Jamaica para poucos: resorts, praias exclusivas e mimos para os mais exigentes

por Daniel Camargos 10/06/2015 00:05

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Kevin Cox/AFP
Praia do resort Grand Lido Sans Souci em Ocho Rios, exclusiva para os hóspedes (foto: Kevin Cox/AFP)
Montego Bay – Uma imensa bandeja com tiras de bacon esturricadas ao gosto dos volumosos turistas dos Estados Unidos, outro recipiente com Nutella que parece infinita, pães de todos os tipos, ovos mexidos, omeletes, ovos quentes, enfim, todas as possibilidades do embrião da galinha e da gula estão disponíveis no World Cafe, o café da manhã de um dos resorts all inclusive em Mobay, como Montego Bay é chamada pelos jamaicanos.


Os principais atrativos da cidade no litoral noroeste da Jamaica são os luxuosos resorts, quase todos na modalidade tudo incluído (café da manhã, almoço, jantar e bebidas). Quem escolhe ir para a Jamaica e ficar em um desses hotéis conhece apenas um pouco do país, pois, por mais que alguns sabores e nuanças locais estejam presentes – como em uma feirinha de artesanato com produção local –, o padrão de serviço é o mesmo oferecido por resorts semelhantes em Punta Cana, Aruba ou Cancún.


É importante pensar que nem sempre o turista viaja com o ímpeto de empreender uma aventura antropológica. Quem quer apenas relaxar pode encontrar no Secrets, da AmResorts, um luxo nababesco. As diárias variam de cerca de US$ 500, para o casal, até mais de US$ 1 mil, dependendo do padrão que se quer nos quartos, que inclui vista para o mar do Caribe, acesso direto à piscina, duas banheiras por quarto, sendo uma na varanda, e toda uma série de mimos que o pagamento em dólares proporciona.


Logo que o hóspede chega, é recebido com pequenas toalhas umedecidas entregues por funcionários, que usam uma pinça para não tocá-las. No quarto, uma garrafa de champanhe descansa em um balde de gelo ladeado por uma travessa de frios e queijos. Em cima da cama, estão esculturas em formato de pato, cachorro e toda a sorte de bichos que podem ser modelados com toalhas.


As camas são estilo king size, daquelas em que o rei pode passar manhãs e manhãs comendo bacon e ovos no café e, mesmo depois da farra pantagruélica, seguirá considerando o leito espaçoso. O all inclusive é, como o nome diz, com tudo incluído, até bebidas alcoólicas, que vão das cervejas, passando pelos coquetéis doces e coloridos até doses generosas de uísque. Quem quer se embebedar e entender a ressaca jamaicana vale experimentar o rum da marca Appleton. O drink que homenageia a ilha vizinha – Cuba Libre – é uma ótima pedida com o rum jamaicano.


O paparico se estende às áreas das piscinas e à praia exclusiva, em que basta levantar a mão para um funcionário atendê-lo cordialmente e perguntar-lhe se deseja algo, desde uma toalha felpuda e cheirosa até uma garrafa de cerveja, nem sempre gelada, de Red Stripe, a mais popular da ilha. Ao notar a gentileza é impossível não lembrar do escritor David Foster Wallace em um ensaio que escreveu sobre uma viagem em um cruzeiro, quando se refere ao que ele considera uma pandemia na indústria de prestação de serviços: o sorriso profissional.


“Vocês conhecem esse sorriso – a contração enérgica da fáscia perioral com envolvimento zigomático incompleto –, o sorriso que não chega a envolver os olhos de quem sorri e que não significa nada além de uma tentativa calculada de promover os interesses daquele que sorri ao fingir que gosta da pessoa para quem sorri. Por que razão os patrões e supervisores forçam os profissionais da prestação de serviços a difundir o Sorriso Profissional? Serei o único consumidor em quem altas doses de tal sorriso provocam desespero?”, escreveu o Wallace no texto publicado em Ficando longe do fato de já estar meio longe de tudo (Cia. das Letras, 2012)


A maioria dos turistas que escolhem o resort se bastam ali no complexo que envolve o Secrets St. James e o Secrets Wild Orchid, com 700 quartos. No complexo, há ainda sete restaurantes (mexicano, oriental, francês, caribenho e italiano entre eles), bares, teatro, lojas, cafés e até um pequeno cassino. As tentações são grandes, mas vale a pena desbravar um pouco a Jamaica real, longe da cancela que separa os hóspedes dos moradores da cidade.

 

Atração no parque

 

O Dunns River Falls and Park fica em Ocho Rios. Os espanhóis, quando chegaram à ilha, chamavam o local de “Las Chorreas”, mas, com o tempo, o nome foi reduzido até ser o atual: Ocho Rios, que são, de fato, apenas quatro rios: Cave, Roaring, Turtle e o Dunns, este último deságua em uma cachoeira no mar. A queda d'água é a grande atração do parque. Os turistas – e muitos jamaicanos também – podem subir a cachoeira a partir do mar.
Para a aventura, é recomendável comprar uma sapatilha aderente, para evitar tombos e estragar a viagem nas pedras lisas da cachoeira. No parque, um par é vendido por US$ 10 e é das cores da bandeira jamaicana. A entrada no parque custa US$ 20 e fica distante 110 quilômetros de Montego Bay. Curiosidade: o rio foi cenário de um dos Filmes de James Bond (007 contra o satânico Dr. No, de 1962)

*O repórter viajou a convite da AmResorts e da Copa Airlines

 

 

 

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