Cruzeiro pelos rios Negro e Solimões é uma das maneiras de se conhecer parte da Amazônia brasileira

Marcada pela simpatia do povo, fauna e flora ricos e comida baseada nos peixes

por Carolina Cotta 24/03/2015 00:12

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Carolina Cotta/EM/D.A PRESS
Um dos navios que oferecem o cruzeiro é o Iberostar Grand Amazon, com três opções: uma só pelo Rio Negro, outra somente pelo Solimões e por ambos, num passeio de uma semana (foto: Carolina Cotta/EM/D.A PRESS)

Manaus –
Colômbia, Venezuela, Guiana e Brasil. Conhecer todo o Rio Negro exigiria uma viagem pelos quatro países. Na Colômbia ele começa, em Manaus, ele termina. E “termina” é apenas um modo de dizer. Na verdade, ele cede suas águas ao Rio Amazonas, formado exatamente no encontro do escuro Negro com o barrento Solimões. Encontro das Águas: eis aí um dos “pontos turísticos” principais da capital do Amazonas. Para chegar lá, só de barco. Aliás, não se visita um rio de outra forma. Na porção brasileira, há quatro formas de se conhecer o Rio Negro. A mais barata, e, mais comum, é montar base em Manaus e, de lá, partir para passeios de um ou meio dia: tribos indígenas e  locais para banho com os botos são algumas opções.
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Os puristas, entretanto, vão dizer que não se conhece o ecossistema amazônico se não se entrar, literalmente, nele. Há mais hotéis de selva do que o Ariaú Towers, famoso no passado, bem ‘largado’ atualmente. Membro da Associação de Hotéis Roteiros de Charme, que reúne aconchegantes hospedagens em 55 destinos brasileiros, o Anavilhanas Jungle Lodge é opção mais charmosa e confortável. Imagine bangalôs de luxo em pleno Parque Nacional de Anavilhanas, uma unidade de conservação brasileira de proteção integral que abrange cerca de 400 ilhas. No labirinto em que é transformado o Rio Negro, nessa região tem-se um dos principais passeios de observação da fauna e flora locais.

Outra opção é contratar, com empresas especializadas, uma vivência de selva bem “real”: guias experientes se embrenham pela floresta com turistas dispostos a dormir em redes presas às árvore e encarar os barulhos mais sombrios madrugada adentro. Mas mais fácil mesmo é embarcar em um cruzeiro. Como os hotéis, eles promovem vários passeios: caminhada na selva, visita a comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas, focagem de jacaré, pescaria de piranha e até visita ao flutuante dos botos, na região de Novo Airão. A diferença é que o Rio Negro vai sendo desvendado à medida que se navega por ele. Parece melhor do que pegar um serviço de van para um hotel distante.

 

O Iberostar Grand Amazon, tratado como um hotel flutuante de luxo pela rede espanhola de hotéis, domina a rota e está completando 10 anos. Faz dois trechos: um de três noites, pelo Rio Solimões, e outro de quatro, pelo Rio Negro. Há ainda a opção de fazer os dois, em sete dias. Essa viagem pode ser feita durante todo o ano, mas o turista verá realidades distintas na seca e no período de cheias. Na época chuvosa (dezembro a maio), dá para fazer passeios de canoa pelos igapós. Na seca (julho a novembro), é possível aproveitar praias fluviais.
O Negro e o Solimões são como água e óleo: não se misturam, o que promove o fenômeno observado no Encontro das Águas. Na verdade, eles precisam de tempo para se misturar. No Negro, o pH da água é de cerca de 3,8 a 4,9, e a temperatura, de 22 graus. A água corre na velocidade de até dois quilômetros por hora. Sua fauna tem 1.200 espécies catalogadas, 200 só de peixes. Esses são, em sua maioria, espécies endêmicas e peixes de aquário que precisam de um período de “transição” para habitarem outras águas.
Já o Solimões corre a seis quilômetros por hora. Tem pH de 6,8, temperatura da água em torno de 28 graus e mais de 3 mil espécies só de peixes. Às suas margens, sempre há comunidades ribeirinhas, em suas águas passam barcos de todo porte. É o rio da vida, ao contrário do Rio Negro, chamado de rio da morte. O encontro de águas tão diferentes é tão impactante que os botos, capazes de habitar os dois rios, ficam próximos ao lugar onde as águas se chocam em busca de presas fáceis. Os peixes sofrem grande impacto da mudança das águas e são abatidos rapidamente. E, apesar de mais numerosos no Solimões, onde há muita comida, os botos se aproximam mais no Negro, exatamente para serem alimentados pelo homem.

MARGENS INFINITAS
Segundo o capitão José Ramide Castro – que, no seu início de carreira, salvou a escritora Raquel de Queiroz de um provável naufrágio na Ilha do Marajó, quando fazia a rota Manaus–Belém –, há trechos em que até 25 quilômetros separam uma margem da outra, mas a presença das ilhas não permite perceber tal distância. A estabilidade do Grand Amazon, contudo, é inquestionável. Nada de enjoos, mesmo em uma tempestade capaz de formar altas e negras ondas. Mas como nem tudo é perfeito, no quesito alimentação o cruzeiro all inclusive deixa a desejar. A culinária internacional predomina. Se a proposta é oferecer ao turista uma experiência amazônica, tambaquis deveriam ser mais frequentes nos pratos, assim como frutas típicas. Pelo menos em novembro, período da seca, eram raras. Incompreensível!

COR DE COCA-COLA
O Negro não é o único rio de cor escura. A tonalidade é resultado dos ácidos liberados nos processos de decomposição de sedimentos orgânicos. Ao longo de seus 1.700 quilômetros, ele recebe naturalmente uma grande quantidade de restos de folhas, arbustos e troncos. Outro fator importante é a idade avançada do terreno na região. O Negro corre em uma área rochosa, de formação geológica muito antiga. Por isso, sua passagem não provoca a erosão das margens, como no Solimões.

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