Hotel Imperial Palace, na rua Guaicurus, vira palco para o espetáculo 'Rua das camélias'

A montagem de Gabriela Luque retrata o universo da prostituição em Belo Horizonte

por Mariana Peixoto 04/11/2016 11:00

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Fernando Badharó/Divulgação
Apresentação será feita no segundo andar do prédio e convida o público a seguir os atores pelo espaço (foto: Fernando Badharó/Divulgação)

Fechado há quase uma década, o Hotel Imperial Palace, na Rua Guaicurus, estará aberto ao público ao longo deste mês. Antigo hotel de prostituição, ele volta à ativa para receber o espetáculo Rua das camélias, que estreia neste sábado, 5. A montagem, dirigida pro Gabriela Luque, da Companhia Vórtica, discute a vida das prostitutas que trabalham na região há décadas. Nasceu justamente de uma pesquisa realizada na Guaicurus.

Em 2015, Gabriela voltou de São Paulo, após um período como assistente de direção no Teatro da Vertigem. O grupo é conhecido por tratar de temas de populações que vivem à margem e com montagens em lugares não convencionais. A questão motivou a diretora, que descobriu que a Guaicurus, de zona boêmia, havia também passado a ser palco de festas e manifestações culturais.

Com ex-colegas do Teatro Universitário, Gabriela passou para a pesquisa. Visitou os hotéis de prostituição da região e viu que o acesso não seria tão fácil quanto imaginava. “Mulher não pode subir nos hotéis, enquanto os homens têm livre trânsito”, comenta.

A equipe então decidiu conversar com organizações não governamentais (ONGs) ligadas à Pastoral da Mulher. Fizeram um seminário e começaram a ter uma abertura. “Algumas (prostitutas) não queriam conversar, outras nos colocavam dentro do quarto. Em nenhum momento apresentamos um roteiro. Elas falavam o que queriam, tanto histórias verdadeiras, quanto algumas que nos pareciam fantasiosas. O importante era que elas nos contassem o que queriam.”

 


Com essas narrativas em mãos, a dramaturgia (de Daniel Toledo e Gabriela Figueiredo) foi construída. “Não há uma história. A gente fez um recorte sobre a prostituição. Trabalhamos bastante o onírico e o real. E a peça traz ainda uma cena sobre Hilda Furacão”, acrescenta Gabriela. Em cena, são cinco atrizes e dois atores.

Rua das camélias não nasceu para ir para os palcos. A equipe se empenhou para conseguir o Hotel Imperial. A edificação, de quatro andares (são 86 apartamentos) é do arquiteto italiano Romeo DiPaoli. Funcionou como sanatório até que, nos anos 1940, Juscelino Kubitschek o transformou num hotel. Mais tarde, o imóvel foi doado para a Santa Casa de Misericórdia.

“No início do ano vi um prédio fechado (ele fica na Guaicurus com Rio de Janeiro) e fui perguntar de quem era. Me falaram que era a Santa Casa e perguntei com quem teria que conversar para pedir o prédio emprestado.” Gabriela fez contato com o advogado e o espaço foi cedido.

Para o espetáculo, são utilizados o hall, quartos, cantina e salão do segundo andar. Foi feito um financiamento coletivo para melhorar as condições do espaço, incluindo trocar fiação elétrica e fazer uma grande limpeza. A verba (R$ 10 mil) também foi utilizada para construção de cenário e figurinos.

Cada apresentação vai receber até 40 pessoas. Antes da estreia, houve uma sessão para as prostitutas.

RUA DAS CAMÉLIAS
De: Gabriela Luque. Com: Companhia Vórtica. Sábado, 5, às 20h, no Hotel Imperial Palace (Rua Guaicurus, 436, Centro). Até 27 deste mês, de sexta a domingo, às 20h. Ingressos: R$ 30.

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