Na rota do vinho argentino: muito além das vinícolas

por Zulmira Furbino 05/05/2015 00:12

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Enrique Marcarian/REUTERS-1/2/13
(foto: Enrique Marcarian/REUTERS-1/2/13)
Em que pese a rivalidade histórica entre Brasil e Argentina, é preciso reconhecer que los hermanos são experts na produção de vinho e que, em matéria de bons vinhos, o país andino tem muito a oferecer, inclusive fora das fronteiras da Região de Mendoza. A Argentina é nada menos do que o quinto maior produtor – e consumidor – de vinhos do mundo e, apesar do fato de durante um longo período a qualidade da produção local ter sido superada pela quantidade, de acordo com os especialistas, atualmente, alguns dos vinhos de maior destaque no mundo são produzidos lá. Além de Mendoza, responsável por quase 70% de todo o vinho argentino, você vai encontrar excelentes vinícolas – e lindas paisagens, entre outros atrativos turísticos – nas regiões de San Juan, La Rioja, Salta e Patagônia. Atualmente, a província de Catamarca também vem se destacando no cultivo das uvas e na produção de vinhos, especialmente nos Vales de Catamarca, nas cidades de Tinogasta, Fiambalá, Belén e Capayán, que estão sendo redescobertas por empreendedores do mundo vinícola.

Tony Miyasaka/Divulgação
Vinícola em Mendoza: região é responsável por 70% do vinho produzido no país andino e atrai turistas de vários cantos do mundo (foto: Tony Miyasaka/Divulgação)

Apesar do predomínio da produção em Mendoza, todas as regiões produtoras de vinho na Argentina –  San Juan, La Rioja, Salta e Patagônia e, atualmente, a província de Catamarca – são conhecidas como integrantes da rota mundial do vinho. Além da produção vinícola, elas são importantes atrativos turísticos na Argentina. Ali você vai encontrar centros de artesanato, museus e adegas famosas. Esses locais são, também, um ótimo local para comprar vinho e conhecer um pouco mais sobre a história e a fabricação dessa bebida no país andino. Afinal, aprender sobre vinhos não requer um saber especializado, mas saber detalhes da produção, algumas das técnicas empregadas e as uvas usadas no processo faz toda a diferença.

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Segundo o consultor de vinhos Thiego Cauan, na Argentina predomina a produção de tintos, já que a mais importante das castas das uvas plantadas ali é a malbec, uma uva originalmente europeia, vinda da França, que é tinta. “De cor intensa e aroma característico, a malbec produz vinhos aveludados e saborosos, com grande concentração de frutas, como amora e ameixa”, ensina o especialista. A uva temprenillo, uma variedade espanhola considerada nobre, também se adaptou ao clima e ao solo argentinos e ganhou destaque na produção do país, assim como a cabernet sauvignon, originária da França. Outras uvas cultivadas no país andino são bonarda, cabernet franc, malbec, petit verdot, pinot noir e syrah.

Reservas antecipadas -Ao preparar um roteiro pelas vinícolas argentinas, o turista deve ter em mente que é necessário fazer reservas antecipadas. Em Mendoza, existem três regiões de vinícolas ou bodegas. Luján de Cuyo e Maipú estão localizadas perto da cidade. Uco fica mais longe, mas é ali que estão as novas superbodegas. A dica é organizar cada expedição dentro de uma única zona. Isso facilita a viagem.

Ao provar o vinho produzido na região, saiba que 20,21% do vinho importado que entra no Brasil vem do vizinho e “rival”. De acordo com o autor do Blog do Vinho e consultor de mídias digitais Roberto Gerosa, a maioria das garrafas que chegam ao Brasil são provenientes das regiões de Mendoza e San Juan, responsáveis por 90% da produção do país.

Brancos - "Há outras regiões que produzem tintos e brancos que merecem ser conhecidas, como a distante Patagônia, mais ao sul, e a quase boliviana Salta/Cafayate, que fica mais ao norte”, ensina Gerosa. Segundo ele, conhecer as regiões significa verificar na prática que suas diferentes características agregam sabores específicos aos vinhos que produzem. “São quilômetros que separam os terrenos, as diferentes altitudes, os climas e as diversas composições do solo. E mesmo dentro das regiões há estilos diferentes", explica.

Vale lembrar que o interior do país é bastante árido. Os Andes de La Rioja, San Juan e Mendoza têm clima árido de estepe. No entanto, com pequenas variações devido à presença dos Andes. Esse clima estende-se até as serras pampeanas e vai-se transformando progressivamente em frio-árido nas proximidades de Néuquen, no Norte da Patagônia.


Dicas para aproveitar o máximo o passeio às vinícolas


» Não vá às vinícolas dirigindo. Alugue uma van em grupo ou pegue um táxi. Em Mendoza, programe-se para tentar adequar visitas a produtores próximos.

» A não ser que você seja um aficcionado maluco, não visite mais do que duas vinícolas em um dia. Se não, deixa de ser um programa de turismo e prazer e passa a ser um programa de índio.

» Aproveite para agendar almoço e jantar nas vinícolas, pois acrescenta a experiência do vinho o lugar. Geralmente, são restaurantes bem cuidados, próximos dos vinhedos, e com  menu que harmoniza bem com os vinhos da casa.

