Confira as atrações deste domingo na Campanha de Popularização do Teatro e da Dança

Mais enxuta do que nos anos anteriores, 43ª edição entra em sua reta final com novidades para o público

por Mariana Peixoto 12/02/2017 08:00

Lina Mintz/Divulgação
Espetáculo De mala às artes, única montagem de rua da Campanha, tem sessão hoje na Praça Floriano Peixoto (foto: Lina Mintz/Divulgação)
O carnaval bate à porta e a Campanha de Popularização Teatro & Dança começa a se despedir. Se nas edições mais recentes o evento durava dois meses – em 2016 se estendeu até março –, neste ano foi encurtado para seis semanas. Termina no próximo domingo.

“Antes, em janeiro e fevereiro, só havia a campanha. Agora, com o carnaval crescendo, não justifica mais continuar (com os espetáculos) depois dele”, comenta Dilson Mayron, um dos coordenadores do evento.

Ainda não é possível estimar se os números da edição do ano passado – que teve 213 mil ingressos vendidos – serão suplantados. Até a última quinta-feira, a venda somava 137 mil ingressos, mas esse total não inclui os dados do interior nem os das bilheterias dos teatros participantes.

Mesmo em sua reta final, ainda há novidades na Campanha. Hoje, às 10h, na Praça Floriano Peixoto, em Santa Efigênia, haverá a apresentação única da montagem De mala às artes. Espetáculo de palhaços com a Cia. Circunstância e direção de Rodrigo Robleño, foi inspirado nas histórias de Pedro Malasartes, personagem tradicional da cultura ibérica que se tornou também muito conhecido no Brasil.

PALHAÇOS

Na praça, os palhaços Alegria, Guimba, Bambulino, Repimboca e Tica-Tica no Fubá contam as histórias de Malasartes, conhecido no mundo por zombar dos poderosos, muquiranas e presunçosos.

Única montagem de rua da campanha, De mala às artes integra a programação que leva o nome de Projetos Especiais. O braço foi criado para abarcar propostas mais autorais, que fugissem do caráter das comédias que costumam dominar a programação. “A campanha sempre apresentou espetáculos desse tipo, mas a gente achou que precisava dar luz a eles”, afirma Beto Plascides, responsável pela área.

Os Projetos Especiais têm os seguintes braços: Caminho das Artes (com montagens no Centro de Arte Suspensa Armatrux, em Nova Lima); Campanha Mostra (espetáculos de pesquisa que foram apresentados no CCBB, Funarte, Cine Horto e Sesc Palladium); Oficina Dramaturgia (encontros sobre escrita teatral); e o bar La Movida, no bairro Funcionários, que abriga a apresentação de micropeças para até 15 espectadores, com diversas sessões por noite.

“Neste ano, ampliamos a programação. Começamos a sentir, pela frequência e pelos comentários, um entendimento do público (sobre a iniciativa). O importante é a valorização da pesquisa”, avalia Plascides.

Na agenda de hoje do La Movida há três micropeças previstas: Guerrilha, com Idylla Silmarovi; Sapato bicolor, com Fabiano Persi, e Homem bomba, com Luiz Arthur. As três salas do espaço, cujos nomes homenageiam Soraya Borba,  Ítalo Mudado e  Cecília Bizzotto, abrigam quatro sessões cada uma, entre as 20h e as 22h05.

VÁ E VEJA
Confira alguns destaques de hoje na 43ª Campanha de Popularização Teatro & Dança

19:45!, no Galpão Cine Horto (R. Pitangui, 3.613, Horto), às 19h45. R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

A paixão segundo Shakespeare, no Teatro da Cidade (Rua da Bahia, 1.341), às 19h. R$ 15 (Sinparc).

Danação, no CCBB (Praça da Liberdade, 450), às 20h. R$ 10 (Sinparc).

Deszerto, na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, às 20h30. R$ 10 (Sinparc).



Migrações de Tennessee, na Funarte MG (R. Januária, 68, Floresta), às 20h. R$ 10 (Sinparc).

Rosa choque, na Funarte MG (R. Januária, 68, Floresta), às 20h. R$ 10 (Sinparc).

Rua das Camélias, no Hotel Imperial Palace (Rua Guaicurus, 436), às 20h. R$ 15 (Sinparc).


Urgente, no Teatro Bradesco (R. da Bahia, 2.244), às 19h. R$ 10 (Sinparc).


De mala às artesDireção; Rodrigo Robleño. Com a Cia Circunstância. Na Praça Floriano Peixoto, às 10h.

 

 

Em São Paulo: MITsp contorna a crise e reúne 10 espetáculos
Este 2017 não seria um bom ano para a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo. Até dezembro do ano passado, o curador Antônio Araújo conta que a programação da quarta edição estava magra. “Nós só tínhamos três peças confirmadas e um grande recuo no patrocínio. O próximo passo seria congelar o projeto para 2018.”

De lá para cá, muita coisa mudou, o que permitiu a inserção de mais sete montagens que completam a agenda. A mostra ocorrerá entre 14 e 21 de março. “De qualquer forma, fazer a mostra continua sendo um ato de resistência”, acrescenta Araújo, que tem a companhia do produtor mineiro Guilherme Marques na organização da MITsp.

As 10 montagens compreendem seis países e podem ser divididas em três eixos, explica Araújo. O primeiro dá prosseguimento à investigação de linguagens iniciada desde a primeira edição, em 2014. Avante, marche (Bélgica), do coreógrafo Alain Platel e Frank Van Laecke, é a peça de abertura no Theatro Municipal. Ao lado dela estão, Por que o Sr. R. enlouqueceu? (Alemanha) e Para que o céu não caia (Brasil). “São obras que perseguem um hibridismo com a música, cinema e outras linguagens”, afirma.

O próximo eixo ampara espetáculos que discutem a questão do negro e do racismo, representados em Black off (África do Sul) e nas estreias nacionais Branco - O Cheiro de lírio e formol, com direção de Alexandre Dal Farra, e A missão em fragmentos: 12 cenas de descolonização em legítima defesa, dirigida por Eugenio Lima. “São obras que encaram o racismo ampliando os olhares a partir de cada artista.”

Por fim, o último eixo é dedicado ao teatro documentário com Mateluna (Chile), uma continuação de Escuela, de Guillermo Calderón, que esteve na primeira edição da MITsp e que refletia sobre guerrilha urbana na década de 1980. O libanês Rabih Mroué estreia na programação com os espetáculos Revolução em Pixels, Tão pouco tempo e Cavalgando nuvens, peças desejadas pela organização desde a primeira edição. “Mroué tem um intenso estudo com imagens ligadas à política e ele merece essa minimostra”, diz Araújo.

MOSTRA SUSCITOU POLÊMICA EM 2016

No ano passado, a MITsp também se dispôs a debater a questão do racismo, mas acabou virando ela mesma alvo de polêmica. Inicialmente anunciado em sua programação, o espetáculo Exhibit b, do sul-africano Brett Bailey, foi retirado da agenda. De acordo com declarações do artista, a direção da mostra cedeu a pressões de ativistas que acusavam a montagem de ser racista e ameaçavam convocar boicote ao festival. A versão oficial da organização é que o cancelamento se deveu por um problema de verba. Sem Exhibit b, a terceira edição da MITsp acabou abrigando um protesto de atores negros pelo fim do preconceito e por mais visibilidade para seu talento durante a sessão do espetáculo-concerto Revolting music – Inventário das canções de protesto que libertaram a África do Sul, do também sul-africano Neo Muyanga. 

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE TEATRO