Passeio pelo passado

Conhecidos como destemidos desbravadores mas também assassinos bárbaros, os vikings deixaram legado imensurável para as gerações contemporâneas

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Adriana Bernardes


Olhar para a era viking é mergulhar em um universo de contradições. Os primeiros habitantes do país nórdico foram, ao mesmo tempo, destemidos desbravadores, exímios navegadores e comerciantes, mas também assassinos e estupradores brutais. No entanto, o legado deixado por eles para as gerações contemporâneas é inegável. Tiveram um papel tão importante na história que ainda hoje fascinam escritores e cineastas e, com certa frequência, seus feitos podem ser vistos nas telas dos cinemas ou em seriados.

Assim sendo, a viagem à Noruega é também uma oportunidade de voltar ao passado e conhecer pelas mãos dos descendentes dos bárbaros escandinavos um pouco dessa história. Em Lofotr, é possível entrar na maior casa da era viking já encontrada pelos arqueólogos. Na capital Oslo, o Museu Viking exibe embarcações encontradas pelo país ao longo dos anos – algumas delas, excepcionalmente bem preservadas, e outras com bastantes avarias. Estar diante dos barcos, imaginar que foram construídos sem qualquer aparato tecnológico e que, com eles, os primeiros habitantes do Norte da Noruega enfrentaram o mar aberto e colecionaram vitórias é uma experiência surreal.

Em Borg, a descoberta da casa viking se deu por acaso, no momento em que um agricultor arava o campo. O que se viu depois de a terra ser revolvida foram toras de madeiras posicionadas de tal modo que lembravam as bases de uma antiga construção. O trabalho dos arqueólogos comprovou se tratar de uma casa de um chefe viking, de 83 metros de comprimento.

Com base na planta da casa fincada no chão, os pesquisadores lançaram mão de outras descobertas sobre o modo de vida e a cultura viking e reconstruíram o casarão. O resultado é uma habitação retangular, com grandes salões e um teto que lembra uma embarcação.

Os poucos passos que dividem o museu que conta essa história e a casa propriamente dita são uma experiência incrível. Cercado de montanhas, o complexo fica numa região de relevo com leves ondulações. No verão, a grama verde é constantemente varrida pelo vento forte e frio – para os padrões brasileiros, é claro. À direita, um chiqueiro feito com pedras de cor escura. Mais adiante, o local exato onde os arqueólogos descobriram a casa, e à esquerda, a replica do lar viking.

AQUAVIT A iluminação amarelada, os utensílios domésticos, as roupas e os calçados, as ferramentas, as espadas, o elmo e até o cheiro do lugar mexem com todos os sentidos. E, se o visitante não se contentar com essa experiência, ainda pode experimentar um jantar à moda viking, remar um navio igual aos que eram construídos há mais de mil anos e participar de jogos medievais promovidos no verão.

Antes de fazer as malas rumo a outro destino, pare no Bacalao, um bar que leva o nome do prato mais tradicional da casa, o bacalhau. Preparado à moda espanhola, é desfiado e leva tomates, pimentão e pimenta. Servido em uma cumbuca, é acompanhado de pão. E, para beber, experimente o aquavit, bebida destilada feita a partir da fermentação de batatas e cereais e depois aromatizada com ervas como coentro, canela e anis.

Os locais contam que a bebida tem mais de 400 anos e, ainda hoje, é feita do mesmo jeito. A produção é artesanal. E, para ser concluída, é engarrafada, colocada em um navio que vai da Noruega até a Espanha e volta. O balanço do barco é o que finaliza “a água da vida”. Todas as tentativas de industrializar o processo fracassaram. Quanto ao sabor... Bem, vale mais por conhecer do que propriamente pelo sabor.

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