Cassino, arte urbana e boa música

Muitos artistas locais vêm sendo estimulados a trabalhar em Detroit, aquecendo o mercado de galerias. Pubs são tradicionais na cidade e oferecem cervejas artesanais

17/02/2015 00:12

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Brent Foster/AFP-29/3/04
(foto: Brent Foster/AFP-29/3/04)

Detroit (EUA) – A falta de imaginação acomete o escriba, que encara há quase uma semana temperaturas que deixariam os pudicos muito felizes. Todavia, desbravar Detroit é uma missão para os fortes, para os que suportam o frio do “Grande Norte”. Sinto-me no momento como um Irmão da Patrulha da Noite, protegendo a muralha nas Crônicas de gelo e fogo, de George RR. Martin. E é uma sensação ótima. Caminhar às margens do rio que dá nome à cidade (conector entre os lagos Saint Clair,  Oeste, e Erie, a Leste), o Detroit River, é apreciar uma vista espetacular do Canadá (para entrar no país deve-se pagar uma taxa de US$ 100 para o visto provisório*), que está logo à frente. Aliás, é só atravessar os 2,3 quilômetros da Ambassador Bridge e chegar a Windsor, localidade mais ao sul do território canadense e conhecida pela alcunha de Cidade das Rosas. Se não quiser apreciar a vista e chegar um pouco mais rápido há a opção de atravessar a fronteira pelo Detroit-Windsor Tunnel. Um dos maiores cassinos da terra de Terrance and Phillip – personagens de South park, icônica e polêmica série criada por Trey Parker e Matt Stone – está no município e enverga um nome tradicionalíssimo. O Caesars Windsor atrai muitos detroitianos cansados de gastar um dinheirinho no igualmente luxuoso MotorCity Casino Hotel. Ou seja, se você é um jogador, meu amigo, terá opções.

ARTE BRUTA Além da jogatina, dos carangos e da música, Detroit tem bem mais. Muitos artistas locais vêm sendo encorajados a trabalhar em Detroit e região. São pintores, escultores e grafiteiros diversos que espalham sua arte pela capital e adjacências. A Grand River Avenue, por exemplo, tornou-se uma galeria a céu aberto, com grafites espalhados por várias edificações, abandonadas ou não. O tema das obras geralmente remete à cidade ou ao estado de Michigan e há certa resistência com relação a artistas advindos de outras cidades.

Jason Reed/Reuters-8/4/12
(foto: Jason Reed/Reuters-8/4/12)


Ainda há um movimento com a abertura de espaços específicos para as artes. A Re:View, galeria voltada para obras contemporâneas, é comandada pela brasileira Simone de Sousa e é dos destinos mais quentes na gélida Motown quando tratamos dos trending topics na seara artística. O espaço de Simone fica no Cultural Center da cidade, em Midtown, e inúmeros artistas, locais ou não, expõem por lá. Os valores das obras variam, mas para quem gosta de gastar umas patacas numa peça moderna, mais descolada, é uma excelente opção.

Natural de Brasília, Simone reside em Detroit desde 1998 e vivenciou as fases dourada, decadente e de reconstrução da cidade. “Achei que Detroit nunca teria um come back, mas felizmente vemos muita gente vindo para cá nesses dias. Os irmãos Campana (designers brasileiros mundialmente conhecidos) estão querendo abrir alguma coisa aqui também”, destaca a empreendedora.

Tamanha proximidade com o Canadá francês faz com que inúmeros logradouros de Detroit carreguem um nome nada americanizado. Belle Isle, por exemplo, é um desses locais. A belíssima ilha-parque é uma opção interessantíssima para ótimas caminhadas e piqueniques no verão. No inverno, porém, considero a experiência bem mais divertida. O visitante pode fazer uma caminhada tal qual na estação mais ensolarada, especialmente pertinho do Livingstone Lightouse. Todavia, o ski cross country é muito mais bacana de ser praticado e você se esquece completamente de que está numa metrópole, e passa a achar que encontra-se em algum ponto da Europa desafiando (e apreciando) a natureza. Ainda há um zoológico com enfoque no ecossistema dos Grandes Lagos, um santuário de pássaros, o lindíssimo Aquarium, e o Great Lakes Museum. Belle Isle de fato é belíssima e vale a pena.

Jason Reed/Reuters-8/4/12
(foto: Jason Reed/Reuters-8/4/12)

 

ESPORTES E A NOITE

Como fã inveterado dos Green Bay Packers, confesso que, se pudesse, não recomendaria uma visita ao estádio dos Lions. No entanto, a arena da equipe de futebol americano da cidade é bem interessante e localiza-se em frente ao campo dos Tigers, o time de baseball que representa a Motown. Destaque para os “tailgates”, churrascões em frente ao Ford Field nos dias de jogos dos leões. Além disso, caso seja um aficionado por hóquei, os tradicionais Red Wings atuam na Joe Louis Arena. A casa dos igualmente tradicionalíssimos Pistons, a realeza do basquete detroitiano, fica um pouco mais longe, em Auburn Hills. No entanto, vale a pena alugar um carro e ir até a cidade, que fica a cerca de meia hora da capital. No meio do caminho você pode parar para umas comprinhas no Great Lakes Crossing Outlets, repleto de lojas de alta estirpe e com preços definitivamente “camaradas”.

Para completar, o inverno da Motown oferece-lhe gama generosa de bares e pubs para se apreciar uma boa cerveja e bater um bom papo. O “irlandês” The Old Shillelagh, na Monroe Avenue, em Greektown, é das mais tradicionais casas da cidade. Em Downtown, há o The Anchor Bar e o Grand Trunk. Agora, se sua cervejinha predileta é uma boa artesanal, vá ao Motor City Brewing Works, em Midtown. Lá nasceu uma das melhores artesanais dos Estados Unidos, a Ghettoblaster. Todos esses ótimos estabelecimentos, assim como outros espalhados pela cidade, só têm um pequeno porém: fecham em torno das 2h. Tudo bem, sem problemas. Compre umas “brejas”, leve para o hotel, coloque aquele R&B e mantenha Detroit em sua mente. Ela pode ser fria, mas é quente como uma boa coberta costurada pela avó. Detroit é uma matriarca.

* Segundo o site do consulado do Canadá, o “transit visa”, para quem quiser ficar até 48 horas no país, é grátis. Já o visto de residente temporário custa 100 dólares canadenses, o equivalente a R$ 227,73 (valor de 13/2/15).


SERVIÇO
Quem leva

De Belo Horizonte, as melhores opções são os voos em parceria Gol e Delta, American Airlines ou American Airlines/ US Airways. Como não existe um voo direto para a Motown, conexões são realizadas em São Paulo e Miami. Em alguns casos as aeronaves ainda fazem uma parada extra em Charlotte.

Onde ficar
»
Detroit Marriot at the Renaissance Center – 400 Renaissance Drive – Muito bem localizado, o suntuoso e gigantesco prédio multiuso da General Motors ainda propicia ao hóspede vista espetacular do Detroit River e do Canadá.
» Atheneum Suite Hotel – 1000 Brush Street – Pertinho da agitada vida noturna de Greektown, com seus bares e locais para jogatina, o Atheneum ainda tem como trunfo estar próximo dos estádios das equipes desportivas da Motor City.
» MGM Grand Detroit Hotel – 1777 3rd Street – Com traços de Vegas, o MGM Grand conta, além do cassino, com spa, bares, lounges e com a badaladíssima V Nightclub.

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