O lado inusitado de Budapeste

A capital húngara é uma das cidades europeias que mais guardam boas surpresas para quem a visita. Há opções de roteiros tradicionais e outros nem tanto

por Max Valarezo 14/04/2015 00:12

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Laszlo Balogh/Reuters
Ponte sobre o Rio Danúbio: a cor da água e a exuberância do local encantam quem passa por ali (foto: Laszlo Balogh/Reuters )

Acredite, se quiser: há turistas desencantados que dizem que todas as principais capitais europeias são iguais. Lugares bonitos com construções antigas e atravessados por um rio no meio. Por mais que diversas cidades de fato tenham essas características, tal tipo de reducionismo esconde as surpresas escondidas nelas. E Budapeste é, sem dúvida, um dos roteiros clássicos na Europa que mais conseguem surpreender, graças a uma série de atividades dificilmente encontradas nos outros destinos mais visados do continente.

A capital da Hungria foi resultado da unificação de três cidades vizinhas em 1873: Buda, Pest e Óbuda. E caso você escolha fazer um tour a pé ofertado por diferentes companhias turísticas, uma das primeiras coisas que ouvirá é o guia lhe ensinar a forma correta de se pronunciar o nome da cidade: chiando o “s” no fim, emitindo o som de “ch”, ou seja, parecido com “Budapesht”.

Participar desse passeio vale a pena, acredite. A maioria das empresas oferece um roteiro clássico. Os turistas passeiam pelas bordas do famoso Rio Danúbio, atravessam uma das pontes da cidade (muito provavelmente, a Ponte Széchenyi Lánchíd, a mais bela) e sobem até o Distrito do Castelo, onde está o Castelo Buda, que abrigou por muitos anos a família real húngara.

Esses lugares, juntamente a museus, parques e praças, compõem a rota turística clássica na cidade e merecem ser visitados. Mas se restringir a esses destinos é perder alguns passeios únicos que apenas a capital húngara pode proporcionar. A começar por um dos maiores charmes da cidade: os banhos termais.

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ÁGUAS QUENTES

Surgidos ao longo de séculos, esses locais com águas quentes para relaxar datam desde a época em que os romanos ocupavam o território, no século 2 a.C. Mas foi com a ocupação dos otomanos à cidade, iniciada em 1541, que os banhos termais realmente se proliferaram em Budapeste, graças ao hábito dos turcos de se banharem em piscinas quentes.

A tradição se manteve de forma tão marcante que Budapeste é considerada até hoje a capital europeia dos spas e dos banhos termais. Algumas das termas mais antigas criadas durante a ocupação otomana ainda estão de pé. Para quem tem interesse em conhecer um desse locais, é uma boa ideia visitar o Veli Bej (lê-se “véli bei”), considerado o banho turco mais antigo da cidade.

Após séculos de existência, o lugar passou por obras de revitalização e reformas, mas ainda preserva artes originais nas paredes e a mesma arquitetura básica original. Veli Bej conta com uma grande piscina central, cercada por duas menores. Jacuzzis, saunas e duchas completam o ambiente e dão mais opções ainda de relaxamento.

O lugar é também uma boa escolha para os mochileiros que estão de olho no orçamento, por ser um dos banhos termais mais em conta de Budapeste. Para entrar, pagam-se 2.800 forints húngaros (aproximadamente, R$ 30) para ter o direito de ficar até três horas no estabelecimento. Pode parecer um pouco caro a princípio, mas trata-se de uma oportunidade única de vivenciar um verdadeiro banho termal turco, e três horas é tempo mais do que suficiente para repousar nas águas quentes. Ao sair, você se sentirá não apenas mais relaxado, mas também com energias renovadas.

Laszlo Balogh/Reuters
Vista de Budapeste, um dos roteiros clássicos da Europa que consegue surpreender o turista (foto: Laszlo Balogh/Reuters )


Segredos sob a terra

Para quem não fizer um esforço e investigar bem as opções de atividades que Budapeste oferece, há o grande risco de perder um segredo surpreendente da capital: as cavernas subterrâneas. Formadas graças às mesmas águas quentes utilizadas nos banhos termais, há diferentes cavernas sob o solo que podem ser visitadas por turistas, mesmo sem experiência prévia em cavernismo. Esses tours são organizados por empresas privadas e podem custar até 6 mil forints húngaros (aproximadamente R$ 65).

A principal atração, para quem quiser conhecer esses terrenos subterrâneos, é a caverna Pálvölgyi, um complexo com mais de 13 quilômetros de extensão localizado no Parque Nacional Duna-Ipoly, que oferece duas opões de passeios. O primeiro deles é mais simples, com duração de aproximadamente uma hora, e usa um sistema de iluminação e pisos artificiais. Essa é a melhor opção para aqueles que não pretendem se cansar muito ou se sentir muito confinados entre as paredes.

Mas aqueles que tiverem espírito mais aventureiro e disposição física podem escolher a alternativa mais longa, com quase três horas de duração e uma rota totalmente natural. E não é um caminho fácil. Em alguns trechos, é necessário deitar-se de barriga para baixo e se arrastar no chão para deslizar entre passagens estreitas. Mas todo o esforço é recompensado pela incrível vista da geologia subterrânea intocada.

Ao sair das cavernas, caso queira aproveitar para repor as energias sem gastar muito e experimentar as comidas tradicionais, a melhor ideia é ir ao Grande Mercado, sentar-se em uma das mesas simples e pedir um goulash, um dos pratos mais populares da cozinha húngara.

Repousar depois de uma visita às cavernas também é uma boa opção para quem pretende aproveitar a vida noturna da cidade, que tem também algo único: os bares de ruínas. Trata-se de bares que foram construídos em meio a edifícios que foram destruídos por bombardeios na Segunda Guerra Mundial. São diversos estabelecimentos desse tipo e quase todos têm uma decoração artística exuberante ou curiosa, por terem sido criados com a ajuda de artistas jovens que viviam na capital no período pós-guerra.

Esses roteiros podem dar um pouco de trabalho e cansar um pouco mais do que as rotas turísticas mais tradicionais, mas a sensação de ter conhecido um lado de Budapeste que nem todos turistas exploram é, sem dúvida, inigualável.

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