Premiado monólogo O escândalo de Phillipe Dussaert estreia hoje em BH com Marcus Caruso

Controvérsia sobre o preço de uma obra é o mote para o ator debater com o público outros valores

por Cecília Emiliana 24/06/2017 08:00
Paula Kossatz/Divulgação
No ar na trama global das sete, Marcus Caruso planeja turnê fora do Brasil com a montagem (foto: Paula Kossatz/Divulgação)
O escândalo de Phillipe Dussaert, primeiro espetáculo solo do ator, autor e diretor Marcos Caruso, certamente faz jus ao título. No Rio de Janeiro, onde ficou em cartaz por sete meses, foi “escândalo” de público e crítica. Levou nada menos que todos os principais prêmios teatrais da temporada carioca nas categorias melhor ator, melhor espetáculo e melhor produtor. Trinta mil espectadores depois, a peça chega a Belo Horizonte, com estreia marcada para a noite deste sábado (24) no teatro Sesiminas.

Ironicamente, uma das reflexões propostas pela montagem – texto do ator e dramaturgo francês Jacques Mougenot, sob direção de Fernando Philbert – é o valor da arte. Acompanhado apenas de um banquinho, uma mesa e um jarro d’água, Caruso atua como um palestrante que investiga, junto com o público, uma cena e tanto na história contemporânea: a ocasião em que o pintor francês Philippe Dussaert tem sua obra-prima arrematada por 8 milhões de francos em um leilão.

O episódio, contudo, transforma-se numa grande polêmica. A estética proposta por Dussaert na obra, afinal, é considerada excêntrica além da conta, a ponto de ele ter seu talento questionado: seria Philippe mesmo artista ou mais um picareta de boa lábia? Nascido na França em 1947, o pintor não iniciou mesmo a carreira com muita originalidade. Destacava-se, a princípio, como exímio copista de quadros famosos de Da Vinci, Manet, Cézanne, entre outros. Em perseguição obstinada do minimalismo, começou a reproduzir essas pinturas mantendo apenas o cenário de fundo, excluindo quaisquer personagens humanos ou animais, o que causou surpresa e inquietude no mundo artístico. Seu escandaloso trabalho, que inspirou Jacques Mougenot a escrever a peça, choca justamente por levar o conceito minimalista ao extremo.

DISCUSSÕES

Polissêmicas, as discussões e controvérsias propostas pelo espetáculo extrapolam a seara das tintas, quadros e museus. Sempre de forma leve e bem-humorada. “O espetáculo se utiliza de um escândalo na história da arte também para falar sobre os escândalos cotidianos que nos afetam. Então, a política e a economia, por exemplo, entram nesse contexto. Entre muitos outros tópicos. Acabamos criando um diálogo com tudo aquilo de surreal que está presente no nosso dia a dia, como o preço e o valor das coisas, itens e comportamentos impostos pela moda ou pela mídia, as mentiras diárias com que lidamos. As reflexões alcançam também a vaidade, o valor da palavra e por aí vai”, descreve Marcos Caruso.

O ator destaca ainda a interação com a plateia como característica marcante do espetáculo. “Eu o chamo de solo coletivo. Estou sozinho, mas o público está o tempo todo em diálogo comigo. Começo na entrada do teatro, recebendo as pessoas no momento em que elas entram. A iluminação permanece sempre à meia luz, não é totalmente apagada. Quando subo no palco, olho nos olhos das pessoas. Elas interagem comigo, são convidadas a dar a opinião delas, se quiserem. E a partir daí vamos desvendando juntos esse escândalo do Philippe Dussaert”, explica.

Em evidência na TV com o personagem Pedrinho, um dos protagonistas da nova novela global das 19h Pega pega, Caruso se prepara para levar a peça para fora do Brasil. Em janeiro, segue em turnê pelos Estados Unidos, onde se apresentará nas cidades de Orlando, Miami, Boston e Nova York. Em abril do ano que vem, faz temporada emara São Paulo.

O escândalo Philippe Dussaert

De: Jacques Mougenot. Direção: Fernando Philbert. Com Marcos Caruso. Neste sábado (24), às 21h, e domingo (25), às 18h. No teatro Sesiminas (R. Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). Ingressos: R$ 80 e R$ 40 (meia entrada), à venda na bilheteria do teatro e pelo site www.tudus.com.br.


FESTIVAL DE BIOGRAFIAS


A programação do Sesiminas inclui ainda um festival de teatro gratuito, com oito peças integrantes da 42ª edição do Festival de Teatro Popular Permanente Ronaldo Boschi, que vai até 5 de julho. Promovido pelo Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), o evento – que também ocorre no Teatro Nossa Senhora das Dores – este ano traz o tema biografias. O diretor Charles Chaplin, o dramaturgo Nelson Rodrigues, o cineasta Walt Disney, o escritor Monteiro Lobato e a compositora Chiquinha Gozaga estão entre as personalidades cujas histórias serão contadas nos palcos.

Os espetáculos são encenados pelos alunos que frequentam os cursos de teatro do CPT. “O mais legal do festival é que ele não é só a apresentação de trabalhos dos nossos alunos, mas também um esforço de contribuir para a formação de plateias. Levar as pessoas ao teatro, proporcionar e incentivar essa experiência é muito gratificante”, diz Jordana Luchini, uma das proprietárias da escola de teatro.

42º Festival de Teatro Popular Permanente Ronaldo Boschi

Até 5 de julho, no teatro de bolso do Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia) e no teatro Nossa Senhora das Dores (Av. Francisco Sales, 77, Floresta). Entrada: 1 kg de alimento não perecível. Mais informações: (31) 99934-1631.
Programação: www.cpteatrais.com.

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