Chega a BH peça de teatro com Michel Teló sobre a história do gênero sertanejo

O público ri e se emociona durante as duas horas e meia de espetáculo (com 15 minutos de intervalo)

por Helvécio Carlos 27/05/2017 07:00
Lenise Pinheiro/divulgação
(foto: Lenise Pinheiro/divulgação)

Quando o assunto é música, o gênero sertanejo circula com a maior desenvoltura entre todas as gerações. Nossos avós e pais são fãs de Tonico & Tinoco e Leo Canhoto & Robertinho, enquanto a moçada admira Zezé di Camargo & Luciano e os ídolos do sertanejo universitário.

Seja qual for a praia, certo é que a música caipira e sertaneja tem muita história boa. Até segunda-feira, boa parte dela será contada e cantada no espetáculo estrelado por Michel Teló, em cartaz no Minascentro. Belo Horizonte é a penúltima parada da turnê, que começou em abril e até o próximo fim de semana vai passar por seis capitais, além de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Quem for ao Minascentro não deve esperar por um roteiro cronológico e nem por todos os ídolos do gênero em cena. Desde o início, explica o autor e diretor Gustavo Gasparani, a ideia não era contar essa história de forma didática. Ele preferiu usar a música sertaneja como pano de fundo dos caminhos do brasileiro do interior. “E assim fiz, misturando canções e poesias do sertão escritas por Cora Coralina, Guimarães Rosa e Manoel de Barros”, diz. “A seleção do repertório foi feita de acordo com a dramaturgia, entrando onde as canções mais combinavam com a cena. Por mais que o sertão seja mítico, raiz, o espetáculo tem músicas contemporâneas misturadas às mais antigas. O público vai ouvir Tonico e Tinoco e Almir Sater”, detalha.

Resumindo: o espetáculo mostra a evolução do sertanejo dos anos 1950 aos anos 1990. Antes que alguém reclame da ausência de duplas femininas no palco, Gustavo Gasparani argumenta que seria impossível colocar todo mundo em uma peça só. “Teria que montar um terceiro ato”, brinca. “Adoro as duplas femininas, mas este é um momento ainda muito recente para já escrevermos esta história. Assim como em Sambra (peça com Diogo Nogueira sobre o samba, dirigida por ele), ainda é cedo para falar dos últimos cinco anos. O pensamento feminino está bem representado, servindo a essa geração também”, garante.

Gasparani dá um puxão de orelha nos “doutores” que desprezam os caipiras. E o faz com um poema de Catulo da Paixão Cearense aliado à sua experiência pessoal. “Quando cito a bem-sucedida carreira dos filhos do administrador da fazenda, é a pura verdade. Eles falam inglês... Por que não podem?”, questiona, contando que o texto traz o que vivenciou na fazenda de sua família, no interior de São Paulo.

EMOÇÃO


Gustavo acertou na mosca. Com suas 38 canções, Bem sertanejo – o musical funciona muito bem como entretenimento de qualidade. O público ri e se emociona durante as duas horas e meia de espetáculo (com 15 minutos de intervalo). A plateia delira com as cenas dos pescadores contando suas manjadas – e divertidas – histórias, além do encontro Amigos, projeto que reuniu as duplas Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé di Camargo & Luciano. “Parece que estão vendo as próprias duplas”, comenta o diretor.

Outro momento de destaque tem Michel Teló contando a própria história. A cenografia de Gringo Cardia e o figurino de Marcelo Olinto valorizam a trama.

O diretor chegou ao projeto a convite da Aventura Entretenimento e da Musickeria, que, por sua vez, fizeram parceria com Michel Teló. Inspirado pelo quadro Bem sertanejo do programa Fantástico, o músico paranaense quis levar essa música para o teatro. Sem tempo por conta da agenda apertada de shows e também por não ter know-how para produzir um musical, Teló foi tocando a vida até surgir a possibilidade de parceria com Luiz Calainho, produtor da Musickeria.

MACHISMO

Até a estreia, em abril, foram meses de pesquisas e descobertas. Gasparani diz que o machismo nos primórdios da música sertaneja chamou a sua atenção. “A mulher era culpada de todos os males”, resume. Na peça, é diferente. “Ela aparece com força, rechaçando esse tipo de comportamento”, resume o diretor.

Gasparani assinou vários musicais – entre eles, Aquele abraço, Sambra: 100 anos de samba e Samba Futebol Clube. Sem apontar seu gênero favorito, diz ter interesse por música brasileira em geral. E é só elogios ao sucesso dos sertanejos, que dominam as paradas.

“Quando era moleque, tudo era americano. Agora a galera sai para dançar ao som do sertanejo universitário, que é música brasileira. Isso é muito interessante”, conclui.

BEM SERTANEJO, O MUSICAL
Minascentro, Avenida Augusto de Lima, 785, Centro, (31) 3217-7900. Hoje, às 22h; amanhã, às 16h e às 20h; segunda-feira, às 20h30. Inteira: R$ 150 (setor 1), R$ 130 (setor 2), R$ 120 (setor 3) e R$ 50 (setor 4). Camarote: R$ 100. Meia-entrada na forma da lei.

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