Serra do Cipó: paisagens cercadas por montanhas, vegetação diferenciada e cachoeiras

Belezas naturais movem uma legião de andarilhos em Minas, especialmente na Região da Serra do Cipó, de onde se faz a travessia entre Lapinha da Serra e Tabuleiro

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Luiz Cláudio Ferreira de Oliveira/Divulgação - 1/4/04
Com 273 metros de queda livre, Cachoeira do Tabuleiro é a maior do estado e principal ponto turístico da serra (foto: Luiz Cláudio Ferreira de Oliveira/Divulgação - 1/4/04)

Quem é aventureiro e é apaixonado por trilhas já está de olho nos vários feriados prolongados deste ano para aproveitar bem a natureza e passear pelas belas montanhas de Minas. Entre os muitos destinos visados está Lapinha da Serra, a cerca de 100 quilômetros de Belo Horizonte, na Região Central do estado. Distrito de Santana do Riacho, fica ao lado de Tabuleiro, distrito de Conceição do Mato Dentro. Milhares de pessoas fazem o trajeto de aproximadamente 45 quilômetros na travessia de um vilarejo para o outro, em busca das mais lindas e diferenciadas paisagens. Para contemplar todas as cachoeiras e piscinas naturais, com que a região conta, os turistas levam cerca de três dias, na caminhada que cruza a Serra do Cipó, no sentido nordeste. O principal ponto desse passeio é a Cachoeira do Tabuleiro, que fica no Parque Municipal Ribeirão do Campo e conta com 273 metros de queda livre, a maior do estado e a terceira maior do Brasil.


Segundo o guia turístico Lilo Cipó, diretor da Cipó Aventuras, companhia de turismo da região, essa travessia começou com os bandeirantes, no século 16, quando eles percorriam os distritos para a comercialização de alimentos. Como atração turística, a trilha começou a ganhar visibilidade apenas na década de 1990. Atualmente, cerca de 80% dos turistas que fazem o percurso são da Região Metropolitana de Belo Horizonte. “Sou natural da Serra do Cipó, fui um dos primeiros guias que a região teve. Então, vi muitas modificações feitas por aqui. Precisamos de mais visibilidade turística, mas só de ter Tabuleiro reconhecido como parque municipal já é um grande incentivo para a cultura local”, comenta Lilo, em relação ao Parque Municipal Ribeirão do Campo.


Com público considerado mais “alternativo”, o passeio pode ser feito de carro ou a pé, além de ter a possibilidade de ir sem o auxílio de guias turísticos. Porém, Lilo afirma que percorrer o trajeto sem a presença de um profissional que conheça bem as trilhas e cachoeiras indicadas para mergulho pode ser perigoso. “Muitas pessoas não têm cautela e acabam acampando em locais inapropriados, como próximo a cachoeiras. Em período chuvoso, há o risco de as piscinas naturais e cachoeiras encherem mais do que o esperado”, alerta. Para o guia, saber o lugar certo onde pernoitar traz maior segurança para o turista e gera renda para os moradores, que alugam suas casas para as pernoites no decorrer da viagem. A média de valor cobrada pelos guias é de R$ 650, com dois jantares e pernoites e três cafés da manhã, além de três lanches de campo.

O TRAJETO

No primeiro dia de travessia, é alcançada a maior média de altitude e são percorridos cerca de 12 quilômetros. “Apesar da longa subida, os turistas gostam muito do primeiro dia, pelo fato de conseguirem ver toda a região de Lapinha. É uma vista maravilhosa”, conta o guia. Durante a primeira trilha, os viajantes podem conhecer a Cachoeira de Lapinha e o Pico do Breu. Nas alturas do pico, é possível avistar todo o vale entre a Serra do Breu e a Serra do Intendente. Depois desse percurso, o grupo chega à casa da dona Ana Benta, primeiro local de pernoite. O estabelecimento é uma área de camping e conta com chuveiro com água quente e comida feita no fogão a lenha.


No dia seguinte, parte-se em direção à casa de Zé de Olimpo, numa caminhada de aproximadamente 11 quilômetros. Nessa trilha, é possível conhecer a prainha do Rio Parauninha e a famosa Cachoeira do Tabuleiro, que tem um poço de 700 metros quadrados e 18m de profundidade. A casa também oferece alimentação e chuveiros com água quente. O local de acampamento é um planalto, com vista da Serra do Intendente. “À noite, a vista é ainda mais bonita, por ser possível ver as luzes das pequenas cidades em volta.” A vegetação predominante na região do Tabuleiro é o campo rupestre, com capões de mata atlântica e espécies de cerrado. O Ribeirão do Campo formou várias piscinas naturais. Outros pontos encontrados no segundo dia são a Estátua do Juquinha – escultura construída em homenagem a um andarilho que viveu na Serra do Cipó e trocava raízes e plantas que colhia por alimentos oferecidos pelos turistas – e o mirante.


No terceiro dia, o percurso segue em direção a Conceição do Mato Dentro, com aproximadamente 10 quilômetros, passando pela parte de baixo da Cachoeira do Tabuleiro. Lá, os turistas vão encontrar o mirante, mas, antes, uma parada nas maravilhosas piscinas naturais para um refresco.

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