Em A.M.A.D.A.S, Elizabeth Savalla brinca com a pressão para as mulheres se manterem sempre jovens

Com sessão hoje em BH, atriz defende o direito a 'despencar'

por Mariana Peixoto 14/05/2017 12:10
VANESSA SOARES/DIVULGAÇÃO
'Hoje, acho a idade uma coisa maravilhosa. Sempre existirão avós e bisavós na TV. Veja, a Vera Holtz é mais velha do que eu e era a protagonista da última novela das nove (A lei do amor). A Fernanda Montenegro está com 87 anos e trabalhando, a Bibi Ferreira com 94 e trabalhando' (foto: VANESSA SOARES/DIVULGAÇÃO)

Com 62 anos de idade, Elizabeth Savalla tem 42 deles de televisão. Fez todos os papéis possíveis – mocinha, vilã, mulheres vingativas, tristes e engraçadas. Da sofrida Carina, de Pai herói (1979), à divertida Cunegundes, de Êta mundo bom (2016), a atriz vem aliando, junto às novelas, sua carreira no teatro.


Ela chega a Belo Horizonte para apresentar, hoje , no Teatro Sesiminas, o espetáculo A.M.A.D.A.S – Associação de Mulheres que Acordam Despencadas. No monólogo de Regiana Antonini com direção de Luiz Arthur Nunes, a atriz interpreta Regina Antônia, uma mulher que chega à meia idade e sente a pressão de uma sociedade que está em busca da eterna juventude. A personagem não se detém frente à passagem do tempo. Pelo contrário: questiona os valores, de maneira engraçada e crítica.

“É quase um stand up, pois as pessoas riem do começo ao fim. E é pura ficção, já que a personagem tem 48 anos, e eu estou com 62”, diz ela. Mesmo com idade diferente da de Regina Antônia, Elizabeth compartilha com a personagem algumas ideias. “A verdade é que depois dos 30, é um despencar contínuo”, comenta, referindo-se ao título do monólogo. “Eu rio de tudo, principalmente de mim mesma. Nunca achei importante o fato de ser jovem. Na verdade, nem me achava bonita”, afirma.

Elizabeth Savalla, graças aos papéis em novelas e seriados, vem envelhecendo em público. Afirma que a despeito da passagem do tempo, tem encontrando bons personagens. “Sempre quis duas coisas na vida: ser mãe e atriz. Com 24 anos, já tinha quatro filhos (todos homens, fruto de seu casamento com o ator Marcelo Picchi) e fazia uma protagonista em novela. As pessoas falavam que eu era louca, mas foram as coisas que persegui na vida.”

E há pelo menos 15 anos ela vem emendando um papel no outro. “Hoje, acho a idade uma coisa maravilhosa. Sempre existirão avós e bisavós na TV. Veja, a Vera Holtz é mais velha do que eu e era a protagonista da última novela das nove (A lei do amor). A Fernanda Montenegro está com 87 anos e trabalhando, a Bibi Ferreira com 94 e trabalhando...”

Ela não para. A.M.A.D.A.S., por exemplo, é uma montagem que estreou há cinco anos. Só quando a agenda da TV não permite é que ela deixa o palco. Volta a gravar em 15 de agosto, para a nova trama global das 19h, Pega pega. Como sua personagem, Arlete, só vai entrar no capítulo 60 da novela de Claudia Souto, ela está com tempo para viajar com o espetáculo. “São 30 anos fazendo teatro ininterruptamente. E isso abastece muito o ator”, comenta.

