Crítica: 'O grande sucesso' é uma das melhores peças do ano

Alexandre Nero não se restringe apenas à atuação. Ator desfila seu lado músico, assinando cinco das 11 canções da montagem

por Helvécio Carlos 02/12/2016 08:31
Priscila Prade/Divulgação
(foto: Priscila Prade/Divulgação)
É fácil colocar O grande sucesso entre as cinco melhores peças apresentadas este ano em Belo Horizonte. E por isso vem a calhar sua estreia já no último mês do ano, marcando um bom encerramento de temporada de novidades na cidade. As qualidades estão todas ali, na cara da plateia: do cuidado estético – com destaque para o figurino de Karen Brusttolin – ao bom humor do texto, que nos mostra que rir de nós mesmos é sempre o melhor caminho para fugir do sufoco.

O dramaturgo e diretor Diego Fortes conseguiu atingir de uma vez dois públicos: aquele louco para descobrir o que se passa na coxia de uma peça e a turma do teatro, que, como propriedade, sabe que a trajetória de uma produção nem sempre é permeada pelo glamour que enche as capas das revistas de celebridades.

A peça se desenrola ao mesmo tempo que o elenco secundário de uma montagem “cabeçuda”, de quatro horas de duração, aguarda para suas participações. Nada escapa ao olhar crítico de Fortes, que fala dos percalços do próprio teatro e das questões que envolvem a produção de peças sofisticadas, como a que o elenco encara.

Ah, claro! Tem Alexandre Nero, galã de televisão, no elenco. Bonitão, ele faz a alegria das fãs, que irão ao teatro para ver o ídolo. Mas que fique claro: Nero não é apenas mais um rostinho bonito da TV se aventurando pelos palcos. Ao lado de Fábio Cardoso, Fernanda Fuchs, Eliezer Vander Brock, Marco Bravo, Carol Panesi, Rafael Camargo e Edith de Camargo, forma um elenco afinado, em que todos têm vez e cada um deixa a sua marca.

Alexandre Nero não fica apenas na atuação e reforça seu talento como compositor. Das 11 canções apresentadas na peça, cinco são parcerias dele com seus colegas de cena, que também se aventuram em outras parcerias. A turma domina a música – inclusive com a utilização de instrumentos musicais os mais diversos – com igual talento para a interpretação.

Ali, na coxia de um teatro qualquer, conseguimos nos ver em situações ora ridículas ora de total desespero. O riso, às vezes nervoso, justifica o que afirma o programa da peça: “Todos somos obrigados a viver sem saber como”.

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