Ana Rosa traz a BH peça há 20 anos em cartaz

Com mais de 50 anos de televisão, a atriz apresenta sexta e sábado no Teatro Bradesco o espetáculo 'Violetas na janela'

por Helvécio Carlos 11/11/2016 08:45

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André Furtado/Divulgação
(foto: André Furtado/Divulgação)
Desde a sua estreia, nos anos 1960, como estrela na novela Alma cigana, até hoje a atriz Ana Rosa não parou. No ar em A lei do amor, da Rede Globo, ela comemora sua 62ª personagem interpretando a babá Zuleika Pessoa, o que garante à atriz o título de recordista na telinha. No teatro, Ana também bate outro recorde. Em março do ano que vem, comemora os 20 anos ininterruptos da turnê de Violetas na janela.

Nestas sexta e sábado, a peça será apresentada no Teatro Bradesco. “Trabalhei muuuito”, brinca Ana, por telefone, ao resumir o balanço de sua carreira, que começou ainda muito jovem, como atriz de circo. Foi nos picadeiros que conheceu Dedé Santana, seu primeiro marido, com quem teve dois filhos. O casamento não durou muito e Ana foi obrigada a se virar para pagar as contas. Começou a fazer teatro até receber convite de Cassiano Gabus Mendes para protagonizar Alma cigana, em que fazia duas personagens – uma freira e uma cigana. A novela foi um sucesso e, com ela, a atriz ficou conhecida em todo o país.

Tecnologia

Ana lembra que, nos anos 1960, a produção das telenovelas era muito artesanal, mas a evolução da tecnologia mudou tudo. “Um capítulo de novela hoje é quase um filme hollywoodiano”, compara, sem saber avaliar se essa evolução é boa ou ruim. “Não sou saudosista. Como gosto muito de novidade, acompanhei essa evolução. Claro que existem algumas coisas que tecnicamente são mais difíceis para o ator. No início, você entrava no estúdio e fazia uma cena. Hoje, com o kill eletrônico, você faz tudo picotado. Mas são técnicas que você vai aprendendo e aprimorando”, observa.

O tamanho das novelas também chama a atenção da atriz. No princípio da carreira, Ana fazia, em média, três novelas por ano. O folhetim, naquela época, não ultrapassava 40 capítulos, exibidos em dois meses, o que foi um facilitador para que ela emendasse um trabalho no outro.

Se por um lado ela ocupa posição de destaque como atriz recordista de atuações na telinha, por outro não está ligada 24 horas na programação da televisão. “A minha família é grande e estou curtindo meu netinho de um ano e 8 meses”, justifica. Mas, quando aparece um tempinho, faz questão de acompanhar o que rola na TV. Sem citar exemplos, diz que vê coisas de que gosta muito, outras nem tanto.

Já sobre as personagens mais marcantes de sua trajetória, com orgulho cita Cida, de Beto Rockfeller (1968); Alzira, de Mulheres de areia (1973) – ambas produções da TV Tupi; Alice, de A justiça de Deus; e Daniela, de Vida roubada, ambas no SBT, em 1983; a Zefa, de Riacho Doce (1990); Nanci, de O dono do mundo (1991); Maria Rosa Caxias, de O rei do gado (1996). “São trabalhos de excelência que me marcaram bastante”, resume.

Quando acabarem as gravações de A lei do amor, a dedicação da atriz será completa para dar continuidade à turnê de Violetas na janela, produção sempre convidada para rodar pelo Brasil e retornar a muitas cidades por onde já passou. Mesmo com o sucesso da peça, Ana diz que nunca pensou em adaptá-la para a televisão. “Violetas se presta mais ao teatro mesmo”, argumenta. A razão de tanto sucesso ela credita à mensagem de esperança do espetáculo. “A esperança de que a vida não termina com a morte. Que a morte não é a finitude, é transformação. É muito triste você pensar que coloca um filho no mundo, cuida, se dedica e, de repente, um acidente e tudo acaba.”

Criada no catolicismo, ela não vê nenhum proveito na velha história de que se você for bom vai viver eternamente ao lado de anjinhos tocando harpa. Ou se aprontou alguma, foi malandro, vai para o inferno arder eternamente. “É uma inutilidade total. Eu te pergunto: se Deus é nosso pai, todo amor e bondade, faria isso com a gente?. Não tem lógica. Para a atriz, a reencarnação, como prega o espiritismo, é a linha mais justa que existe. “Isso aqui para mim é uma escola. Você vem e faz seu ano. Quando morrer, avança para outra escola espiritual. Se não foi bem, vai repetir o ano até aprender. Isso para mim é lógico. Estamos aqui para evoluir, crescer.”

A atriz sabe o que está dizendo. Ela perdeu dois filhos: Mauricinho, da união com Dedé Santana, vítima de leucemia quase aos 2 anos, e Ana Luísa, da união com Guilherme Correa, aos 19, vítima de atropelamento, em Botafogo, no Rio de Janeiro. “Não aceitei a morte do meu filho e briguei com Deus”, recorda. Com a perda da filha, a dor foi grande, mas a aceitação menos traumática.

Perdas

Para consolá-la, amigos dela, de Guilherme Correa e de Ana Luiza, outra filha do casal, deram, em momentos diferentes, três exemplares do livro Violetas na janela, narrado pelo espírito Patrícia e psicografado pela médium Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho. Daí para a montagem que está em cartaz há quase duas décadas foi um pulo. O curioso é que, por um período, Ana não pensou em levar o livro para o teatro. “Sempre achei que futebol, política e religião, cada um tem a sua. E devemos respeitar as opiniões. Tenho minhas convicções e ninguém vai me fazer mudar nada”, afirma a atriz, que, depois de uma leitura do texto, no centro que frequentava, percebeu a emoção de todos e, pouco tempo depois, estava na direção executiva da produção. E deu certo. Em pouco tempo, a montagem ganhou sessões extras, além dos horários alternativos no Teatro César Vanucci. Depois dos três meses previstos para a temporada, o espetáculo ganhou mais seis meses em cartaz, entrou em turnê nacional e não parou mais.

Violetas na janela
Espetáculo com Ana Rosa e elenco. Adaptação e direção de Ana Rosa. Sexta, às 21h; e sábado, às 18h e às 21h. Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Classificação: livre.

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