Peça que se passa dentro de um micro-ônibus em movimento chega a BH

'Entrepartidas', do coletivo brasiliense Teatro do Concreto, irá transitar pela capital mineira neste fim de semana

por Redação EM Cultura 25/11/2016 09:13

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Tais Peyneau/Divulgação
'Entrepartidas' irá sair da Estação Central, com paradas no Bairro Floresta. (foto: Tais Peyneau/Divulgação)


Além de talento, o ator Adilson Dias precisou apresentar um documento ao coletivo brasiliense Teatro do Concreto antes de integrar o elenco da peça Entrepartidas: a carteira de motorista na categoria D, que permite dirigir ônibus. A exigência faz sentido. Em busca de espaços alternativos para se apresentar – proposta desenvolvida desde 2006, quando o grupo foi criado –, a trupe decidiu encenar o trabalho dentro de um micro-ônibus em movimento, conta a atriz Micheli Santini, fundadora do coletivo. Adilson faz o papel de Cácio, o motorista mal-humorado.

No fim de semana, a peça chega a BH. O palco nunca é o mesmo. O cenário, segundo o dramaturgo Jonathan Andrade, é a cidade, ''esse rizoma, esse tanto de ruas e conexões''. A bordo do micro-ônibus, os atores se misturam aos espectadores. Todos se transformam em passageiros.

 



Nesse ''mergulho nas cidades internas'', como diz Jonathan, os espectadores são convidados a revisitar as ruas do lugar onde vivem e a observar situações cotidianas como desencontros de casais, a volta de uma jovem à cidade natal e discussões do motorista com outros condutores – que podem ou não ser atores. ''São situações efêmeras e voláteis, mas que dão sentido à vida'', explica o diretor Francis Wilker, que espera ''acordar as memórias'' do público.

Logo ao entrar no micro-ônibus, os espectadores são provocados pela seguinte pergunta: ''Se esta fosse sua última viagem, o que você gostaria de levar?''. A questão está relacionada à pesquisa que originou Entrepartidas, em que o Teatro do Concreto explorou os conceitos de amor e de abandono.

''O próprio amor tem muito de abandono. E o abandono tem muito de amor também'', afirma a atriz Micheli Santini. ''A peça se tornou um abraço e um grito pelo afeto'', acrescenta Jonathan Andrade.

MINAS


Entrepartidas já passou por Brasília, por outras cidades no entorno do Distrito Federal e por municípios de Goiás e do Rio de Janeiro. Na temporada mineira, os destinos são BH e Ouro Preto. Em cada cidade, repete-se o desafio logístico: a trupe precisa alugar um micro-ônibus.

Outro desafio é a preparação do trajeto. Ele é traçado pelo diretor Francis Wilker. Em BH, o ponto de partida fica próximo da Estação Central do metrô, com paradas no Bairro Floresta. Como a ação se dá também fora do micro-ônibus, os transeuntes acabam se tornando plateia. Micheli Santini diz que o grupo teve boa interação com moradores de rua cariocas, por exemplo.

O mau tempo não é problema, pois a companhia sempre tem capas de chuva à mão. O trânsito é outro elemento da peça. O ator Adilson Dias conta que, no Rio de Janeiro, um engarrafamento se tornou parte da peça. Por isso, o tempo do trajeto, previsto em duas horas e meia, é flexível. E os atores precisam estar prontos para improvisar. ''É uma dramaturgia líquida'', define Jonathan Andrade.

Micheli conta que as ruas de Brasília, pouco movimentadas, realçaram o lado introspectivo da peça, que foi marcada pelos silêncios. Já no Rio houve um ''final celebratório'', revela a atriz.

ENTREPARTIDAS

Com Teatro do Concreto. Embarque e desembarque: Rua Aarão Reis, 423, Centro. Amanhã e domingo, às 19h. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Amanhã, às 14h, atores da companhia conversam com grupos teatrais de BH no Galpão Cine Horto, Rua Pitangui, 3.614, Horto.

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