Peça com Dan Stulbach usa o riso para discutir os impasses do Brasil

'Morte acidental de um anarquista' foi apresentada em 23 cidades do país e BH é a única à qual a montagem voltou, segundo o ator

por Márcia Maria Cruz 21/07/2017 08:30
João Caldas/Divulgação
Peça será apresentada neste sábado, 22, e domingo, 23, no Cine Theatro Brasil Vallourec. (foto: João Caldas/Divulgação)

Dan Stulbach retorna a Belo Horizonte para dar vida ao louco cuja mania é interpretar pessoas normais. Baseada no texto do dramaturgo italiano Dario Fo (1926-2016) e dirigida por Hugo Coelho, a peça Morte acidental de um anarquista foi apresentada em 23 cidades do país. ''BH é a única à qual estamos voltando. Fizemos uma temporada no Palácio das Artes e foi muito bom'', afirma Dan. As sessões estão marcadas para sábado, 22, e domingo, 23, no Cine Theatro Brasil Vallourec.

Dan interpreta o louco que se diz juiz, psiquiatra, bispo e capitão. ''A doença faz com que ele assuma outras personalidades. Vai preso e se passa por um juiz, que analisa o caso do anarquista que caiu da janela de um prédio. O mais interessante é que a história se baseia em um caso real, a partir de relatos de policiais'', explica, referindo-se às circunstâncias em que um anarquista morreu em Milão, em dezembro de 1969.

O texto foi escolha de Dan e de Henrique Stroeter, que compõe o elenco ao lado de Maíra Chasseraux e Riba Carlovich.  ''Na época, estava encenando a peça Meu Deus, com Irene Ravache. Então, eu e Henrique pensamos em Morte acidental, o texto mais marcante do Fo. Tínhamos visto a montagem com o (Antonio) Fagundes.''

 

Para Dan Stulbach, a peça tem muito a ver com a atual situação brasileira. ''É uma maneira corajosa de discutir política sem ser de forma partidária. Quando a montamos, o Brasil passava por um momento de muito radicalismo, que infelizmente permanece'', afirma. ''Vínhamos do mensalão, tínhamos o Joaquim Barbosa. Os juízes já começavam a ter visibilidade.''

 

Na opinião do ator, o espetáculo permite que as pessoas superem a polarização que domina o debate no Brasil. Oferece uma forma de perceber, de maneira crítica, tudo o que está ocorrendo no cenário nacional. ''Não queria levantar bandeiras, mas a peça chega a lugares que não imaginávamos. Liberta desse radicalismo todo. Como é comédia, as pessoas riem de si mesmas'', revela.


O espetáculo é interativo. Os espectadores são convidados a enviar frases, depois ditas em cena. ''É muito bacana. As pessoas botam tudo pra fora. E é legal porque é no teatro, que permite uma celebração, uma grande catarse'', diz o ator

EUGÊNIO

Dan Stulbach está no horário nobre da televisão, interpretando o personagem Eugênio em A força do querer, de Glória Perez, exibida pela Globo. Depois da estreia da novela, ele passou alguns meses sem apresentar Morte acidental de um anarquista. ''É muito puxado. Parei e estou voltando depois de dois meses fora do teatro. Adoro a peça, ela me renova. Fazer teatro e TV ao mesmo tempo é muito próximo do sonho de vida que eu tinha. As coisas acabam conversando'', diz.

No entanto, o ator avisa: Eugênio e o louco são personagens bem distintos. ''O Eugênio é tranquilo, ético, confuso. O louco é irreverente, esperto. É tudo, menos indeciso. E é muito confiante.''

 

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA
De Dario Fo. Direção: Hugo Coelho. Cine Theatro Brasil Vallourec, Praça Sete, Centro, (31) 3201-5211. Sábado (22/7), às 21h; domingo (23/7), às 18h. Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada). 

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