Artistas dão sugestão para a 43ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança

Às vésperas do início da campanha, o Estado de Minas convidou artistas que estarão em cartaz a 'vender o seu peixe' para atrair o público aos espetáculos

por Ana Clara Brant 04/01/2017 08:00

Carol Thusek/Divulgação
Urgente, que estreou em 2016, é uma das atrações que a Cia Luna Lunera apresenta na Campanha; também haverá sessões da montagem de repertório Prazer (foto: Carol Thusek/Divulgação)

Com uma programação de quase 200 espetáculos, é difícil escolher a qual das produções da 43ª Campanha de Popularização Teatro e Dança de Minas Gerais assistir. O evento começa amanhã e será realizado em Belo Horizonte, Betim, Juiz de Fora e Nova Lima. Apresenta de tudo um pouco: drama, comédia, teatro infantil, contemporâneo. Para facilitar a vida do espectador, o Estado de Minas conversou com algumas das estrelas da campanha – os comediantes Carlos Nunes e Geraldo Magela, a atriz do Grupo Galpão Lydia Del Picchia e o ator Odilon Esteves, da Cia. Luna Lunera – para saber qual é a melhor maneira de convidar alguém a ir ao teatro.


Veterano no festival, Carlos Nunes tem pelo menos três montagens em cartaz, além de assinar o texto de Boa noite, Cinderela e dirigir Um solteiro fora de forma, que ele considera seu melhor trabalho. Sempre bem-humorado, Nunes diz que está aproveitando o Facebook para ajudar na divulgação de suas produções e gravou vários vídeos. Um dele diz: “Ufa, este ano eu vou cansar, viu! Mas você certamente vai se divertir. Estou com três peças na Campanha de Popularização. Como sobreviver em festas e recepções com buffet escasso, que provavelmente você já viu, mas pode ver de novo; Comi uma galinha e tô pagando o pato, peça que você certamente tem vontade de ver, e Francisco de Assis – Do rio ao riso, o meu mais recente espetáculo e que você tem que ver”.


Também espirituoso, Geraldo Magela vai celebrar durante o evento as duas décadas de sua peça mais conhecida, Ceguinho é a mãe. Ele avisa: “Nesses 20 anos, o espetáculo está bem redondinho e, mesmo sendo antigo, você nunca viu nada igual... Nem eu (risos)”, brinca, queixando-se apenas que ele queria celebrar a efeméride no Palácio das Artes. “Mas o pessoal da programação da campanha achou que eu não teria público para lotar o Grande Teatro. Foi o que alegaram. Uma pena”, desabafa.


No entanto, o ceguinho não perde a piada e assegura que, quem for assisti-lo, não vai se arrepender. “Nunca é o mesmo espetáculo, apesar de a gente manter a essência. A interatividade da plateia muda tudo. Então, não deixe de me prestigiar e também aos meus colegas humoristas como a Concessa (personagem de Cida Mendes), o Carlos Nunes e o Bruno Motta”, diz o ator, que anuncia turnê este ano pela Europa e Estados Unidos.


Cris Moreira, do coletivo Os Conectores, estará em cartaz com Rosa Choque, e também usa as redes sociais para divulgar seu trabalho. Como a peça fala sobre a violência contra a mulher e o machismo velado, ela revela que chegou a entrar em contato com escolas de público adulto e organizações relacionadas à proteção e empoderamento feminino. “Este espetáculo é um convite a repensarmos a violência contra a mulher, a violência contra o ser humano, a violência entre nós, a repensarmos nossas relações e a vivenciarmos a empatia. Acho que esse seria meu convite”, diz.

DELICADEZA A dramaturga, diretora e atriz Rita Clemente, que participou recentemente da série global Liberdade, liberdade, é a estrela do monólogo Amanda, que será encenado no começo de fevereiro no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). “Se você percebe a vulnerabilidade, a delicadeza que é estarmos vivos aqui neste mundo, com todas as instabilidades, as incertezas do dia a dia; se você sabe que tem humor naquilo que é trágico, tem o ‘trágico’ naquilo que faz rir – pois uma das belezas da vida é a contradição e a grandiosidade do teatro. Se você topa ficar 50 minutos diante de uma mulher que, mesmo perdendo tudo, recria sua vida, vem ver Amanda. A peça fala sobre mim e fala sobre você. Espero você!”, intima Rita.


Além de seu espetáculo, a artista tem uma lista de recomendações para a maratona das artes cênicas: Campo santo, que se passa numa vila, onde as personagens vivem questões sociais que norteiam a trajetória de todos do povoado; O deszerto, peça do grupo Mulheres Míticas, Freddie Rock Star – The show must go on, performance e teatro documentário que promovem o encontro do público com Freddie Mercury, e Ser – Experimento para tempos sombrios, que será apresentado na Funarte em meados de fevereiro.


