, vou com um amigo à Índia. Vamos alugar duas Royal Enfield, moto com visual bem clássico, e atravessar as estradas mais altas do mundo, na região do Himalaia. Serão mais de três mil quilômetros em 16 dias”, diz, animado.


Arquivo Pessoal
Região de Alentejo/Portugal (foto: Arquivo Pessoal)
Além do gosto pela literatura, Rômulo desenvolveu nesses anos de estrada o interesse pela fotografia. Prestes a lançar um novo livro relatando sua primeira grande viagem, ele espera inspirar cada vez mais pessoas. “Eu, que mal conhecia a Região Sudeste brasileira, já visitei mais de 15 países. Fui a lugares que nunca imaginei. Andei numa geleira, tirei foto com a moto na Torre Eiffel. O mais importante é que minha experiência sirva de motivação para outras pessoas”, comenta.

 

CUIDADOS E PLANEJAMENTO

Iniciantes devem ter uma preparação e tempo de adaptação à própria moto. Geralmente, o corpo não está acostumado com a posição por tanto tempo.

» Comece aos poucos, com viagens curtas.
» Programe paradas a cada
duas ou três horas.
» Estude muito, leia relatos de viagem. É possível aprender muito com os erros dos outros.
» Planeje muito bem o roteiro, se informar sobre as condições da estrada, postos de combustível
» Pense na alimentação ao longo do trajeto, hidratação e alongamento das pernas e braços.
» Respeite o limite do corpo,
da moto e da estrada
» Mantenha a manutenção sempre em dia
» Se sair do Brasil para o exterior, se informe sobre a documentação exigida em cada país
» Leve roupas de frio e protetor solar, fundamental nesse tipo de viagem.
» Mapeie os pontos turísticos que deseja visitar
» Procure ter um conhecimento básico de mecânica, principalmente para saber diagnosticar algum problema com a motocicleta
» Use bons equipamentos, que ajudam até no conforto da viagem

 

Grupos socializam hobby

 

Imagem ligada no passado a gangues, mas icônica no mundo das motos, os grupos de motociclistas organizados superaram o preconceito e são fonte de inspiração e incentivo para a atividade. Palco de socialização, troca de experiências e confraternização, esses grupos organizados fazem parte da essência do universo das motos. E as próprias fabricantes estimulam essa cultura, como o Harley Owners Group (H.O.G.).

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Torre Eiffel/França (foto: Arquivo Pessoal)
“Nos Estados Unidos, por algo cultural, esse preconceito ainda existe. É pequeno, mas existe. Mas ele não chegou ao Brasil. Nas cidades que visitamos nas viagens bate e volta que o grupo organiza, a recepção é sempre muito boa. Às vezes, somos recebidos até por prefeitos e vereadores”, explica Hegler Rocha, professor do curso de engenharia eletrônica e de telecomunicações da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e diretor-assistente do H.O.G. Belo Horizonte.
Hegler conta que sua história com o mundo do motociclismo começou por acaso. Sem nunca ter pilotado e nem se interessado muito pelo tema, resolveu em 2010 comprar uma moto. E foi logo comprando uma Harley. Para ele, sem o grupo, seu gosto pelas viagens de moto, provavelmente, não teria acontecido. “O convívio com o pessoal vai contaminando a gente. E hoje vivou um hobby”, conta o professor que, somente esse ano, já rodou mais de 15 mil quilômetros pela América do Sul com a esposa na garupa. Ele também já foi algumas vezes para os Estados Unidos, percorrendo inclusive a Rota 66, num grupo com 12 motocicletas.

A gerente de marketing da Harley-Davidson em Belo Horizonte, Fernanda Dutra, conta que o grupo oficial da marca foi criado em 1983 e conta com mais de 1 milhão de participantes em 120 países. Nele são dados benefícios, oferecidas palestras e cursos e programadas viagens em grupos.

Arquivo Pessoal
Sala de Uyuni/Bolívia (foto: Arquivo Pessoal)
Existem também os motoclubes, que são grupos independentes organizados com o mesmo princípio de convívio e troca de experiências. “Conheço vários motoclubes. Nunca tive o interesse de participar, muito por conta do H.O.G.. Mas o princípio é parecido”, diz acrescenta Hegler. Independentemente da marca da moto, sites e fóruns na internet trazem relatos de viagem, troca de experiência e dicas de roteiros. Um deles é o Viagem de moto (www.viagemdemoto.com.br), muito interessante para quem pensa em se aventurar sobre duas rodas.


APP QUE É UMA MÃO NA RODA


Startup de BH voltada para o universo dos motociclistas, a Just Ride Along, criada pelos empresários Henrique Costa, Cristiano Souto e Pedro Resende, desenvolveu um aplicativo para iOS para conectar e ajudar os apaixonados por duas rodas. Nele, será possível que o usuário crie e planeje sua própria rota, compartilhe
com amigos, monitore seu desempenho, crie grupos para viagens, envie alertas de incidentes no caminho e acompanhe, compare e desafie outros motociclistas. O app é gratuito e já está disponível na App Store. A versão para Android tem previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano. Para mais informações, acesse www.justridealong.com.

Serviço


» Melbourne Tour
Empresa oferece vários pacotes para Europa, América do Norte, África e Ásia.
Informações:
(11) 3064-9242,
(11) 3061-9706 ou www.mb.tur.br


» América Trip
Empresa organiza viagens para América do Norte e Dubai.
Informações:
(31) 8877-3586,
(31) 3297-5225 ou www.americatrip.com.br


» Exodus Turismo
Empresa oferece vários pacotes pelo Brasil, Europa, América do Norte e Emirados Árabes.
Informações:
(31) 2125-3939 ou www.exodusturismo.com.br

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