A.M.A.D.A.S – ASSOCIAÇÃO DE MULHERES QUE ACORDAM DESPENCADAS
Direção: Luiz Arthur Nunes. De: Regiana Antonini. Com Elizabeth Savalla. Teatro Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia, (31) 3241-7181). Hoje, às 19h. R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)

Cinco mulheres por trás dos homens

Francelle Marzano

Em tempos em que o feminismo anda tão em evidência, um espetáculo com o nome de Loucas por eles chama a atenção por sua aparente tendência contra a corrente. Com elenco formado por Suely Franco, Ellen Roche, Vera Mancini e as mineiras Cynthia Falabela e Fafá Rennó e direção de Fernando Cardoso, a peça tem sua segunda e última apresentação hoje, no Cine Theatro Brasil Vallourec.
DANILO BORGES/DIVULGAÇÃO
O elenco de Loucas por eles, cuja trama de desenvolve no aeroporto de Guarulhos; adaptação do texto do argentino Marcos Carnevale é assinada por Walcyr Carrasco (foto: DANILO BORGES/DIVULGAÇÃO)

As atrizes definem a montagem como uma comédia despretensiosa sobre a vida de cinco mulheres brasileiras apaixonadas pelos “homens de suas vidas”. “Não pretendemos discutir nada sério, grave. É apenas um entretenimento que, claro, acaba causando reflexões e trazendo lembranças. Mas não existe a pretensão de se criar uma discussão nem de engrandecer ou desmerecer qualquer tipo ou arquétipo de mulher”, afirma Fafá Rennó.

O texto, que ganha sua primeira montagem no Brasil, é do diretor e roteirista argentino Marcos Carnevale – dos filmes Elza & Fred e Coração de leão). A versão brasileira de Loucas por eles é assinada pelo novelista Walcyr Carrasco. A peça conta a história de cinco mulheres que, por conta de uma tempestade, ficam presas no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Enquanto isso, elas compartilham suas histórias, paixões e dramas, que vão se entrelaçando, enquanto aguardam o esperado encontro com as paixões de suas vidas (o pai, o marido, o filho, o amante e um cantor famoso, o sertanejo Daniel).

MEDO DE AVIÃO O papel de Suely Franco é o de Naná, a fã do cantor Daniel que tem medo de avião, mas vai voar pela primeira vez para encontrar seu ídolo. Para ela, a comédia retrata problemas que todo mundo conhece e já viu e por que todas as mulheres já passaram. “Não estamos defendendo nenhuma tese. O empoderamento é importante, sim, mas aqui estamos mostrando apenas a diferença de pessoas, sem a pretensão de levantar alguma bandeira”, diz.

Fafá Rennó interpreta Elizabeth, a filha apaixonada pelo pai ausente, um neurocirurgião. Médica, professora universitária e independente, a história de Elizabeth revela novas facetas e sofre uma transformação no decorrer da trama.

Entre as questões agudas expostas pelas cinco mulheres está a crise no casamento de Jéssica, vivida por Chyntia Falabella. Ela é fascinada pelo marido, mas o inverso não é verdadeiro. “A história é uma ficção, mas acredito que muitas mulheres vivem o que se passa em cima daquele palco. Ainda existem mulheres que são submissas, que não enxergam isso e a peça acaba despertando a atenção”, afirma Chyntia. Para ela, o espetáculo retrata a história de mulheres e não diminui as questões em torno do feminismo; trata-se de uma peça para as pessoas se divertirem.

Selma, interpretada por Vera Mancinni, e Débora, vivida por Ellen Roche, são apaixonas respectivamente pelo filho e pelo amante e são rejeitadas por eles.

PAPO COM O PÚBLICO
Após a sessão de Loucas por eles, o diretor Fernando Cardoso e as atrizes vão bater um papo com a plateia. Na conversa, a equipe fala sobre os processos criativos no teatro, as características das personagens e curiosidades que envolvem a comédia.

LOUCAS POR ELES

De: Marcos Carnevale. Direção: Fernando Cardoso. Com Suely Franco, Ellen Rocche, Vera Mancini, Cynthia Falabella e Fafá Rennó. Presas em um aeroporto por causa do mau tempo, cinco mulheres compartilham suas experiências de vida e amorosas. Cine Theatro Brasil Vallourec, Praça 7. Hoje, às 19h. R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).

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