Quem também está no CCBB é Christiane Antuña com Um interlúdio, a morte e a donzela. A atriz acredita que interessados em um texto bem escrito e bastante atual – apesar de datado dos anos 1990 – não vai se decepcionar. “É um espetáculo político sem ser panfletário. Ele fala da ditadura, da violência contra a mulher, seja a física ou a psicológica. As pessoas vão se identificar ainda mais com o atual momento que passamos, não só no Brasil como no mundo, essa tendência ao direitismo, ao conservadorismo. Quem quiser ir ao teatro e não quer sair da mesma maneira que entrou – pois ele leva a uma reflexão profunda – Um interlúdio, a morte e a donzela é a peça indicada”, destaca. Christiane sugere outras produções em cartaz no CCBB: Amanda, da colega Rita Clemente, e Danação, com Eduardo Moreira, do Galpão. “Amanda é maravilhoso. Quem quiser ver um belo espetáculo com essa atriz talentosa e de precisão cirúrgica, eu indico. Sem contar que é um texto lindo do Jô Bilac. Já o Danação é o primeiro monólogo do Eduardo e é dirigido por atores novos. É bem interessante”, cita.


As indicações de Chris Antuña coincidem com as do ator da Cia. Luna Lunera Odilon Esteves. E ele inclui outras sugestões, como Rose, a doméstica do Brasil, com Lindsay Paulino, e Rosa choque. “O Lindsay tem um trabalho impecável. Já vi a peça dele umas cinco vezes. Estreou muita coisa no ano passado também – Rua das camélias e Simplesmente Marta”, frisa Odilon, que estará nos palcos em Urgente e Prazer. Já Lydia Del Picchia, que vai encenar De tempos somos – Um sarau do Grupo Galpão, conta que a proposta do espetáculo tem tudo a ver com o clima da campanha. Apesar de a montagem ter começado de maneira despretensiosa, a produção conseguiu uma conexão muito forte com o público. “O mais bacana é que as pessoas ficam emocionadas porque, como o espetáculo resgata canções que fizeram parte da nossa história e a gente ainda homenageia pessoas da plateia, tem um impacto muito grande. Para quem é fã do Galpão, e mesmo quem não é e nunca viu De tempo somos, é a oportunidade certa. Venha nos reconhecer ou nos conhecer”, convida.

 

 

Serviço

 

AMANDA
De 2 a 6 de fevereiro. Quinta e sexta, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450 Funcionários). Ingressos: R$ 10. Classificação: 16 anos.

CEGUINHO É A MÃE
Dia 16/01, às 21h, no Cine Theatro Brasil Vallourec (Av. Amazonas, 315, Centro). Dias 20 e 21/01, às 21h, e dia 22/01, às 19h30, no Espaço Alternativo Partage do Shopping Betim (Rodovia Fernão Dias, Km 492 s/nº, São João, Betim). De 9 a 12/02, de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 19h, no Teatro Alterosa (Av Assis Chateaubriand, 499, Floresta). De 16 a 19/02, de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 19h, no Espaço Alternativo Shopping Estação BH (Av. Cristiano Machado, 11.833, Venda Nova). Ingressos: R$ 15. Classificação: 12 anos.

COMI UMA GALINHA E TÔ PAGANDO O PATO

De 27 a 29/01, sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 19h, no Cine Theatro Brasil Vallourec (Av. Amazonas, 315, Centro). Ingressos: R$ 15. Classificação: 14 anos

COMO SOBREVIVER EM FESTAS E RECEPÇÕES
COM BUFFET ESCASSO

De amanhã a 15/01, de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h, no Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Dia 21/01, às 20h30, e dia 22/01, às 19h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro).  De 2 a 5/02, de quinta a sábado, das 21h, domingo, às 19h, no Teatro Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). Ingressos: R$ 15. Classificação: 12 anos

DE TEMPO SOMOS – UM SARAU
DO  GRUPO GALPÃO

Dias 4/02 , às 20h30, e 5/02, às 19h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos: R$ 12. Classificação: livre.
4 FRANCISCO DE ASSIS – DO RIO AO RISO
De 9 a 19/02 , de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 19h, no Teatro Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). Ingressos: R$ 15. Classificação: 12 anos. Sessão especial com tradução em libras em 13 de fevereiro.

PRAZER
De 3 a 5/02, sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h, no Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos: R$ 10. Classificação: 16 anos.

ROSA CHOQUE
De 2 a 12/02, de quinta a domingo, às 20h, na Funarte (Rua Januária, 68, Centro). Ingressos: R$ 10. Classificação: 16 anos.

UM INTERLÚDIO – A MORTE E A DONZELA
De 12 a 23/01, de quinta a segunda, às 20h, no CCBB (Praça da Liberdade, 450 Funcionários). Ingressos: R$ 10. Classificação: 15 anos.

URGENTE

De 10 a 12/02, sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h, no Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos: R$ 10. Classificação: 16 anos.

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