Evento em Santa Catarina reúne historiadores e especialistas em tropeirismo

Em Minas, várias cidades guardam registros dos tropeiros, como Tiradentes e Ipoema, que tem museu dedicado ao assunto

por Estado de Minas 20/05/2015 00:05

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Prefeitura de Itabira/Divulgação
Museu do Tropeiro, em Minas Gerais, mantém rico acervo sobre os homens que desbravavam o Brasil sobre um cavalo (foto: Prefeitura de Itabira/Divulgação)
“Cargas e cangalhas dormem solidariamente com os tropeiros. Homens, arreios, mercadorias não se distinguem uns dos outros confluídos no bloco noturno sem estrelas: Viagem dormindo.”

O poema Rancho, do escritor Carlos Drummond de Andrade, se refere aos locais onde pernoitavam os homens que foram os principais responsáveis pela mercantilização brasileira do século 17: os tropeiros. Com o tempo, esses locais, que seguem desde o Rio Grande do Sul até o estado de São Paulo, foram se transformando em povoados e, hoje, cidades. “Muitas pessoas acreditavam que os municípios surgiam principalmente em volta das igrejas. Mas há estudos que falam em regiões que se desenvolveram por conta das paradas desses viajantes, que fixavam em vários pontos as suas culturas”, destaca a diretora do projeto Tropeiro Brasil, Eleni Cássia Vieira.

Para celebrar essa cultura antiga no Brasil, no fim deste mês ocorre, em Urupema (SC), o 1º Encontro Nacional do Tropeirismo (Enat). O município foi escolhido para receber o evento por ser o primeiro caminho de tropas do Brasil. O evento, marcado para os dias 29 e 30, vai contar com vasta programação para propagar a valorização e reconhecimento da cultura desses homens, que tanto influenciaram a história econômica do país. Serão palestras e workshops monitorados por vários especialistas em tropeirismo no Brasil.

Roneijober Andrade/Divulgação
Eleni Vieira, diretora do projeto Tropeiro Brasil, enfatiza que tropeiro não é sinônimo de cavalgada, mas de movimentação econômica iniciada no país no século 17 (foto: Roneijober Andrade/Divulgação)
“Tropeirismo não é só cavalgada. Foi um ciclo que gerou muita movimentação econômica. Eles tinham culinária, músicas e danças próprias, além de terem sido parcialmente responsáveis pela unificação da língua portuguesa. Naquela época, eles eram tão importantes quanto os caminhoneiros que temos hoje. Quando os caminhões param de circular, a economia cai, porque a indústria para. Por isso é importante conhecer mais sobre esses personagens, e o evento vai explicar um pouco mais sobre essa cultura”, diz Eleni.

Os tropeiros, explica ela, andavam cerca de três a quatro léguas por dia para chegar a cada rancho, o que equivale a cerca de 24 quilômetros. A quilometragem corresponde a aproximadamente a distância de uma cidade a outra que compõe a história desses cavaleiros. Por onde esses viajantes comerciais passavam, deixavam sua marca. Dessa forma, existem inúmeras cidades que eram roteiro dos tropeiros. “Minas Gerais é o grande berço do tropeirismo, e pode-se dizer que a Estrada Real também conta com uma rica característica da linhagem”, explica.

O que há 400 anos movimentava a economia das regiões por meio das vendas de mercadorias hoje movimenta justamente por conta do turismo. É o caso de Itabira, a 111 quilômetros de Belo Horizonte, na Região Central do estado. A cidade conta, desde 2013, com o título de Capital Estadual do Tropeirismo, por causa do Museu do Tropeiro, instalado no distrito de Ipoema. O museu tem como um dos seus fundadores a própria Eleni, itabirana que tem o sangue tropeiro em suas veias. “Meu avô era tropeiro e meu pai tinha a carteirinha de agenciador de tropas”, lembra. O instituto apresenta uma vasta coleção de artefatos deixados por antigos cavaleiros. Somente em 2014, o museu recebeu quase 9 mil visitantes de todo o Brasil.

Anualmente, é feita uma festa no espaço que envolve toda a cidade. De acordo com a Secretaria de Turismo de Itabira, é feito um trabalho com as escolas e com a comunidade por meio da semana tropeira. Há ainda sinalizações no decorrer do caminho tropeiro, onde os cavaleiros passavam com suas cargas.

Arquivo Pessoal
Foto do tropeiro Carlos Dias Filho, avô de Eleni de Cássia Vieira (foto: Arquivo Pessoal)
SÃO JOSÉ De BOTAS
A histórica Tiradentes, localizada no Campo das Vertentes, também conta com algumas características da cultura tropeira. O município, conhecido pela sua arquitetura barroca e artefatos como a maria-fumaça, apresenta detalhes representativos do tropeirismo como, o Chafariz de São José de Botas, construído em 1749. O monumento se parece com uma fachada de uma igreja da época, construído no mesmo estilo da maioria das outras obras da cidade, com a imagem do santo e um brasão de armas do Reino de Portugal.

A fonte tinha a função de abastecer tanto os moradores como os animais da região, além de servir para a lavagem de roupas. “Os tropeiros tinham uma relação muito grande com os santos. Eles eram muito religiosos. Em suas carteiras, eram guardadas orações de Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora Aparecida, São Benedito, São Sebastião, Nossa Senhora de Santana, São Joaquim, São José de Botas e de Nossa Senhora das Neves. Todos eles são considerados santos do tropeirismo”, comenta Eleni.

Tiradentes conta ainda com a Serra de São José de Botas, trilha utilizada por esses comerciantes. O município histórico de Diamantina também apresenta várias características desses viajantes brasileiros. “Na cidade, existia o mercado dos tropeiros. Até hoje é possível ver as estacas que eles usavam para amarrar muares”, acrescenta.

Serviço
1º Encontro Nacional do Tropeirismo
Dias 29 e 30 de maio, em Urupema (SC)

Informações
Prefeitura Municipal de Urupema
(49) 3236-3000

Núcleo de Amigos da Terra e Água (NATA)
(41) 9226-5170
tropeirobrasil2015.blogspot.com.br

Museu do Tropeiro
Travessa Professor Manoel Soares,
217, Ipoema, distrito de Itabira,
(31) 3839-2991 ou 3839-2992.

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