Circo da China volta a BH com espetáculo 'A jornada do Panda sonhador'

Apresentação possui quase duas horas divididas em dois atos e reúne elenco de 47 artistas com idades entre 6 e 55 anos

por Helvécio Carlos 27/04/2017 09:00

Camila Cara/Divulgação
Contorcionismo é um dos números que mostra a habilidade do elenco. (foto: Camila Cara/Divulgação)

Os olhos da plateia estão fixos em cada um das cenas. A cada execução perfeita de movimentos que desafiam a gravidade e a imaginação, um suspiro aliviado. No palco, meninos e meninas se divertem como se tudo não passasse de brincadeira de criança. Pode parecer, mas não é. Seis anos depois de sua mais recente apresentação em Belo Horizonte, o Circo da China está de volta mostrando um elenco afiado em quase duas horas de apresentação, divididos em dois atos.


A jornada do Panda sonhador reúne 47 artistas, entre 6 e 55 anos, e mostra as aventuras de dois pandas que são punidos por um mestre chinês. Os ursos fofinhos queriam viver na maciota ''comendo todas as comidas gostosas e bebendo todo o vinho do mundo''. Como castigo, são enviados para um mundo microscópico habitado por abelhas e formigas. Enfeitiçados, ficam do tamanho de caracóis. Uma história fraquinha, que perde a importância diante do trabalho de precisão dos atletas. Os 12 números foram criados há dois anos especialmente para a turnê, que levou outros dois para ser montada até cair na estrada.

O grupo desembarcou em Belo Horizonte nesta segunda-feira, 24 , depois de quase um mês em cartaz em São Paulo. Vieram em dois ônibus, trazendo, além da equipe técnica, um chef para preparar café da manhã, almoço e jantar. Instalados em um apart hotel na Savassi, o elenco do circo não tem muito tempo para perambular pela cidade. A rotina é focada nas seis apresentações que vão realizar a partir desta quinta-feira, 27, até domingo, 30.

 

 

Zhong Li, vice-diretora do espetáculo, é a única que já conhece a cidade. Em 2001, ela integrou a equipe como acrobata. ''A cidade é hospitaleira'', elogiou durante coletiva realizada nesta quarta-feira, 26, no BH Hall. Ao contrário até mesmo de circos brasileiros, no da China não há uma tradição familiar. Por acaso, há irmãos gêmeos no elenco da companhia, mas em espetáculos distintos.

A seleção para entrar no grupo segue o interesse e aptidão de cada um para acrobacia, contorcionismo e balé. ''Eles precisam ter empenho e muita dedicação'', aponta Zhong Li. Os treinamentos são rigorosos, variando de seis a oito horas por dia quando não estão rodando o mundo. Já em turnê, além das apresentações, os atletas fazem ensaios durante os intervalos do show.

OLHOS BEM ABERTOS Se o roteiro e a trilha sonora deixam a desejar, a qualidade dos números vale o ingresso. A plateia não acredita no que vem no número Ballet, quando uma das garotas faz movimentos de bailarina clássica – com direito a sapatilha de ponta – no ombro de um dos rapazes. Em Barras russas, o grande desafio de parte do elenco masculino é mostrar força e equilíbrio. Em certo momento do número, a barra fica nos ombros de dois rapazes, que, por sua vez, estão em cima do ombro de outros dois colegas. É de perder o fôlego. O espectador nunca saberá o que é mais difícil: ser o suporte das barras ou o corajoso que encara o desafio e dá seu mortal.

O número mais leve do show não exige força ou domínio do corpo. De novo, parece brincadeira de criança quando três do elenco entram em cena com espécie de bumerangue em tamanhos e formatos diferentes. Difícil vai ser impedir que as crianças tentem o número em casa.

CIRCO DA CHINA – A JORNADA DO PANDA SONHADOR

Quinta e sexta-feira, 21h; sábado, 17h e 21h; Domingo, 16h e 20h. BH Hall (Avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, São Pedro). Ingressos: Arquibancada: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia); cadeiras setor 2: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia); cadeiras setor 1: R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia), vendas pelo www.ticketsforfun.com.br. Classificação: Livre.

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