Muito além dos relógios suíços

Genebra, segunda maior cidade do país, é perfeita para conhecer andando. Não deixe de ver pontos obrigatórios, como a Catedral Calvinista. Em Zurique, perca-se entre a arte e a gastronomia

por Juliana A. Saad 07/04/2015 00:12

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Juliana A. Saad/Divulgação
Casa do filósofo, teórico político, escritor e compositor Jean-Jacques Rousseau (foto: Juliana A. Saad/Divulgação )
Emoldurada pelo Mont Blanc, os Alpes e o Vale do Jura, banhada pelo Rio Rhône, que cruza o Sul da Suíça e da França, e localizada junto ao Lago Léman (ou Lago de Genebra) – com o emblemático Jet d’Eau, que solta 500 litros de água por segundo a 140 metros de altura –, Genebra é a segunda maior cidade da Suíça (atrás apenas de Zurique). Tem 45% da população formada por estrangeiros, oriundos de 180 países, o que a torna um hub multicultural. Conhecida como Cidade da Paz por sediar as Nações Unidas na Europa, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e inúmeras outras organizações ligadas a diplomacia e cooperação, é também o centro da manufatura relojoeira suíça, assim como se orgulha de sediar importantes bancos e seguradoras. O clima de refinamento e poder de Genebra faz contraponto à sua calma e à sua tranquilidade. Perder-se a pé ou de bicicleta, cruzando ruas e descobrindo cafés, butiques, caves e reluzentes joalherias e relojoarias é uma delícia. Genebra seduz com sua aura de luxo e sofisticação. É frequentada por uma turma que se hospeda nos confortáveis hotéis para o check-list de compras básico das “rues du Mont-Blanc e du Rhône”, com as lojas de luxo, joalherias e relojoarias.


Na parte antiga da cidade, conheça a impressionante Catedral Calvinista de São Pedro (Catedral de Genebra), construída entre 1160 e 1232, que oferece uma esplêndida visão da região. Outra opção de interesse é a casa onde nasceu, em 1712, o filósofo, teórico político, escritor e compositor Jean-Jacques Rousseau. Quem curte vinhos e bebidas em geral tem que conhecer as Caves du Palais de Justice. A mais antiga produtora de bebidas de Genebra fica em uma ladeira da cidade antiga, em uma construção de 1812, e conta com adega guarnecida pelos melhores rótulos do mundo. Vale marcar uma gostosa e instrutiva degustação para provar os vinhos suíços, em especial os brancos produzidos com as uvas chasselas.

Flores Para algo mais descontraído, vá à Carouge, região boêmia – separada de Genebra pelo Rio Arve – recheada de pequenas lojas artesanais, ateliês, jardins secretos, cafés e muito charme. Programinha bom é marcar uma tarde para conhecer tudo e terminar a noite no Le Chat Noir, mescla de restaurante, bar e clube de jazz. Os locais gostam de dizer que o Carouge é um Greenwich Village de Genebra, só que com toques mediterrâneos. Para quem não conhece, Greenwich Village é uma ampla e tradicional área residencial da cidade de Nova York, situada no lado oeste de Lower Manhattan, cercada pela East Village a leste, por Soho a sul e Chelsea a norte. Aprecie o Relógio de Flores formado por 6.500 espécies na Praça dos Ingleses, às margens do Lago Léman – ele simboliza a indústria relojoeira de Genebra. Vá também ao Palácio da Organização das Nações Unidas e faça uma visita guiada pela sede europeia da ONU. Já a Cruz Vermelha Internacional abriga o único museu dedicado à história e ao trabalho dessa organização.

 

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Rio Limmat, na parte velha de Zurique, é para ser contemplado (foto: Juliana A. Saad/Divulgação)


Ruelas recheadas de charme


Localizada no cantão homônimo no Norte da Suíça, Zurique é a maior cidade (mas não a capital, que é Berna), com cerca de 385 mil habitantes. A cidade é dividida pelo Rio Limmat, que deságua no Lago de Zurique. As margens são pontuadas por gente que aproveita o clima para passear, nadar em um dos vários clubes no verão, frequentar os vários bares e cafés para beber chope, vinho e cerveja. O centro antigo tem ruelas recheadas de charme. Lojinhas com variados estilos misturam-se a hotéis, galerias de arte, restaurantes e confeitarias tradicionais, como a Confiserie Sprüngli, em Paradeplatz. A Banhofstrasse é a rua da moda, com butiques de grife – como a suíças Montblanc e Swatch –, pontuada por árvores, praças e carrinhos de salsicha. Ela parte da estação ferroviária de Hauptbanhof (Zürich HB) e vai até o lago. Aliás, água aqui é o que não falta. São 1.200 fontes potáveis disponíveis para quem quiser beber e encher as garrafinhas. Em tempos de racionamento no Brasil, quase uma ostentação.

