Peça que ironiza a violência da PM é interrompida pela polícia e ator é detido

Caso aconteceu em Santos, durante o espetáculo 'Blitz: O império que nunca dorme' e foi registrado em vídeo

por Diário de Pernambuco 31/10/2016 18:30

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Trupe Olho da Rua / Divulgação
Peça estreou há mais de um e só agora sofreu represália direta da polícia (foto: Trupe Olho da Rua / Divulgação )
Uma peça teatral que ironiza a violência da Polícia Militar foi interrompida durante exibição no domingo (30), pela própria PM. O ator Caio Martinez Pacheco, de 38 anos, foi detido e explica que as autoridades apreenderam também itens do cenário, equipamentos de produção e o celular de uma espectadora em Santos, São Paulo. Segundo ele, o motivo não foi explicado.


Na delegacia, ele disse ter sido autuado por resistência e desobediência. A peça, intitulada Blitz: O império que nunca dorme, enfrentará acusações de desrespeito aos símbolos nacionais. No espetáculo, o hino é intercalado com a música A paz, de Gilberto Gil.

 

A reportagem tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa da PM paulista, mas não obteve retorno. "Foi um ato truculento. Não aceitaram, dizendo que não podemos fazer este tipo de crítica. Era humor, simbólica e subjetiva, apresentada num espaço público", conta ele ao Viver sobre Blitz, que estreou há mais de um ano e já foi exibida em praças públicas de diversas cidades.

 

Caio diz também que outros tipos de censura existiam, mas de forma sutil. "Policiais nos hostilizavam antes de começar as apresentações. Nos revistavam, ficavam circulando em viaturas durante a exibição. Mas nós encarávamos como algo no âmbito da dialética", diz.

 

No Facebook, pessoas que acompanham o grupo teatral criticaram a ação da PM. "Isso é o retrato da CENSURA! Revoltante!", escreveu uma usuária. "Parabéns pela coragem, pessoal! Processar esses envolvidos por desvio de conduta e fazer a corporação pagar indenização e usar a grana para refinanciar o espetáculo seria uma boa! Força aos artistas!!", encorajou outro.

 

A peça Uma produção do grupo Trupe Olho da Rua, que tem 15 anos, a peça Blitz: O império que nunca dorme se vale do humor para fazer um retrato crítico da Polícia Militar por meio de uma perspectiva histórica. Aborda os aspectos mais contundentes de como a instituição foi construída e fala sobre os altos índices de violência contra a população negra por parte dos policiais. Já rodou por diversas cidades de São Paulo com apoio do governo do estado, uma vez que é realizada por meio de edital da Ação Cultural (ProAC).

 

Caio ressalta que a produção não cita ou faz referência a nenhum caso específico ou pessoa, não dando abertura para possíveis retaliações. Ele afirma que a equipe vai acompanhar as investigações da polícia e avaliar as medidas cabíveis. "Vamos cumprir com a nossa agenda. Temos diversas apresentações marcadas e nosso dever agora é lutar para que isso não aconteça novamente", concluiu.

 

Assista ao momento da prisão:

 



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