Glastonbury é um roteiro alternativo que faz o turista viajar no tempo

Destino místico do Reino Unido desde o século 12 é cheio de resquícios medievais

por Paloma Oliveto 27/05/2015 00:07

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Reprodução Internet
Torre da Igreja de São Miguel é a única parte do templo do século 15 que restou (foto: Reprodução Internet)
Glastonbury – Uma terra de magos, druidas, elfos, dragões, fadas, sacerdotisas e cruzados. Repleta de pântanos e envolta em brumas, a Inglaterra é um destino cheio de mistério, povoado por personagens verdadeiros e legendários, que, há centenas de anos, atraem visitantes. Tem sido assim em Glastonbury, o destino mais místico do Reino Unido, desde o século 12. Se, hoje, além de palco de um dos mais famosos festivais musicais do mundo, a cidade é reduto alternativo, com hippies circulando em suas roupas vintage pelas charmosas ruas de pedra, há quase mil anos, os peregrinos viajavam quilômetros a perder de vista por outra razão. Eles estavam ali pelo rei Arthur.

Há muito tempo, ouvia-se na Grã-Bretanha a história de um rei que defendeu seu povo contra os saxões no século 5 d.C. A associação de Glastonbury com o legendário monarca, porém, só se popularizou em 1191, quando monges da cidade afirmaram ter encontrado o túmulo de Arthur e de Guinevere, sua mulher, na abadia. Provavelmente, não passava de uma estratégia dos religiosos para recuperar o apoio financeiro real, perdido após a morte de Henrique II. Mas a informação não foi contestada. Glastonbury era Avalon.

SPRAGGON PHOTOGRAPHY/DIVULGAÇÃO
Em Wearyall Hill, a árvore thorn tree (Crataegus monogyna), que florece duas vezes ao ano. Diz a lenda que José de Arimateia passou por ali carregando consigo o Santo Graal (foto: SPRAGGON PHOTOGRAPHY/DIVULGAÇÃO)
Antes disso, a cidade, um antigo assentamento da Idade do Bronze, já tinha fama mística. Para lá teria ido José de Arimateia após a morte de Cristo. Algumas lendas da região vão além e garantem que o próprio Jesus pisou em Glastonbury, onde ergueu, ele mesmo, uma igreja chamada Vetusta Ecclesia, o primeiro templo cristão da Inglaterra. Se há alguma verdade no que se diz sobre o passado religioso da cidade, não há nada que possa comprová-la. Mas é inegável que esse centro de peregrinação tem uma atmosfera diferente, que se evidencia em uma de suas principais atrações: a Glanstonbury Tor.

A montanha (tor, em celta) de 158m oferece uma vista privilegiada do condado de Somerset e, como tudo na cidade, guarda um segredo. Ninguém sabe ao certo a razão para seu formato, deliberadamente dividido em sete níveis. No topo, como se vigiando eternamente Glastonbury, fica a torre da Igreja de São Miguel, única parte do templo do século 15 que restou. Certeza de fotos incríveis, a atração exige fôlego – embora, com paciência, qualquer um consiga chegar ao alto – e roupas quentinhas para aguentar o sopro gelado do vento.

 

Arqueólogos como guias

 

A principal atração da cidade são as ruínas da Abadia de Glastonbury. Até o século 16, quando Henrique VIII – o rei que gostava de degolar mulheres – comprou briga com a Igreja Católica, esse era o maior e mais importante monastério da Inglaterra. A primeira abadia era mais simples e teria sido erguida pelo rei Ine de Wessex (688-726 d.C.) no terreno onde estava a chamada Vetusta Ecclesia. A época de ouro, porém, veio por volta de 1086 d.C., segundo registros escritos. Ainda se podem ver resquícios das cores e do ouro que cobriam as paredes do complexo. No centro de visitantes, uma maquete mostra a grandiosidade da abadia, onde foram enterrados três reis saxões e, de acordo com a lenda, o rei Arthur.

Circulando pelas ruínas, estão personagens de época – arqueólogos que, vestidos a caráter, oferecem tours guiados (incluídos no ingresso) pela abadia. Em meio aos resquícios da antiga construção, demolida a mando de Henrique VIII, eles mostram a cozinha do monastério, um prédio raríssimo na Europa, onde há poucos exemplares parecidos. Construído entre os séculos 13 e 14, o prédio em formato octogonal era onde se preparavam as delícias que serviam os nobres e ricos convidados dos monges, que, por sua vez, tinham de se contentar com a modesta cozinha do claustro.

LOJINHAS E HOSPEDARIAS No Centro de Glastonbury, a atração é a própria atmosfera mística e esotérica da cidade. As muitas lojinhas que dividem espaço com pubs e hospedarias medievais vendem artigos religiosos diversificados, como crucifixos, incensos, imagens de ciganos e divindades pagãs, além de ervas e óleos para a confecção de poções mágicas, no melhor estilo de Avalon.

 

 

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