Fica em Zurique o mais antigo restaurante vegetariano do mundo, o Hiltl, fundado em 1898 e ainda nas mãos da mesma família. Você irá se encantar com a comida, preparada com extrema dedicação por uma equipe composta por pessoas de todos os lugares do mundo. Escolha o bufê. Os brunches de domingo são famosos, assim como as noites de domingo, quando DJs transformam parte do restaurante em balada. Para fechar a festa, uma rodada de drinques no hypado bar do Hotel Widder.

ARTE
Na área cultural, o Museu de Belas Artes Zurique (Kunsthaus Zürich) guarda coleções que cobrem cerca de 4 mil pinturas, esculturas e instalações e não cobra entrada para a coleção permanente. Nela, há seções dedicadas ao suíço Alberto Giacometti e coleções com obras de Picasso, Anselm Kiefer, Cézanne, Van Gogh, Monet e outros famosos. O Museu de Design de Zurique (Museum für Gestaltung Zürich) exibe coleções de importância internacional, com ênfase natural para o desenho suíço, conhecido por formas funcionais, atenção aos detalhes, refinamento e humor. Já o Museu Migros de Arte Contemporânea, iniciativa de Gottlieb Duttweiler, fundador da maior rede de supermercados suíça, tem uma coleção importante de obras de nomes como Maurizio Cattelan, Spartacus e Christo, além de exibições temporárias de artistas nacionais em um edifício vanguardista em Limmatstrasse. Uma visita curiosa é ao Cabaret Voltaire, fundado em 1916, que inaugurou o dadaísmo – atualmente, abriga museu e loja. Conheça também o Zoológico de Zurique, com seus elefantes, pinguins e pavilhão de ecossistema com centenas de espécies da fauna e flora de Madagascar. Mas é a parte oeste da cidade, uma região industrial revitalizada, que virou “o lugar” nos últimos anos, com residências, ateliês, lojas e uma gama de atrações que trazem o traço urbano impresso na arquitetura e mobiliário, como o antigo viaduto – Im Viadukt –, que passou a abrigar lojas de design, mercados, restaurantes e bares sob seus arcos. Aqui, tudo é descolado e com um clima muito atual. No Frau Gerolds Garten, um jardim/horta tomado por bares, botiques e grafites em uma estrutura reaproveitada, a ordem é relaxar e acompanhar o pôr do sol com uma cerveja na mão.

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O Relógio de Flores, localizado às margens do Lago Léman, é um dos pontos que atraem visitantes (foto: Juliana A. Saad/Divulgação)


Check-list da Suíça

» Moeda: franco suíço (CHF). 1CHF vale R$ 3,04 (até o fechamento desta edição)
» Idiomas: francês, alemão, italiano e romanche são as línguas oficiais. O inglês é amplamente falado.
» Clima: o país pode ser pequeno, mas as condições climáticas são muito variadas. Às vezes, o lado de um vale pode estar nublado, com chuva, enquanto o outro permanece ensolarado e ameno. Os ventos alpinos do sul, chamados de Föhn, geralmente trazem ar quente e seco, enquanto o vento frio que sopra do nordeste pode trazer céu azul e, no inverno, temperaturas baixas. No verão, a temperatura é amena, com média de 19 graus.
» Entrada: passaporte válido e passagem aérea de regresso são obrigatórios. Não é exigido visto de brasileiros para permanência máxima de 90 dias. Na chegada, podem exigir algum comprovante de recursos financeiros (cartão
de crédito internacional, cheques de viagem, dinheiro em moeda corrente no país).
» Para trazer na mala: canivetes, relógios, queijos, vinhos e chocolates.
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