» Aproveite a ocasião para degustar vinhos de variedades diferentes, e não só a malbec. Prove os vinhos feitos de blends (mistura de várias uvas) ou de uvas menos conhecidas. Os rótulos de cabernet franc são uma das melhores cepas pouco difundidas e de produção pequena da Argentina.

» Aproveite também para comprar em lojas rótulos de vinhos de autor, de pequena produção, que não vai encontrar no Brasil. Em Mendoza, há uma loja, próxima ao Hotel Hyatt, que comercializa rótulos independentes, a Wine O Clock.

Fonte: Blog do Vinho

 

DEGUSTANDO VINHEDOS
Depois de Mendoza, província de San Juan é a segunda na produção de uvas e vinhos. Já em Salta, destaque para belas vinícolas da região

Eliseo Miciu/Secretaria de Turismo da Argentina/Divulgação
Bodega el Esteco, em Salta, é uma das mais prestigiadas vinícolas da região (foto: Eliseo Miciu/Secretaria de Turismo da Argentina/Divulgação)

BERNARDO GIMENEZ/AP - 2013/13/3
Argentina é o quinto maior produtor e consumidor mundial de vinhos: qualidade é um dos destaques (foto: BERNARDO GIMENEZ/AP - 2013/13/3)

A província de San Juan é a segunda em importância na produção de uvas e vinhos na Argentina, atrás apenas da província de Mendoza. As principais regiões de vitivinicultura são a capital, San Juan, Tulum, Zonda, Ullum, Jachal e o Valle Fértil, regados pelos rios Jachal e San Juan. Na Região La Rioja, a proposta é descobrir o sabor frutal de um vinho de aroma floral acompanhado de deliciosas azeitonas de Arauco, potentes queijos de cabra e deliciosas nozes.

A principal faixa vitivinícola do estado está situada entre as serras do Vale do Famatina e de Velasco. A produção local aproveita o sol do deserto e o árido terreno montanhoso para fabricar o vinho Torrontês Riojano.

Secretaria de Turismo da Argentina/DivulgaÇÃO
Quem opta pela turismo enológico também usufrui de boa gastronomia, além de paisagens relaxantes (foto: Secretaria de Turismo da Argentina/DivulgaÇÃO)

A rota do turismo enológico da província de Salta inclui uma viagem até Cafayate, a 1.700 metros de altitude, que separa o magnífico desfiladeiro de Cafayate, onde corre o Rio de las Conchas, e os Andes. Isso basta para atrair milhares de turistas que passam por ali anualmente. Uma dica é almoçar no Hotel & Wine Spa Patios de Cafayate, uma bela construção cercada de vinhedos, integrado à Bodelga el Esteco, uma das mais importantes vinícolas da região.

Solo fértil -Já na Patagônia, a água pura que desce dos picos andinos cobertos de neve na época do degelo é utilizada para regar os vinhedos, plantados em solo de excelente qualidade. O clima é frio e o vento constante favorece as vinhas, que praticamente dispensam inseticidas. Ali o turista vai encontrar quatro bodegas, três em San Patricio del Chañar e uma em Añelo. Essa visita às adegas permitirá provar e comparar a diversidade de caráter entre os vinhos de cada região da Argentina. 


COMO CHEGAR EM:
Salta
• A província de Salta tem aproximadamente 4.120 hectares de vinhedos. A vinicultura da província é desenvolvida principalmente nos Valles Calchaquíes, com destaque para a zona de Cafayate. As principias localidades produtoras são La Poma, Cachi, San Carlos e Molinos. Para chegar a Salta pode-se voar até a cidade de Salta ou Jujuy pelas Aerolíneas Argentinas.

La Rioja

• A província de La Rioja tem 7 mil hectares de vinhedos. A vitivinicultura de La Rioja se desenvolve em pequenos vales irrigados a oeste da província, entre as Sierras de Velasco e a Sierra de Famatina. As principais localidades produtoras são Chilecito, Nonogasta e Anguinan. Para chegar a La Rioja deve-se voar até a capital La Rioja em voo diário que liga Buenos Aires a La Rioja pelo Aeroporto Aeroparque.

San Juan

• As vinícolas da província de San Juan, que tem 46 mil hectares de vinhedos, estão localizadas na própria capital San Juan, além de Tulum, Zonda, Ullum, Jachal e o Valle Fértil, regados pelos rios Jachal e San Juan. A viagem até San Juan pode ser montada por diferentes companhias aéreas. Existem quatro voos diários ligando Buenos Aires a San Juan pelo aeroporto de Aeroparque. O trecho BH/Buenos Aires pode ser feito com Lan Chile, TAM, Gol e Aerolíneas.

Patagônia

• A Patagônia tem mais de 3.700 hectares de videiras. A vitivinicultura se desenvolve nas províncias de Río Negro e Neuquén. Destaque para as localidades de San Patricio del Chañar e Añelo, em Neuquén, que encabeçam os empreendimentos do local. A melhor opção para chegar à região vinícola da Patagônia é a cidade de Neuquén. A viagem pode ser montada por diferentes companhias aéreas até Buenos Aires (Lan Chile, TAM, Gol, Aerolíneas). Há quatro voos diários ligando Buenos Aires a Neuquén pelo aeroporto Aeroparque.

 

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