Nova versão de Sobre ratos e homens estreia hoje no CCBB

Peça escrita por John Steinbeck em 1937 chega hoje a BH com seu novo formato

por Mariana Peixoto 15/06/2017 10:01
Luciano Alves/Divulgação
Os atores Ricardo Monastero e Ando Camargo interpretam dois amigos que viajam em busca de trabalho (foto: Luciano Alves/Divulgação)
Ratos e homens (1937) é a primeira incursão de John Steinbeck (1902-1968) na dramaturgia. Escrita como um romance, a peça tem três atos (com dois capítulos cada), a narrativa ambientada na Grande Depressão é centrada em dois amigos.

George é pequeno e esperto. Lennie, apesar do tamanho avantajado e da força exagerada, tem a mente de uma criança. Inseparável, a dupla percorre o interior dos Estados Unidos em crise em busca de trabalho.

Oitenta anos após a edição do romance do vencedor do Nobel, a história da dupla ganha nova montagem no Brasil. O espetáculo paulista Sobre ratos e homens, que estreia hoje no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e cumpre temporada de cinco semanas em BH, marca ainda os 60 anos da primeira montagem brasileira do texto do autor norte-americano. O espetáculo, de 1957, foi do Teatro de Arena, com direção de Augusto Boal e dois atores bem jovens: Gianfrancesco Guarnieri e Milton Gonçalves, então estreante no teatro.

A narrativa já teve três traduções no Brasil (a primeira, de 1940, é de Érico Veríssimo). Para esta montagem, ganhou nova tradução. A peça, dirigida por Kiko Marques, venceu o prêmio APCA de melhor espetáculo de 2016.

O ator Ricardo Monastero, que interpreta George, foi também o responsável pela tradução. “Queríamos, Ando Camargo (que vive Lennie) e eu, fazer um espetáculo com dois atores. Não chegamos a um texto, mas ele me falou de um que adorava para mais atores. Não conhecia a história, então primeiro assisti ao filme com John Malkovich (Ratos e homens, de 1992, dirigido por Gary Sinise, que também interpreta um dos personagens). Depois li o romance, liguei para Nova York para pedir os direitos de adaptação”, conta.

Como só encontrou uma tradução, com português “quase arcaico”, decidiu ele mesmo assumir o papel. “O que fiz foi tirar algumas referências de localização de tempo e espaço, para deixar que o espetáculo pudesse ser fruído na contemporaneidade”, acrescenta Monastero. Kiko Marques explica melhor: “Resolvemos tornar a história atemporal, como se ela pudesse se passar hoje em dia, num galpão de obras de uma incorporadora de São Paulo. E é impressionante como a peça, escrita para uma realidade específica, funciona até hoje”, afirma o diretor.

A história se desenvolve em três lugares. “Para dar mais dinâmica para o espetáculo, optamos por um cenário único com três ambientes: um celeiro, um barracão para os operários e a casa de um funcionário negro, excluído da convivência com os outros”, completa Marques.

Além de Monastero e Camargo, Sobre ratos e homens reúne no elenco outros seis atores: Natallia Rodrigues, Tom Nunes, Cássio Inácio Bignardi, Roberto Borenstein, Pedro Paulo Eva e Daniel Kronenberg. Ainda que seja uma montagem predominantemente masculina, o espetáculo reserva um papel feminino essencial para o desfecho da narrativa: Mae, a nora do patrão, que desestabiliza a ordem dos funcionários da fazenda.

SOBRE RATOS E HOMENS
Estreia hoje, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Praça da Liberdade, 450, Funcionários, (31) 3431-9400. Apresentações de sexta a segunda, às 20h. Até 17 de julho. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia).

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