Alexandre Nero traz a BH espetáculo 'O grande sucesso'

Montagem, que será apresentada no Cine Theatro Brasil, gira em torno das definições de sucesso e fracasso e de sua impermanência

por Márcia Maria Cruz 02/12/2016 08:17
Priscila Prade/Divulgação
(foto: Priscila Prade/Divulgação)
O ator Alexandre Nero diz, com todas as letras, que gosta do fracasso, o que é uma contradição em termos para quem alcançou a visibilidade de protagonista da trama global das nove como o Comendador, em Império, e Romero Rômulo, em A regra do jogo, pelo qual foi indicado ao Emmy Internacional. “As pessoas vendem muito mais o sucesso do que o fracasso, falam muito pouco dos seus próprios fracassos. Não quero cair nesta armadilha”, afirma. Ele traz ao Cine Theatro Brasil Vallourec, no Centro de Belo Horizonte, sábado (3) e domingo (4), a peça O grande sucesso.

Com texto e direção de Diego Fortes, a peça resulta de processo coletivo com interlocução artística de Nero, que faz a ligação entre todos os pontos e funções do espetáculo. “Quando encomendei o texto ao meu parceiro Diego Fortes, queria um espetáculo que falasse exatamente de sucesso e fracasso, mas que não subestimasse o olhar poético do público”, conta. Toda a equipe se reuniu por dois meses, em Curitiba, para fazer a montagem.

Em tempos em que influenciadores digitais, vlogueiros e blogueiros fitness fazem de tudo para alcançar o sucesso – que é, de forma rasteira, traduzido em números de likes –, a peça traz uma discussão contemporânea em torno da definição de fracasso. “O fracasso é certo, o sucesso não necessariamente. Não tem a ver somente com talento ou empenho, os fracassos simplesmente acontecem. São essas e outras questões que a gente quer discutir”, diz Nero.

Nesse sentido, parece ser um esforço do ator não ser tragado pelo sucesso que os papéis em novela lhe proporcionaram. “Primeiro, é preciso pensar que sucesso e fracasso são definições muito pessoais e sempre em constante movimento. Não existe o tal sucesso intocável, muito menos permanente.” O espetáculo opta por tratar das questões de artistas que estão no chamado segundo escalão, no limbo, nos termos de Nero, onde diz já ter estado e para onde poderá voltar. “Às vezes você está na moda; às vezes, não. Faz parte de qualquer profissão. Um dia no primeiro time; no outro nas coxias, esperando a sua vez de entrar.”

MATURAÇÃO Como músico do Grupo Fato, Banda Maquinaíma e Denorex 80, Nero considera que ser bem-sucedido é poder exercer sua profissão de forma digna, seja “tocando num barzinho em Curitiba ou no horário nobre da TV”. O espetáculo marca o retorno dele aos palcos, dos quais andou afastado enquanto emendava um sucesso televisivo no outro. “O teatro é artesanal, exige tempo, maturação, coisa que a TV e mesmo o cinema não te dão. Precisava de um espetáculo que realmente me desse muita vontade de fazer e O grande sucesso está me permitindo voltar ao teatro da forma que eu queria, como um artista criador”, afirma.

No espetáculo, Nero transita pela atuação e pela música. “Nunca separei o ator do músico. Entendo um texto como música e a música como um texto. Toda vez que atuo, estou fazendo música, e toda vez que faço música, estou atuando.” A versatilidade não é só dele, mas de todos em cena: Carol Panesi, Edith de Camargo, Fernanda Fuchs, Fabio Cardoso, Eliezer Vander Brock, Marco Bravo e Rafael Camargo.

“No espetáculo, somos todos atores e músicos, todos tocam e cantam em cena. Tudo está interligado e se complementa.” Ele afirma que a peça flerta com o humor irônico, sarcástico. “É esse humor melancólico, down, bastante curitibano. Ao contrário do tão conhecido humor brasileiro, sempre super pra cima – samba, carnaval –, o humor curitibano é mais frio. Não quer dizer que seja melhor nem pior, é apenas um tipo diferente de humor.”

A peça propõe um jogo interessante: o teatro falando do teatro. “Há vários enigmas que vão surgindo durante a peça, situações nas quais parece que estou falando com o público, mas não estou. O contrário também acontece.” Nero diz que tem se afastado das mídias sociais por achá-las um ambiente “chato”. “Na internet, tudo é cor-de-rosa, as pessoas são sempre felizes, perfeitas e bem-sucedidas, o que obviamente não tem nada a ver com a realidade, com o dia a dia de quem quer que seja: artistas, musas, celebridades instantâneas.”    

O GRANDE SUCESSO

De  Diego Fortes. Com Alexandre Nero, Carol Panesi, Edith de Camargo, Fernanda Fuchs, Fabio Cardoso, Eliezer Vander Brock, Marco Bravo e Rafael Camargo. Sábado (3), às 20h, e domingo (4), às 19h, no Cine Theatro Brasil Vallourec (Avenida Amazonas, 315 – Centro. Ingressos: de R$ 50 (meia; R$ 25) e R$ 60 (R$ 30). Setor 1: R$ 70 (meia, R$ 35) esgotado nos dois dias, segundo a bilheteria do teatro.

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