Adaptação do livro de Antonio Prata, Nu de botas estreia hoje no CCBB

Na montagem de Cristina Moura, as experiências infantis do personagem são vividas por quatro adultos

por Cecília Emiliana 07/04/2017 08:00
Renato Mangolin/Divulgação
Transposição para o teatro foi aprovado pelo autor, que elogia o texto e os atores (foto: Renato Mangolin/Divulgação)
Com a genitália nas mãos, pronto para o xixi matinal, o pequeno Antonio Prata enfrenta um dilema: urinar ou não urinar para além das bordas do penico?. Eis a questão. O “vândalo” de banheiro de hoje, divaga o cronista ainda na primeira infância, é o homem aventureiro de vida sexual intensa de amanhã. Já ao garoto bem-educado que reza a cartilha maternal da boa higiene, resta a tediosa trajetória de adulto que usa pochete.


Esses e outros impasses típicos da segunda série estão registrados no livro de crônicas Nu de botas, escrito por Antonio Prata com base em suas vivências e memórias infantis. Agora, podem ser conferidos no palco, em peça homônima à publicação. Dirigido por Cristina Moura, o espetáculo estreia hoje em Belo Horizonte, no Centro Cultural Banco do Brasil, na Praça da Liberdade.

Para contar as histórias do menino Antonio – nascido em São Paulo em 1977, filho do escritor mineiro Mário Prata e da jornalista e dramaturga Marta Góes – Cristina “desmembrou” o personagem em quatro. Quatro adultos, em que pese o fato de os textos do livro partirem do ponto de vista da criança. “Duas mulheres e dois homens interpretam o Antonio, e o fazem como adultos. Eu não proponho uma viagem ao passado, mas a apresentação dos textos no presente, descolados da nostalgia, ainda que muitos falem de assuntos bem pueris, como viagens de carro, desenhos animados da TV, brincadeiras no quintal de casa ou primeiro amor”, afirma a diretora.

HUMOR
Outra opção da coreógrafa e ex-bailarina da Cia. Les Ballets C de La B, autora de várias criações que mesclam teatro e dança, foi pela simplicidade. “O texto, por si só, é muito imagético. Então, a gente valorizou as palavras e o humor das narrativas em cena. Mantivemos também o frescor, o olhar de descoberta que o autor imprime na obra”, diz ela.

Conhecido por sua coluna no jornal Folha de S.Paulo, Antonio Prata acumula milhares de fãs. Mas a motivação para montar o espetáculo, afirma Cristina, nasceu de um contato despretensioso com a publicação Nu de botas. “Eu estava na casa de um amigo e peguei um livro na estante. Por acaso, era esse do Antonio. Comecei a folheá-lo e gostei, achei bem engraçado, ri muito enquanto lia. Gostei também das percepções e comentários dele sobre a infância. Além de humor, tem poesia. E ao mesmo tempo em que são bem singulares, remetem à criança que todo mundo foi, parecem um convite à descoberta. Então me deu vontade de montar”, conta.

Autor e diretora, ao que parece, se admiram mutuamente. Prata, que também é roteirista, assistiu ao espetáculo no Rio de Janeiro e diz que se emocionou com o trabalho exibido no palco. “Ver esses episódios da minha vida ali, montados, foi superforte. E a Cristina foi muito feliz nas escolhas que ela fez. Primeiro, na edição dos textos. Ela mudou a ordem das crônicas e construiu uma dramaturgia impactante. A escolha dos atores também foi muito feliz. São todos ótimos, muito maduros. Não tem nenhum que destoa do ritmo”, elogia.

Nu de botas
Direção: Cristina Moura. Com Isabel Gueron, Keli Freitas, Luciana Paes, Pedro Brício, Renato Linhares e Thiare Maia Amaral. No CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450, Funcionários). De hoje a 1° de maio, de sexta a segunda, às 20h; sábados às 17h e às 20h. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Mais informações: (31) 3431-9400.

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